Cheia já afeta 140 lojistas

O número de lojistas afetados com a cheia já chega a 140 somente no Centro. Destes, 40 viram-se obrigados a fechar as portas. Segundo dados apresentados pela CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), os empresários que foram afetados pela enchente podem ter até 50% dos lucros previstos para a temporada perdidos ainda no final do primeiro semestre.
“O lojista da capital perde duas vezes. A primeira, quando se vê alagado e sem clientes; a segunda, quando precisa revender para o interior e não pode –porque o comerciante no interior também já teve prejuízos”, explica o presidente da entidade, Ezra Benzion.
A exemplo da medida do Condel da Sudam (Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) –que ampliou os prazos de pagamentos para financiamentos e tributos para produtores e empresários prejudicados com a cheia no interior–, o governo prorroga para agosto o pagamento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para os comerciantes que sentem-se afetados com a cheia em Manaus. “As taxas referentes a maio e junho devem ser cobradas no primeiro trimestre do segundo semestre”, afirma o secretário da Sefaz-AM (Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas), Isper Abrahim.
Embora não seja possível abortar a cobrança, Abrahim destaca que a secretaria já avalia uma maneira eficaz de não cobrar dos comerciantes taxas adicionais como multas, juros ou correção monetária. “Essa iniciativa vem para contribuir”, diz.
A prioridade é assistir as lojas situadas nas ruas interditadas do centro da capital –rua Barão de São Domingos, dos Barés e rua Marquês de Santa Cruz. O atendimento será feito pessoalmente por técnicos da Sefaz, que irão aos estabelecimentos pré-cadastrados pelas representações comerciais (os donos das empresas têm até o dia 26 deste mês para se cadastrarem na secretaria).
O presidente da ACA, Gaitano Antonaccio, afirma que é impossível mensurar o número de demissões decorrentes da cheia na capital. “Qualquer quantitativo seria aleatório até o momento”, destaca e aponta que desemprego ainda não é o maior problema. Sobre os lojistas que interromperam as atividades, o representante lamenta. “Eles foram obrigados a fechar as portas! Além de terem perdido tudo, a água não permite o acesso”.

Feirantes voltam ao trabalho

Os setores de carne e pescado da Feira Manaus Moderna foram totalmente alagados e a Sempab (Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento) prevê que novas barracas de madeira abriguem os feirantes a partir da próxima segunda-feira (21).
O investimento será de R$ 624 mil e 240 barracas serão construídas ao lado de onde a feira funciona, na avenida Lourenço Braga, Centro. As madeiras escolhidas para a construção foram tintarana, cupiúba e tauari. Para manter a higiene e a qualidade dos alimentos, a transferência dos produtos deve ser feita em caminhões refrigerados ainda neste fim de semana.
De acordo com a estimativa do CPRM (Serviço Geológico do Brasil), a cheia deve ultrapassar em 60 cm a área atingida da Manaus Moderna. Por isso, o próximo passo é transferir também esses segmentos.
Até agora, o investimento em madeira para construção de marombas e pontes na capital amazonense ultrapassa R$ 2 milhões.

Volume de vendas surpreende em março

De acordo com pesquisa divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (17), o volume de vendas de março superou as expectativas do mercado em Manaus. Além de elevar o acumulado de 2012 para 5,61% com a marca mensal de 4,4%, o trimestre ela a receita anual para 8,5% – apenas 0,3% abaixo da marca de dezembro de 2011.
Segundo o assessor de economia da Fecomércio/AM, José Fernando Pereira da Silva, março não é um mês em que historicamente o comércio fature. “Por se tratar de um mês sem feriados seguido de uma temporada em que se consome muito”, explica.
Com os prejuízos amargados com as cheias no último mês, o saldo positivo de março pode contribuir para que os números do primeiro semestre não sejam tão negativos. “A economia não está como esperávamos e um mês com alto faturamento pode compensar o que vem por aí”, adianta.
Embora o primeiro trimestre seja marcado pela baixa nos índices, o comércio varejista ampliado –que soma o setor de materiais de construção e de venda de veículos– fechou março com a variação positiva de 7,29% em relação à mesma temporada, em 2011.

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