Ciência explica novos usos para a cannabis sativa

No dia 02 de dezembro, depois de 60 anos, a ONU retirou a maconha da lista de drogas mais perigosas, reconhecendo seus efeitos terapêuticos e trazendo novas possibilidades de pesquisas nessa área, mas é bom que se explique que a maconha (cannabis sativa), em doses controladas é um poderoso medicamento, porém, se não houver esse controle, vira uma droga que pode ser perigosa. O Jornal do Commercio ouviu as doutoras Maria Teresa Jacob e Beatriz Jacob Milani, diretoras da clínica Bem, um centro de tratamento médico com foco em medicina canábica e bem estar, com sede em Campinas/SP, mas com atuação em todo território nacional através de telemedicina e atendimentos presenciais, para que elas explicassem como é o tratamento médico com a cannabis.   

Jornal do Commercio: A cannabis sativa é, antes de tudo, um medicamento natural, mas estigmatizou-se como uma droga, a maconha. Como reverter isso?

Maria Teresa: Quando se utiliza o termo cannabis medicinal estamos nos referindo ao uso médico da cannabis sativa. Neste caso ela é um medicamento com doses limitadas do THC e em alguns casos até sem ele. O THC é um dos quase 500 componentes ativos da cannabis. A maconha é a cannabis sativa com altas doses de THC (Tetra-hidrocanabinol) responsável por seus efeitos alucinógenos e seu uso recreativo. Para reverter a visão de que a cannabis medicinal não é igual a maconha, o mais importante é esclarecer esta diferença tanto para a população, quanto para profissionais de saúde e órgãos governamentais.

Jornal do Commercio: Por que cannabis medicinal? Ela tem diferença da cannabis encontrada na natureza?

Beatriz Jacob: O termo cannabis é um termo genérico que se refere a todos os componentes da planta e como são usados. As plantas cultivadas diferentemente das encontradas na natureza sofrem modificações genéticas com controle da concentração das substâncias ativas o que as torna mais seguras para uso medicinal.

JC: Quais os efeitos benéficos da cannabis medicinal, e em quais casos ela pode ser utilizada?

MT: A cannabis medicinal apresenta efeitos benéficos em diferentes órgãos e sistemas do organismo. Ela ajuda a controlar o sistema imunológico, o sistema reprodutor feminino, o sistema cardiovascular, sistema nervoso (cérebro e nervos periféricos), o sistema responsável pelo controle da dor, a contratura muscular, entre outros. Por estas diferentes ações o medicamento pode ser usado como complementar no tratamento da epilepsia, do Parkinson, da esclerose múltipla, da dor crônica, da ansiedade, da depressão, da insônia e muitas outras patologias.

JC: Como a cannabis medicinal atua no corpo (ou no cérebro) de uma pessoa com os casos citados acima?

BJ: Existe no organismo um sistema conhecido como Sistema Endocanabinóide. Este sistema está presente em praticamente todas as regiões do corpo, incluindo o cérebro. Ele possui locais chamados receptores onde os endocanabinóides, isto é, substâncias produzidas pelo próprio organismo, se ligam em situações de desequilíbrio para restabelecer a saúde do indivíduo. A cannabis possui substâncias que se ligam a estes receptores e têm a mesma ação dos endocanabinóides. As substâncias mais conhecidas da cannabis são o THC e o CBD (canabidiol), mas existem aproximadamente 500 substâncias ativas.

JC: Como evitar que a cannabis medicinal seja utilizada como maconha, ou seja, tenha o seu efeito psicoativo?

MT: A cannabis medicinal nunca vai ser utilizada com as finalidades recreativas da maconha porque na sua elaboração, desde a escolha da semente até a produção do medicamento, existe um controle rigoroso sobre as doses e substâncias presentes no produto, principalmente o THC. Por isto é necessária a utilização de um medicamento

com boa procedência e que tenha especificado todas as substâncias e concentrações que ele possui.

JC: A cannabis medicinal pode substituir que tipo de remédios?

BJ: Não diria que a cannabis medicinal vai substituir outro medicamento. Ela vai ser introduzida como uma medicação complementar ao tratamento e, de acordo com as respostas, outros medicamentos podem ter sua dosagem diminuída e alguns podem até mesmo ser retirados do tratamento contínuo.

JC: Como a cannabis medicinal é apresentada, e como pode ser adquirida legalmente?

MT: Ela pode ser encontrada como cápsulas gelatinosas, tinturas orais, que podem ser utilizadas de forma sublingual, e formulações tópicas. É importante a aquisição legal do medicamento, pois se evitam produtos que possam ter contaminação (fungos, agrotóxicos, metais pesados). Para ser adquirida legalmente o paciente deve passar por um médico habilitado para a prescrição da cannabis de acordo com a doença e perfil do paciente. Com a receita em mãos, ele entra no site da Anvisa e faz o processo de importação. Em aproximadamente sete a dez dias este processo é liberado. O paciente entra em contato com o laboratório e efetua a compra recebendo seu medicamento em casa após uns 20 dias.

Quem desejar saber mais sobre a atuação da clínica Bem, pode acessar o www.centrobem.com.br

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