27 de janeiro de 2022

Toyota: Cidade Inteligente e Descarbonização – Parte 4

O artigo aborda sobre a Estratégia Básica do Hidrogênio adotada pelo governo Japonês e o que a Toyota está fazendo para usá-lo, a fim de ajudar o país a se tornar uma sociedade descarbonizada até 2050.

Em 2022, a tabela periódica completá 153 anos desde a sua criação em 1869 pelo químico Mendeleiev. Atualmente, a tabela conta com 118 elementos químicos e o hidrogênio (H) está no topo da tabela, número 1, sendo um dos elementos mais abundantes no universo. 

O hidrogênio é usado para diversos fins, sendo considerado um vetor energético viável. No Brasil, faz um bom tempo que especialistas chamam a atenção para a necessidade de pesquisadores, executivos de empresas e formuladores de políticas públicas unirem esforços para estudarem a utilização do hidrogênio como fonte alternativa energética, valendo a pena ler esse artigo básico <https://bit.ly/3tiadx5> publicado por Oliveira et al (2011) durante o XXXI Encontro Nacional de Engenharia de Produção.

Para mostrar a importância do hidrogênio na transição rumo a descarbonização do planeta, durante a COP26, a Cúpula de Líderes Mundiais, composta por 41 regiões que representam 70% do PIB mundial, endossou uma Agenda de Avanços com compromissos de metas firmadas até 2030, a fim de acelerar a inovação e o desdobramento de tecnologias limpas em cinco setores da economia: Energia, Transporte Rodoviário, Siderurgia, Hidrogênio e Agricultura. Infelizmente, o Brasil não foi representado devido ao desinteresse do Mito e Mourão, tanto é que o nosso país não figura entre os que participaram e assinaram esta importante Agenda <https://bit.ly/3qpwuWK>. 

A irresponsabilidade do presidente e de seu vice em não participar, nem se fazer representar nessa rodada de negociação, deixa nosso país com uma imagem péssima diante de investidores internacionais e deixa de trazer várias oportunidades para a população, já que ao alcançar os avanços esperados nesses cinco setores, os organizadores da COP26 estimaram que até 2030: a) seria possível apoiar a criação de 20 milhões de novos postos de trabalho; b) aumentar o PIB mundial em 4% a mais do que seria de outra forma. Além disso, até 2050, estimaram salvar anualmente, em todo o planeta, cerca de dois milhões de vidas, reduzindo pela metade as mortes prematuras associadas à poluição do ar quando comparado com 2020.

Por outro lado, entre as 41 regiões que assinaram essa Agenda de Avanços, está o Japão, país que em 2017 desenvolveu a Estratégia Básica do Hidrogênio <https://bit.ly/3tjbeVE>, a fim de ajudar o setor público e a classe empresarial a tornarem o país em uma sociedade descarbonizada, baseada no hidrogênio até 2050. Neste sentido, o Japão foi a primeira nação do planeta a adotar uma estrutura nacional para o hidrogênio. Neste documento oficial <https://bit.ly/3f9xyZH> o leitor tem acesso aos principais pontos da  estratégia japonesa: desafios, importância do hidrogênio, os cenários e as principais medidas que precisam tomar até 2050. 

Apenas para ilustrar, a quinta medida é usar o hidrogênio na mobilidade com as seguintes metas: 1) aumentar o número de veículos com células de combustível para 40 mil em 2020, 200 mil em 2025 e 800 mil em 2030; 2) aumentar o número de estações de hidrogênio para 160 em 2020 e 320 até 2025; 3) aumentar o número de ônibus com células de combustível em 100 até 2020 e em 1200 até final de 2030.

Essa estratégia nacional tem ajudado as empresas japonesas a alinharem seus investimentos, sendo possível entender os motivos pelos quais a Toyota elaborou seu plano de longo prazo, o Toyota Environmental Challenge 2050, bem como tem feito investimentos massivos para o desenvolvimento e lançamento de novos veículos e para a construção de uma cidade inteligente, conforme já explicado nos últimos 3 artigos <https://bit.ly/33lzlrN, https://bit.ly/3K1iWK0 e https://bit.ly/3K3wep8>.

Ao longo dos últimos anos, a Toyota tem desenvolvido várias soluções de mobilidade com uso de motores elétricos abastecidos com células de combustível de  hidrogênio, mas citarei dois casos:

1) Toyota FC Bus <https://bit.ly/3tdOdU5> testado em parceria com a Hino Motores e lançado para as vendas em 2018. O nome do veículo é SORA, cujo acrônimo S (Sky=Céu), O (Ocean=Oceano), R (River=Rio) e A (Air=Ar) representam o ciclo da água na Terra. Este ônibus tem capacidade para transportar 79 pessoas e cerca de cem deles rodaram nas Olimpíadas de Tóquio. Além de sustentáveis eles são inteligentes, capazes de se comunicar uns com os outros para economizar energia e agilizar deslocamentos. Eles podem ser usados como fontes de energia de emergência em caso de sinistros, oferecendo 235 kWh. E por dentro, os assentos se arrumam automaticamente quando não estão sendo usados, abrindo espaço para passageiros em pé ou carrinhos com criança;

2) Toyota Mirai <https://toyota.us/3qg9IBK> tem sido produzido no Japão desde 2014, foi o primeiro veículo da empresa movido à hidrogênio. Sua segunda geração já bateu seu próprio recorde em 2021, entrando para o Guinness World Records, após percorrer 845 milhas sem reabastecer. De acordo com a montadora, após encher o tanque em apenas 5 minutos, o sedã percorreu 1359,9 Km usando o  hidrogênio armazenado no reservatório.

O recorde foi monitorado de perto pelos auditores do  Guinness, entre 23 e 24 de agosto de 2021, e o Mirai (significa “Futuro” em Japonês) registrou impressionantes 64Km/litro, com apenas água como única emissão, conforme afirmou em nota o juiz da entidade, Michael Empric <https://bit.ly/3Kdy4En>.

Em Maio/21, a Toyota anunciou parceria com a ENEOS Corporation <https://bit.ly/3370yP6> para explorar a utilização e aplicação do hidrogênio na cidade inteligente Woven City. Entre outras coisas, o Acordo prevê o estabelecimento e a operacionalização de estações de recarga de hidrogênio, a produção do hidrogênio verde, condução de pesquisas avançadas sobre o fornecimento do hidrogênio na cidade, etc. 

Finalmente, enquanto 41 regiões do planeta estão focando na Agenda de Avanços rumo a energia limpa, quais os planos de longo prazo de nossas autoridades em relação a adotação do hidrogênio ou de outras fontes sustentáveis? 

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