CNI quer maior oferta de engenheiros no mercado

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) vai lançar o Plano Nacional de Engenharia para reduzir a evasão e o preenchimento de vagas ociosas nos cursos na área em instituições públicas e privadas do país. A ideia é entregar ao governo até o final do mês um conjunto de propostas com o objetivo de aumentar a oferta de engenheiros no mercado de trabalho.
Segundo comunicado divulgado na última quinta-feira, 14, pela entidade, o plano está sendo elaborado pelo Comitê de Engenharia da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), ligada ao Ministério da Educação, com a participação da CNI, por meio do programa Inova Engenharia.
Dados da confederação mostram que a evasão nos cursos de engenharia é superior a 50%, sendo que a maioria deixa a faculdade nos dois primeiros anos. Para a entidade, se a economia brasileira crescer mais de 4,5% ao ano, a oferta desses profissionais ao mercado estará saturada em menos de dez anos.

Última posição

O Brasil, informou a CNI, forma menos engenheiros por ano do que a Rússia, a Índia e a China, integrantes do chamado Brics, grupo de economias emergentes que também inclui a África do Sul.
De acordo com a confederação, o Brasil forma a cada ano menos de 40 mil engenheiros, enquanto esse número chega a 120 mil na Rússia e a 300 mil na Índia. Na China, o total ultrapassa 400 mil.
Na última terça-feira, 12, a presidenta Dilma Rousseff, que está em viagem à China, anunciou um projeto de investimento da Foxconn no Brasil, no valor de US$ 12 bilhões (cerca de R$ 18,9 bilhões), na área de tecnologia da informação. Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, o investimento deverá gerar 100 mil empregos, entre eles, para 20 mil engenheiros.

País terá estoque de 1,8 milhão de engenheiros em nove anos, diz Ipea

O Brasil poderá contar em 2020 com um estoque de 1,5 milhão a 1,8 milhão de pessoas formadas em engenharia, conforme o estudo “Radar nº 12 – Mão de Obra e Crescimento”, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada).
O estudo ressalva que algumas pessoas que se formarão em engenharia podem não ser empregadas em ocupações típicas da área. Isso porque não há correspondência certa entre formação e ocupação no mercado de trabalho.
O Ipea exemplifica que, em 2001, 69% das pessoas diplomadas em engenharia não estavam trabalhando nas ocupações típicas da engenharia. Segundo o estudo, a demanda por engenheiros deve crescer, até 2020, entre 5,1% e 13% dependendo do crescimento da economia. Isso significa que, até lá, serão necessários entre 600 mil e 1,15 milhão engenheiros.
Os setores que mais demandam engenheiros são os de petróleo e gás, sendo que este é o setor com o mais intenso uso de profissionais de áreas de engenharia, além de infraestrutura, que engloba transportes e armazenagem, além de produção e distribuição de energia e água. Este foi o segundo setor que mais demandou profissionais da área de engenharia, na década de 1980.
Com o crescimento econômico projetado para os próximos anos, a demanda por profissionais de engenharia vai continuar. A necessidade por profissionais das áreas de petróleo e gás, incluindo extração e refino, vai crescer entre 13% e 19% ao ano. A administração pública, a educação e a área de saúde pública e privada também vão demandar engenheiros em nível acima do crescimento médio da economia.
O estudo aponta ainda que, com o crescimento da demanda por profissionais da área de engenharia, pode haver a possibilidade de escassez relativa de profissionais, principalmente em áreas específicas de formação e de experiência. Isso não significa necessariamente uma falta de profissionais, mas a possibilidade de salários menores faria com que aqueles que se formam em engenharia não se sintam atraídos por preencher as vagas disponíveis no mercado de trabalho.

Gargalo na oferta

Segundo o pesquisador do Ipea Rafael Henrique Moraes, é possível que, em alguns setores, haja gargalo na oferta de profissionais, mas isso só deverá ocorrer se a economia crescer a níveis muito altos. “Construção civil, mineração, setores ligados ao petróleo e gás podem encontrar escassez daqui a alguns anos para formações específicas não ligadas à graduação”, informou.
Agnaldo Nogueira, também pesquisador do instituto, disse que a falta de investimento em educação pode contribuir para um possível deficit de engenheiros no mercado. “Para que tenhamos um melhor desempenho no mercado de trabalho e na formação dos jovens em tecnologia e engenharias, é preciso investir mais e acelerar o ritmo de melhora da educação básica porque ela é quem vai dar a base para os novos alunos das áreas de engenharia e de outras áreas tecnológicas”, encerrou.

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