Classe média brasileira nunca vai ao paraíso

Nos últimos anos, os bancos encontraram nas tarifas cobradas de seus clientes uma forma de repor as perdas com a queda dos juros. Qualquer serviço prestado por essas instituições financeiras vem acompanhado de pagamentos que o cliente nem desconfia...

Pesquisa realizada pelo professor Marcos Crivelaro constatou o que todo o Brasil já sabe, mas precisa ficar demonstrado em números: a classe média brasileira vem sendo espoliada progressivamente, seja pela cobrança de impostos, seja pelo pagamento de tarifas bancárias. Crivelaro é PhD da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista) e seus estudos mostraram que as tarifas bancárias representam de 1% a 2% dos gastos familiares, é também 0,68% dos ativos dos bancos e 20% das receitas dessas instituições.
Nos últimos anos, os bancos encontraram nas tarifas cobradas de seus clientes uma forma de repor as perdas com a queda dos juros. Qualquer serviço prestado por essas instituições financeiras vem acompanhado de pagamentos que o cliente nem desconfia ou, se sabe que existem, não consegue entender sua lógica. Os estudos do professor apontam para um crescimento de 293% nas cobranças de tarifas bancárias entre os anos de 1996 e 2006. Neste mesmo período, a receita ­bancária se elevou de R$ 12,1 bilhões para R$ 47,5 bilhões.
Os balanços dos bancos, divulgados a cada ano, comprovam o vigor financeiro dessas instituições, com lucros que ultrapassam as casas dos bilhões de reais. Os grandes bancos brasileiros passaram ao largo de todas as crises econômicas, produzidas aqui ou reverberadas de fora, mantendo saúde inabalável. Houve alguns percalços, com algumas instituições tombando por esse caminho florido pelo qual os bancos transitam, mas quando a crise se anunciou aguda, o governo providenciou o Proer, que injetou bilhões de reais no sistema bancário, salvando a credibilidade das instituições.
O Proer foi um empréstimo a fundo perdido concedido pela sociedade brasileira aos bancos, que nem por isso se mostraram recíprocos, porque quando os bancos fazem um empréstimo ao cidadão brasileiro, o fazem com juros altíssimos, cobram taxas de serviço e embutem mais algumas cobranças que elevam o ressarcimento às alturas. Essa conjuntura fica clara nos estudos de Crivelaro, porque nos últimos onze anos a inflação brasileira acumulada ficou em 92%, a folha de pagamento das empresas cresceu 55%, mas a receita dos bancos explodiu em 292,5%. As taxas bancárias se tornaram parte importante desse faturamento, chegando a 20% do total dos lucros.
Quando da morte da CPMF, descobriu-se que no Brasil, 17% do total do imposto vinha de pessoas com ganhos superiores a R$ 100 mil. A população mais pobre contribuía com apenas 1,8%. São números que precisam de explicação extra. Parte dos brasileiros está na economia informal, por isso fora do sistema bancário, sem pagar imposto e isenta de quaisquer taxas dos bancos. Aqueles 17%, formados por pessoas de grande poder aquisitivo, têm suas contas bancárias, mas devido à movimentação que fazem podem flexibilizar os valores tarifários a partir do relacionamento entre cliente e banco.
Para os clientes vips, as taxas incidem em escala decrescente, diferente dos usuários do sistema que precisam abrir conta bancária para, por exemplo, receber seus salários todo mês. Para esses, existe pouca proteção, a não ser um tabelamento de tarifas instituído pelo governo federal, mas pouco fiscalizado e menos claro ainda. Os bancos continuam livres para definir o preço das tarifas de serviço, podendo alterá-lo quando de sua conveniência a partir do prazo de notificação mínimo de 30 dias junto aos clientes, por meio de cartas ou pela fixação de cartazes em locais visíveis.
A Febraban (Federação Brasileira das Associações de Bancos) defende seus associados, dizendo que as tarifas bancárias representam a contrapartida pelo serviço prestado a um cliente ou usuário do sistema. Alega que mais de 36 bilhões de transações bancárias foram realizadas no país em 2007 e as despesas de salários dos funcionários e manutenção do sistema totalizaram cerca de R$ 14,3 bilhões, um aumento de 10,85% em relação a 2006. A Febraban aponta mais investimentos, como aplicação em novos profissionais, aquisição de equipamentos e tecnologia, qu

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