Cheia impulsiona alta na cesta básica

O prejuízo enfrentado com a cheia dos rios no interior do Amazonas resultou na elevação de 14,71% do valor final da farinha em abril. O fato contribui mais uma vez para que a capital amazonense seja indicada com a terceira cesta básica mais cara do país. Os dados são do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Além da farinha, tomate, feijão e manteiga aumentaram entre 9%, 18% e 6,53% no último mês.
O custo da cesta básica de Manaus no último mês foi de R$ 267,19, o que representa o aumento de 3,80% em relação a março. Contendo 12 itens alimentícios (carne bovina, leite, arroz, feijão, farinha, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga), o valor anterior era de R$ 257,41. Na mesma época, em 2011, era possível adquirir uma cesta básica com R$ 257,41.
O Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas) já havia apontado –em levantamento de perdas parciais– a cultura de mandioca como a mais afetada com as enchentes, amargando o prejuízo de R$ 13.601.160 até o dia 3 deste mês. Com a perda da produção agrícola, os preços tenderam ao aumento.
De acordo com a supervisora técnica do Escritório Regional do Dieese, Alessandra de Moura Cadamuro, a farinha sofreu alta de preço em todos os Estados do Norte e Nordeste do Brasil. “O comportamento foi geral e acredito que isto também tenha ocorrido em 2009, com a cheia que marcou aquele ano”, comenta.
Entre os alimentos cultivados no Estado, a banana também encarou o impacto de 3,17% a mais do que o preço oferecido no mercado em março. Com prejuízo estimado em 1,7 milhões de cachos perdidos (o que equivale a R$ 6,8 milhões), o presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, diz que preços podem aumentar ainda mais no próximo mês.
Embora o Amazonas também conte com produção da fruta em terra firme, Lourenço torce para que a intervenção no aumento do preço que chega ao consumidor não seja necessária. “Com a queda da oferta, o preço da banana –assim como da farinha– pode continuar subindo”, diz, referindo-se à inflação de demanda que marca a temporada.

Itens aumentados

Tendo como exemplo uma família composta por quatro pessoas (sendo elas dois adultos e duas crianças), o valor mensal do conjunto de produtos alimentícios essenciais (utilizando os preços de mercado de abril) foi de R$ 801,57. O aumento foi de R$ 29,34 em relação a março de 2012. A cesta básica teve alta em 15 das 17 capitais avaliadas pelo Dieese.
Depois da farinha (que aumentou 14,71% em relação ao mês passado), vem o tomate (com alta de 9,18%), feijão (8,14%), manteiga (6,53%), banana (3,17%), açúcar (3,14%), leite (2,36%), arroz (2,12%), óleo (2,02%) e pão (1,4%). Somente o café e a carne sofreram queda no preço de mercado, com -1,24% e -0,69%, respectivamente.
Segundo Cadamuro, tanto o feijão quanto o tomate aumentaram em todo o país. “Nestes e nos outros casos da lista, o que prevaleceu foi a questão climática”, explica, apontando para a seca que tomou conta de Estados como a Bahia durante a época de plantio do feijão, por exemplo.

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