China ameaça reduzir importações de óleo e soja

O governo chinês decidiu retaliar as restrições impostas pela Argentina às importações de produtos asiáticos. Funcionários públicos deram expressas orientações aos importadores para não comprar óleo de soja argentino. A medida oficial foi informada durante reunião da Câmara de Comércio para Importação e Exportação de Produtos Alimentícios, do Ministério de Comércio da China, segundo revelou um operador de uma companhia internacional que opera com os dois países. “Aconselharam-nos a não comprar óleo de soja da Argentina. É parte das medidas de represália”, disse o operador à imprensa local, após o encontro realizado na tarde de ontem. O boicote pode beneficiar as exportações do Brasil e dos EUA para o mercado chinês.
Se a China deixar de comprar óleo de soja argentino, o país vizinho reduzirá o volume de divisas e o governo vai deixar de arrecadar US$ 623 milhões em retenções – os impostos às exportações. As projeções são da consultoria Abeceb. Em 2009, 45% das exportações de óleo de soja (1.904.047 toneladas com receita de US$ 1.442 bilhão) foram para a China. A perspectiva para 2010 são de vendas de 2.313.698 toneladas de óleo de soja ao mercado chinês, o que representaria US$ 1.947 bilhão em divisas. Desse valor, o fisco arrecadaria os mencionados US$ 623 milhões, uma cifra maior do que a arrecadada no ano passado, que foi de US$ 461 milhões. Além do óleo, 72% dos grãos de soja exportados pela Argentina são destinados aos chineses.
Em princípio, as advertências de retaliações do governo chinês pareciam estar relacionadas com o conflito portuário argentino, que paralisou as exportações agrícolas durante 11 dias. Contudo, após o fim do conflito anunciado ontem, as informações detalhadas das fontes revelaram que a medida faz parte de uma estratégia político-comercial maior. Desde o fim de 2008 que a Argentina aplica uma série de barreiras comerciais aos produtos chineses. Nos últimos meses, o governo de Cristina Kirchner redobrou a aplicação de direitos antidumping a vários segmentos chineses. Por isso, surgiram as retaliações.
O óleo de soja argentino representa 77% das importações chineses desse produto. O restante, segundo a Abeceb, foi importado especialmente do Brasil e uma pequena porção dos EUA.
O analista argentino Gustavo Lopéz, da consultoria Agritrend, estima que o Brasil poderia aumentar sua participação no mercado chinês com a ausência da Argentina. No entanto, ele observa que o “Brasil tem atrasos no carregamento nos portos em Paranaguá”. Os problemas estruturais brasileiros, continua ele, poderiam impedir o cumprimento dos prazos dos contratos. “Essa situação pode levar os chineses a comprar mais soja norte-americana do que brasileira”, estimou.

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