Clima impacta na cesta básica

As mudanças climáticas em todo o país afetaram o preço dos produtos essenciais e provocaram a terceira alta consecutiva na cesta básica da capital amazonense. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em maio, Manaus foi a cidade com a segunda cesta mais cara entre as 17 capitais brasileiras pesquisadas.
A pesquisa registrou um gasto médio de R$ 272,86 com os 12 itens de necessidade básica na cidade, aumento de 2,12% em relação ao mês imediatamente anterior e de 11,12% na comparação com maio do ano passado, quando os mesmos produtos custavam juntos R$ 245,54. Apenas o preço do pão francês permaneceu estável no mês. Todos os outros 11 produtos sofreram reajuste.
A supervisora técnica do escritório regional do Dieese, Alessandra Cadamuro, justifica que dessa vez, o reajuste não pode ser relacionado a fatores locais. “A alta foi generalizada no país”, apontou.
Segundo os dados repassados pelo órgão, os preços do óleo de soja e da banana, por exemplo, aumentaram em 16 localidades. Já o valor do feijão e do tomate subiu em 15, enquanto o preço do arroz disparou em 14 capitais.
Seguindo a tendência, em Manaus, os principais acréscimos foram de produtos vindos de fora. “Uma junção de fatores externos, sobretudo ligados ao clima, como estiagens longas e fortes chuvas, ditaram os novos preços”, explicou.

Produtos

O feijão, com preço médio de R$5,32 (para 4,5 kg), liderou a alta com acréscimo de 5,32%. O reajuste foi influenciado pelo longo período de seca nas áreas de plantio, principalmente no município de Irecê, na Bahia, e chuvas na região Sudeste, conforme indica o relatório. Em seguida apareceram o açúcar (+ 5,08%), o tomate (+3,88%) e o café (3,02%).
Outros produtos como a carne (+1,52%), o leite (+1,15%) e a manteiga (+0,82%) também sofreram influência da estiagem e da seca, intensificadas neste ano.
Já o aumento dos itens produzidos no Amazonas, tem ligação direta com a enchente recorde que atingiu o estado este ano “Especialmente os produtos cuja plantação ocorre nas áreas de várzea, que neste momento estão embaixo da água”, detalhou o presidente da Faeam (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço.
É o caso da farinha, subproduto da mandioca, a cultura mais atingida pelas cheias esse ano. De acordo com o Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), até o início de maio, a cultura da mandioca já somava prejuízos de R$ 13.60 milhões. A alta, segundo o Dieese, foi de 2,20% em maio, custando em média R$ 2,79 para 3 kg do produto.
A banana, também em consequência da cheia recorde no Amazonas que destruiu plantações e dificultou o escoamento, está 16,7% mais cara que no início do ano. Em maio, o acréscimo foi de 0,90% frente ao resultado de abril.
“A enchente não pode mais ser citada como o principal fator, mas somada a outros fenômenos climáticos manteve sua influencia sobre o resultado”, complementou Alessandra Cadamuro.

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