CIEAM-42, a intuição visionária de Mário Guerreiro

O apelo do fundador do CIEAM, nos altos de seus 102 anos, segue pulsante em nossos corações e mentes, para mapear nossa biodiversidade, avaliar sua contribuição para a humanidade, e é o que temos buscado realizar com o mutirão de pensadores e apoiadores que elaboraram Amazônia do Futuro.

Por Wilson Périco (*)

CIEAM, 10 de agosto 1979 ­-2021, 42 anos de alinhamento com a intuição visionária e empreendedora de  Mario Expedito Neves Guerreiro: vigilância às prioridades da indústria, suas demandas de infraestrutura, de segurança jurídica e, ao mesmo tempo, de conexão permanente ao interesse maior da comunidade, na construção de um Amazonas próspero e competitivo, num cenário Amazônico e de inserção na dinâmica social e econômica do país. Somente aos grandes espíritos é dado o privilégio de sonhar a grandeza ética e cívica deste propósito. Por isso, hoje e sempre, muito obrigado, Doutor Mário Guerreiro, por seu testemunho, epopeia e labuta na direção da prosperidade geral de nossa gente. 

Jamais foi tão urgente e veemente a união de todos, um apelo traduzido neste propósito guerreiro, como condição de sua viabilidade. União é premissa de resistência para o propósito em suas dimensões operacionais: diversificar, adensar e regionalizar o desenvolvimento e assegurar as condições para o crescimento da Indústria, agora encarregada de ajudar o país com a manufatura 4.0, conectada à nanobiotecnologia de uma nova leitura, a Amazônia em tempo de Quarta Revolução Industrial.

Mário Guerreiro insiste, como síntese de sua contribuição ao desenvolvimento de nossa Amazônia, um projeto Radam de sua biodiversidade. Por que sempre dizemos isso e o que ele quer dizer com isso? Projeto Radam foi uma intuição profética do Doutor Eliezer Baptista, nos anos 70, que mapeou nosso tesouro subterrâneo, com radares acoplados a aeronaves de última geração, capazes de radiografar o acervo mineral da Amazônia. Uma investigação que empolgou o mundo e deixou o Brasil boquiaberto com a riqueza da Amazônia. Sabe o que o país fez com isso? Pouco ou quase nada. 

O apelo do fundador do CIEAM, nos altos de seus 102 anos, segue pulsante em nossos corações e mentes, para mapear nossa biodiversidade, avaliar sua contribuição para a humanidade, e é o que temos buscado realizar no mutirão de pensadores e apoiadores que elaboraram Amazônia do Futuro. Trata-se de um conjunto de estudos, sugestões e trilhas, com decisivo apoio da FGV e das entidades da Indústria, para realizar a intuição visionário de nossos pioneiros e empreendedores. 

A utopia deles é a nossa utopia, a antecipação de uma realidade possível, na busca da prospecção de riqueza, no parâmetro da sustentabilidade, para colocar o Brasil no patamar das grandes civilizações. Isso se faz com qualificação de nossos recursos humanos e com parcerias internacionais para estruturar nossa região com instituições de classe internacional e cientistas de renome e credibilidade para juntarem-se aos cérebros que aqui atuam, num multidão de pesquisa, desenvolvimento e inovação para geração de saídas para a saúde do planeta, seu equilíbrio climático, segurança alimentar,  medicinal e dermocosmética.

A Ciência, com o conhecimento da diversidade biológica da Amazônia, vai ampliar, em parceria com a indústria e o empreendedorismo regional, alternativa da piscicultura e da fruticultura, produzidas no menor espaço com maior produtividade, graças aos recursos da tecnologia e nanobiotecnologia na floresta. 

O que significaria isso para o Brasil, senão a transformação do Amazonas na capital mundial da Bioeconomia da Sustentabilidade, para criar empregos e riqueza nacional. Foi com essa sua intuição original que se voltou para as fibras de juta e malva ­ de olho na Interiorização da economia ­ antes da chegada da Zona Franca de Manaus, nos anos 50, quando inaugurou a BrasilJuta, com seu parceiro, Adalberto Valle e a presença de Getúlio Vargas. Fibras naturais seriam o sucedâneo dos tempos perdidos com a falta de gestão do poder constituído para a perenidade do Ciclo da Borracha.

Nossos aplausos e gratidão perene a Mário Guerreiro e seus pupilos e seguidores. Aos novos e habituais parceiros do CIEAM, FIEAM, ELETROS e ABRACICLO, aos colaboradores na dinâmica diária da entidade, aos integrantes de nossa bancada parlamentar, enfim, a todos aqueles que acreditam no Amazonas, na Amazônia, como a grande saída para o nosso Brasil. 

(*) Wilson Périco é economista, empresário e presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas. 
Foto/Destaque: Divulgação

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