Cinema amazonense nos holofotes nacionais

O cinema do Amazonas este em festa. Dois filmes, ‘A estranha velha que enforcava cachorros’, do cineasta Thiago Morais; e ‘O caso tucumã’, de Bruno Pereira, foram selecionados para participar do ‘13º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul: Brasil, África e outras diásporas’, que acontecerá entre os dias 21 e 30 de outubro, no Rio de Janeiro; e na noite de sábado, 26, o curta ‘O barco e o rio’, do cineasta Bernardo Ale Abinader, levou cinco Kikitos, no 48º Festival de Cinema de Gramado, o maior evento cinematográfico do país. O fato é inédito para o Amazonas.

‘O barco e o rio’ é o quarto filme de Bernardo Abinader. Logo após a consagração, em Gramado, ele escreveu nas suas redes sociais.

Bernardo Abinader sendo informado que ganhou o Kikito

“Em um ano tão difícil, de imagens pesadas associadas a nossa região, e a necropolítica que joga um peso de morte e cansaço em cima da gente, estou muito feliz e orgulhoso de ver amazonenses ganhando prêmios. Que seja acalento e pulsão de vida. Que convença as pessoas da importância do investimento em cultura, porque estamos cansados de nos dividir em mil para pagar o aluguel, e porque por meio de filmes podemos refletir sobre a gente, sobre o nosso lugar e enfraquecer estereótipos. Que esses prêmios nos impulsionem a continuarmos criando, apesar de tantos reveses. Só gratidão galera. Se tudo der certo, como já está dando, esse é só o começo”.

Os Kikitos conquistados pela produção amazonense foram: Melhor Filme, Melhor Direção para Bernardo Abinader; Direção de Arte para Francisco Ricardo; Direção de Fotografia para Valentina Ricardo; e o prêmio do Júri Popular.

kikitos ofertados no 48º Festival de Cinema de Gramado

‘O barco e o rio’ conta a história de duas irmãs: Vera (Isabela Catão), uma mulher religiosa, introspectiva e metódica, enquanto Josi (Carolinne Nunes) tem uma vida mais livre. O barco da família vira o motivo de discórdia entre elas com Vera querendo mantê-lo e Josi desejando vendê-lo, enquanto lida com uma gravidez inesperada.

Zózimo Bulbul

Em outubro será a vez de Thiago Morais apresentar suas duas produções, no Rio de Janeiro. Não irá concorrer a premiação, mas só o fato de ter dois filmes selecionados para o Encontro já é uma vitória.

“Estamos num momento muito especial em relação aos filmes produzidos no Amazonas. Apesar de a cultura estar passando por um momento crítico, as produções amazonenses estão sendo bem sucedidas nos festivais nacionais e internacionais. Até pouco tempo era muito difícil um filme do Amazonas ser selecionado para festivais fora do Estado. O curta que lancei, em 2018, já foi selecionado para 53 festivais e o curta produzido pelo Bruno Pereira, na Oficina de Produção Audiovisual do Museu Amazônico, já está no seu quinto festival, e ter os dois filmes no ‘13o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul’ é muito gratificante, pois é o mais importante evento do cinema negro do Brasil”, esclareceu.

O Encontro, que leva o nome do seu criador, a cada ano tem se consolidado como um espaço de grande relevância na expansão dos debates sobre o cinema negro. Zózimo Bulbul utilizou suas produções cinematográficas como forma de questionar o racismo e afirmar as contribuições históricas da população negra para a construção do país. Suas iniciativas têm servido até hoje como força motriz para movimentar e ampliar a cena do cinema negro no Brasil e têm cooperado para que as narrativas negras tenham visibilidade nacional e internacional.

Os trabalhos de Thiago e Bruno foram os únicos selecionados do Amazonas para o encontro, que esse ano terá mais de 100 filmes nacionais e internacionais, divididos em 30 sessões de longas, médias e curtas-metragens. Além das mostras, o evento terá cursos virtuais e online, totalmente gratuitos.

Produzindo em casa

E nem a pandemia fez a produção de filmes parar em Manaus. 

“Estão acontecendo muitos eventos virtuais para exibição de filmes durante a quarentena com temas sobre a pandemia, e mesmo com o distanciamento social, temos alguns projetos em andamento e alguns filmes participando destes eventos, como é o caso do curta-metragem ‘Sitiados’, dirigido por Saleyna Borges, que produziu durante o isolamento social sobre o tema da pandemia. Esta produção, que tem apenas seis meses de lançado, já está no quinto festival”, revelou.

Thiago é coordenador das OPAs (Oficinas de Produção Audiovisual), que acontecem no Museu Amazônico. Atualmente está trabalhando em home office. Em 2018 e 2019 foram promovidos diversos cursos, workshops e eventos sobre audiovisual no Museu Amazônico. A turma mais recente da OPA teve 1.257 inscritos, mas agora com a pandemia, ainda está sendo estudado como será feito o retorno das atividades.

“Por enquanto, em casa, os ex-alunos das oficinas contam com a nossa orientação, pois estão escrevendo alguns roteiros e se preparando para voltar a produzir. Já estamos planejando a nova OPA para 2021”, adiantou.

Para Thiago, o caminho para quem pretende se tornar um profissional do cinema é estudar, seja em Manaus ou outro lugar.

“Infelizmente o curso de produção audiovisual da UEA foi encerrado precocemente, mas sempre há outros caminhos a se seguir”, finalizou.

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