Cheias geram alta nos preços

Menos de uma semana após a cheia do rio Negro atingir a marca recorde de 29,78 metros, a Sempab (Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento) alerta para o aumento nos principais produtos regionais –cultivados em áreas de várzea (terrenos localizados às margens do rio e vulneráveis a enchentes). O consumidor deve sentir os reflexos do fenômeno natural nas prateleiras até o final de julho.
De acordo com o secretário da Sempab, Rogério Vasconcelos, a tendência é que os preços variem nos próximos meses, mas afirma que nem todas as culturas serão prejudicadas. O setor de hortaliças, por exemplo, permanece estável e não sofre alteração. “As perdas se deram às margens do rio Negro e são esses alimentos que ficarão mais caros”, adianta.
Segundo o representante, a maioria dos agricultores e pecuaristas do Amazonas produz nos arredores dos rios e, por isso, são vítimas direta do comportamento das águas. As principais safras afetadas foram banana e mandioca, mas a colheita de batatas, cará, mamão e maracujá também não deve resistir até o final da cheia. O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, adianta que essas e outras culturas só serão retomadas a partir de setembro.
Com o prejuízo calculado em R$ 35 milhões na produção rural, Lourenço lamenta o prenúncio de que a alternativa do comércio será investir em produtos de outros estados. “Lutamos tanto para inserir nossa produção no mercado local e agora não temos como abastecer o estado”, diz. A opção é importar de Boa Vista ou Porto Velho.
Enquanto o consumidor lamenta a inflação sobre os vegetais regionais, Vasconcelos comenta sobre a possibilidade de a carne chegar mais barata nos mercados do Estado. “Assim como as plantações, os pastos também alagaram”, explica Vasconcelos, “e o pecuarista se vê obrigado a repassar seu rebanho por um preço mais baixo que o habitual”.
No entanto, o secretário destaca que não pode afirmar que os supermercados e açougues repassarão o desconto para o consumidor. “Sabe-se que a carne está sendo repassada para o comércio com preço abaixo do previsto pelo mercado, mas não podemos prever a conduta dos empresários”, diz.

Marca recorde

O CPRM (Serviço Geológico Brasileiro) alerta para a enchente –que já tomou 83% do Estado e deixou três municípios em calamidade pública (Anamã, Barreirinha e Careiro da Várzea). “As cotas podem atingir números ainda maiores”, adianta o chefe de Hidrologia, Daniel Oliveira.
Atualmente, o rio tem subido cerca de 2 centímetros por dia. Caso o comportamento se mantenha até meados de junho (quando a enchente marca seu ponto mais alto), a cota pode chegar a 30,38 metros –o que ultrapassa em 61 centímetros o pico de 2009.

Olarias comprometidas

Além da agricultura e pecuária, o setor oleiro confirma crise no município de Irandura (localizado a 27 quilômetros de Manaus). Devido aos prejuízos –que já ultrapassam a marca de R$ 5 milhões–, o preço do tijolo pode subir 30% nos próximos meses.
Com a produção comprometida em 50%, a presidente do Sindicato das Indústrias de Olarias do Amazonas, Hyrlene Ferreira, conta que 90% das fábricas estão localizadas às margens do rio e, por isso, todo o setor contabiliza perdas.

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