Cley Martins: a escudeira da equidade de gênero e Direitos Humanos

Sempre envolvida na defesa de temas sensíveis que afligem nossa sociedade, a atuante promotora de Justiça, Cley Martins, conduziu importantes processos à frente da Promotoria Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceap) e hoje, integra a Administração Superior, do Ministério Público do Amazonas, e o assessoramento direto à procuradora-geral de Justiça, Leda Mara Albuquerque.

No Centro de Apoio Operacional, do MP-AM, Cley trabalha com projetos de melhorias e avanços institucionais, onde há cerca de um ano coordena o grupo de implantação de sistemas, como o Sistema de Automação da Justiça do Ministério Público (SAJ-MP) e o MP Virtual, que avança nas comarcas do interior do Estado.

A promotora também se mantém envolvida com os demais projetos que alavancam a instituição, chancelados por suas coordenadorias e que lançam olhar acerca dos Direitos Humanos. Dessa forma, vem palestrando em todas as regiões do País, a partir de seu apoio na organização da 1ª Conferência Regional de Promotoras e Procuradoras de Justiça dos Ministérios Públicos Estaduais da Região Norte, que contou com a contribuição e apoio da União Europeia e presença da então procuradora-geral da República, Raquel Dodge. 

Cley Martins e a procuradora-geral da República Raquel Dodge, durante a 1ª Conferência Regional de Promotoras e Procuradoras de Justiça dos Ministérios Públicos Estaduais da Região Norte

Mãe do Thiago e Maria Fernanda, Cley é um ‘grude’ com os filhos e se considera uma mulher realizada, ao equilibrar sua carreira e o lar, sem esquecer da atividade física, que se considera ‘aficionada’, pois, não interrompeu a malhação, nem mesmo durante sua gravidez e atuando por mais de uma década no interior.

Entre os herdeiros Thiago e a Maria Fernanda, a principal fonte de energia da ‘mãe coruja’

Pedro Cortês – Qual a diferença entre empoderamento feminino, igualdade e equidade de gênero?

Cley Martins – O empoderamento feminino é a consciência coletiva que se expressa por ações para o fortalecimento das mulheres. As pessoas oprimidas na sociedade, muitas vezes não tem consciência do seu próprio poder. Já a igualdade de gênero é um princípio fundamental das sociedades democráticas que se baseia na igualdade das pessoas diferentes.

Enquanto a equidade de gênero está ligada ao princípio do reconhecimento das desigualdades existentes na sociedade. Há uma necessidade de conferir a determinados grupos uma proteção especial e particular em face de sua própria vulnerabilidade. Em resumo, ao lado do direito e da igualdade, surge também, como direito fundamental, o direito à diferença e à diversidade.

PC – Como a equidade de gênero pode melhorar nossa sociedade atual? E o que se tem feito para isso?

CM – Através do reconhecimento da equidade podemos construir políticas públicas que objetivem a justiça social, um exemplo é a política de cotas para negros em universidades brasileiras.

PC – Como a ala masculina pode contribuir para a igualdade de ideias e perspectivas entre homens e mulheres. O que é preciso para ser um agente de mudança?

CM – Os homens podem contribuir a medida que apoiem as ações e decisões das mulheres, que as enxerguem como parceiras, tanto no aspecto pessoal como profissional.

PC – Qual é a realidade acerca da equidade de gênero no Amazonas e no cenário nacional?

CM – Precisamos romper com a ideia de que a mulher é inadequada para posições de destaque e comando. Sabemos que temas sensíveis devem ser tratados com paciência e perseverança. A luta não é diferente dentre as diversas regiões do Brasil.

PC – Além de seu engajamento na política de equidade de gênero e valorização da diversidade, quais outras suas bandeiras?

CM – Ainda existem muitos desafios na luta para promover e valorizar a dignidade, a liberdade e os direitos de todos os seres humanos. Como membro do Ministério Público, eu tenho por obrigação dar voz aos que não tem poder e tentar construir uma consciência social sobre os direitos e liberdades.

PC – Qual tem sido a contribuição do anual Encontro Nacional do Ministério Público de Combate à Violência Doméstica, promovido Ministério Público Brasileiro e que conta sua efetiva participação?

CM – A Comissão Permanente de Combate a Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (COPEVID), dos Ministérios Públicos dos Estados e da União, visa contribuir para a análise, discussão e padronização dos entendimentos sobre a violência doméstica contra as mulheres, com o objetivo de subsidiar o trabalho dos operadores do Direito que atuam na proteção das vítimas e punição do agressor.

PC – A senhora também foi peça fundamental para a realização da 1ª Conferência Regional de Promotoras e Procuradoras de Justiça dos Ministérios Públicos Estaduais da Região Norte, no Amazonas. Qual foi o legado deixado pelo evento, realizado em 2019?

CM – A conferência teve como objetivo produzir um diagnóstico sobre a inserção, permanência e movimentação na carreira de promotoras e procuradoras de Justiça dos Ministérios Públicos dos Estados, assim como as condições de trabalho vivenciadas por elas. Existe desigualdade de gênero na instituição Ministério Público. O legado deixado por este encontro foi a identificação de problemas que podem ser enfrentados institucionalmente para que se alcance a igualdade de gênero.

PC – Sua trajetória profissional bem sucedida, com atuação preponderante dentro do MP-AM, se torna exemplo de conquista feminina, como dar conta suas relações familiares com essa carreira exitosa?

CM – Infelizmente, ainda temos estruturas de trabalho pensadas por homens e para serem executadas por homens, sem levar em conta as nuances femininas. Nós mulheres devemos construir nossos espaços com estrutura que permitam desenvolver o trabalho com igualdade e com ajustes do que precisamos, tais como respeito a gravidez, amamentação e cuidados com nossos filhos, sem que estes fatores nos desqualifiquem enquanto profissionais.

Mulher alguma é mulher-maravilha, não somos extraordinárias, não precisamos provar coisa alguma, precisamos apenas de respeito. Eu acredito nos meus propósitos e com muita determinação e coragem consegui me realizar profissionalmente e construir uma base familiar sólida. Toda a minha produção eu dedico ao Thiago e a Maria Fernanda, meus apoiadores e filhos amados.

No X Encontro Nacional do Ministério Público de Combate à Violência Doméstica, Cley Martins com a atriz Cristiane Machado e a procuradora Carla Araújo, do MP-RJ
Homenageada com a Medalha Tiradentes, a maior honraria concedida pela Polícia Militar do Amazonas

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