Cheia preocupa setor de navegação no Amazonas

As cheias dos rios têm preocupado o setor de navegação. Com elevação no nível das águas, existe a necessidade de redução no número de cargas transportadas, em especial nas localidades mais afetadas pela enchente, reduzindo o poder de compra das famílias ribeirinhas e a capacidade de produção, além do impacto das embarcações na vida dos ribeirinhos ao navegarem próximo às áreas comprometidas. 

De acordo com o conselheiro do Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas) e empresário do setor de navegação, Dodó Carvalho, as embarcações precisam reduzir a sua velocidade para que não cause um transtorno maior a essas famílias. “Corre o risco do banzeiro desses barcos arrancarem assoalho das casas danificando o restante que a cheia ainda não ocasionou. É mais uma preocupação que a gente acaba precisando navegar com maior redução e consequentemente demora mais o tempo de viagem sem contar que no rio cheio a correnteza é ainda maior, então subindo o rio nós temos um aumento de consumo”. 

Carvalho diz que todo esse reflexo impacta ainda  no gasto maior do diesel e que desde o ano passado o dia a dia das empresas de transporte fluvial está bem complicado. “Em função dos decretos, das medidas de restrições e com as atividades suspensas e sem conseguir levar passageiros dificultou muito. Hoje, estamos operando com a capacidade reduzida, mas os municípios estão sofrendo com a enchente o que nos deixa mais preoupados”. Conforme Dodo, são várias situações que impactam no resultado das empresas e isso é uma preocupação para todo setor  porque tem hora que as empresas não conseguem aferir resultados – na outra ponta, elas não conseguem dar uma boa manutenção nas embarcações fazendo com que essas não estejam adequadas ou no padrão elevado de qualidade para prestar um bom serviço”.

Mudança na navegação na cheia impacta no gasto maior do diesel 
Foto: Divulgação

Ele reforça que a economia do interior está tão afetada que não cabe repassar custos mais altos nos valores das mercadorias, mas que no preço do combustível é diferente aumento porque é preço internacional que regula muito mais o aumento da mercadoria é a inflação. Eu não acredito que pela variável do transporte o valor da mercadoria vá subir”.

Esta semana a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) divulgou dados sobre a movimentação de cargas fluviais no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Menor fluxo de cargas 

O Amazonas apresentou queda de 75% na movimentação de cargas fluviais no primeiro trimestre deste ano. O resultado negativo é reflexo da pandemia da Covid 19, segundo o Sindarma (Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas).

“A queda de consumo causada pelo lockdown, a pandemia, desestruturou tudo por isso a queda brusca no número de cargas em geral. Agora que começa a reabrir e ainda tem algumas cidades em estado crítico”, atribui  a presidente do Sindarma, Jéssica Sabbá

Segundo o levantamento da Antaq, de janeiro a março de 2021, o Amazonas contabilizou mais de 1,9 milhões de toneladas, entre cargas desembarcadas e embarcadas no Amazonas. No trimestre do ano anterior, o volume de produtos movimentados pelo estado chegou a 7,8 milhões de toneladas.

De acordo com a representante do Sindarma, a pandemia impactou todos os setores e o transporte de cargas fluvial não foi diferente. “É uma reação em cadeia e o grande impacto desse ano foi a crise causada pela Covid 19”.  Ela complementa que a escalada no número de casos da doença e a gravidade vivenciada  no cenário local em relação à segunda onda trouxeram efeitos negativos para o segmento. 

Ela reitera que a redução no número de cargas afetou todo país, o que fez  o movimento nos portos reduzir. Para a presidente do Sindarma, a vacinação é o caminho para minimizar o baque sofrido pelo setor. Ela lembra que ainda este mês todos os profissionais do segmento de transportes serão contemplados com a imunização, o que deve trazer mais segurança às atividades. 

Foto/Destaque: Divulgação

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