Cheia amplia prejuízos em todo o Amazonas

Faltando dois meses para o período anunciado como o de maior cheia do rio Negro –de acordo com a previsão do CPRM (Serviço Geológico Brasileiro)–, municípios no interior do Estado e capital já mensuram prejuízos e buscam alternativas de amenizar novas perdas. Em 2009, os danos ultrapassaram a marca de R$ 380 milhões.
Enquanto lojistas na rua dos Barés temem reviver os momentos amargos de três anos atrás, produtores rurais na Boca do Acre (localizado a 1.028 km de Manaus) lamentam o caos infiltrado no município –maior atingido, até o momento, com as cheias no estado. Segundo informações cedidas pelo gerente da unidade local do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas), Ney de Freitas Assis, os prejuízos já são de mais de R$ 14 milhões.
Mandioca, banana, laranja, coco, gado e a criação de animais de pequeno porte estão entre os artefatos que contabilizam 90% de perda para o município, vítima da enchente do rio Acre. Calcula-se que aproximadamente 2.494 famílias tenham sido afetadas.
Para Freitas, a situação está sob controle e o processo de recomposição da área já começou. “O governo já embarcou sementes de hortaliças e os produtores já começaram a plantar”, afirma.
Com a retomada das atividades econômicas, já se fala em reembolso e renegociação de financiamentos feitos junto à Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas). Do mesmo modo, a Sepror (Secretaria de Produção Rurual) anuncia que os projetos pós-enchente incluem crédito emergencial, aluguel de balsas para transporte de animais das áreas alagadas, distribuição de sal mineral e ração.

Crise em Manaus

No total, já são 39 cidades, incluindo Manaus, em situação de emergência. Por aqui, os comerciantes têm preocupações que vão além das questões financeiras. De acordo com o empresário Mário Thomas de Oliveira, que tem um ponto comercial na rua Barão de São Domingos (vítima precoce das águas no centro da cidade), o aparecimento de ratos e insetos representa risco para seu estoque. “Embora tenhamos conseguido remanejar a posição dos produtos, é desconfortável lidar com essas pragas”, lamenta.
Com 12 bairros já invadidos pela água dos rios, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), Ralph Assayag, diz que acredita que, embora os prejuízos apontem para um percentual menor do que o atingido em 2009, eles não poderão ser impedidos. “O que podemos é amenizá-los, mas não há como evitar o afastamento do consumidor aos pontos alagados, por exemplo”, explica.
Com o objetivo de amenizar as perdas no centro da cidade, Assayag adianta que o governo do Estado já se prepara para a construção de passarelas que permitam o acesso às lojas. Os comerciantes também estão se esforçando. “Hoje mesmo soube de empresários que construíram barreiras com pedras e sacos de areia de até 1 metro de altura na porta de seus estabelecimentos”, conta. Vale tudo na hora de movimentar as vendas.

Abastecimento no interior

A dificuldade de acesso prejudica não somente as vendas na capital. O comerciante do interior é duplamente anulado, uma vez que os mesmos dependem do fornecimento de Manaus para suprirem as necessidades de seus respectivos municípios. “Se não há abastecimento, não há consumo”. Além dos preços, que tendem a subir para aqueles que conseguem fornecedor. “Diante da dificuldade para alimentar seu comércio, o valor cresce”, diz.
Por outro lado, o representante da CDL–Manaus comenta sobre a falta de recursos financeiros do habitante do interior. Com sua plantação inundada, não há dinheiro para movimentar o mercado. “A questão mais preocupante é mesmo nos municípios mais distantes, que perderam sua fonte de renda”, aponta.

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