Cheia ainda compromete varejo de Manaus

Mesmo sinalizando o início do  processo de vazante do rio Negro os comerciantes da região central de Manaus não estimam um cenário favorável para as vendas. A cheia trouxe prejuízos que acarretam em perdas de mais de 50% para empresários que atuam no Centro da cidade. Um levantamento diário com dados mais recentes realizado pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus) dá conta que 310 estabelecimentos foram afetados de alguma maneira pela cheia. 

Em conversa com alguns empresários do segmento, o presidente da Aca (Associação Comercial do Amazonas), Jorge Lima, afirma que a descida das águas não reflete na melhoria das vendas no comércio e nem vislumbram um cenário favorável para este mês. “A nossa perspectiva para o mês de julho não é boa porque nós estamos na primeira semana do mês e esse processo de descida das águas demora o que impede o comércio de faturar. Além disso, no mês de junho além do nível alto do rio Negro o comercio no Centro ainda enfrenta onda de criminalidade o que contriubui para afatar os consumidores”. 

Ainda conforme o relatório da CDL-Manaus, são 175 lojas atingidas pela água; 84 estabelecimentos estão funcionando com pontes, plataformas de madeiras e muros de contenção instalados pela prefeitura; 51 lojas suspenderam as atividades.

Mário Ferreira está entre o grupo de empresários que fechou as portas durante esse período. Ele contabilizou prejuízos acima de 50% somente em mercadorias. “Fora os gastos para conter o avanço das águas no meu estabelecimento. Investi mais de R$ 5 mil em materiais”. Questionado quando pretende retomar as atividades ele comenta que não tem previsão e enfatiza que vai demorar para se reerguer e recuperar as perdas. “Fomos bastante afetados. Não tenho ideia de como vai ficar essa situação e nem como o setor vai reagir nos próximos meses”, declarou o empresário. 

Descida das águas traz previsão positiva 

Na análise do presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag, é preciso cautela para ter um prognóstico de melhoria para o setor. Segundo ele, a expectativa a princípio é boa porque o segundo semestre é sempre melhor, ainda mais com os resultados de queda no número de mortes em razão da Covid 19. “Se continuar dessa forma, não ultrapassando a mortalidade de 10 pessoas ao dia vai trazer certa tranquilidade porque aumenta a capacidade da indústria e a capacidade do comércio de se reinventar também cresce”. Ele espera que a velocidade das águas desça num percentual de 4 a 5 centímetros por dia trazendo em dez dias bons resultados e alcançando 27m a água nível satisfatório para que a área do Centro permita melhor acesso ao comércio. “Eu acredito num segundo semestre positivo e que ultrapasse os resultados do ano passado que foi muito ruim é possível até que o primeiro trimestre que estávamos fechados consiga superar isso tudo”.

O empresário do varejo e também presidente da Assembleia Geral da Aca, Ataliba Filho, comenta que a estiagem está sendo aguardada por todos e que o comércio de orla que tradicionalmente interage de maneira significativa com o interior do Estado já experimenta uma pequena melhora. “As linhas de crédito e a ajuda aos que foram atingidos pela cheia estão permitindo que a atividade comercial voltada para o interior do Estado permaneça ativas”. Ele diz que a expectativa é a retomada das atividades do interior, o que irá proporcionar emprego e renda ao nosso interior ano já sofrido pela grande cheia e consequentemente aquecer o tecido socioeconômico consolidado ao longo dos anos.

Vazante é lenta e gradual

De acordo com o SGB – CPRM (Serviço Geológico do Brasil), após atingir 30,02 metros e superar a maior cheia de toda a história, o nível do rio Negro, em Manaus, já apresenta descida. Nesta quarta-feira (7), o rio Negro marca 29,83 m o que indica um processo lento em relação a avazante.

Luna Gripp, pesquisadora do Serviço Geológico do Brasil, explica que o processo de vazante é caracterizado quando o nível da água desce ao longo de vários dias, durante um intervalo de tempo que é específico para cada rio. No caso de Manaus, não foi possível afirmar que a vazante começou no primeiro momento em que o rio desceu, porque pequenas variações de nível podem ser causadas por incertezas associadas à medição, como banzeiros, ou flutuações próximas às réguas de leituras, ou aos equipamentos automáticos. “A descida de um centímetro não é suficiente para saber que o rio vai continuar baixando: é preciso magnitude e constância na descida do nível”, explica Luna Gripp. Para determinar o processo de vazante, não existe um valor específico de descida dos níveis, pois trata-se de uma análise qualitativa.

Ela complementa que em Manaus, o rio vem descendo há vários dias e já baixou 15cm, tornando possível a afirmação de que o processo de vazante realmente se iniciou. No dia 16 de junho, o rio Negro atingiu os 30,02m após passar 8 dias estabilizado na marca histórica de 30m. A subida não foi considerada um repiquete, já que aconteceu devido a uma chuva específica, de magnitude muito acima do esperado, observada nos dias 13 e 14 de junho, em uma grande área das bacias dos rios Negro e Solimões. Portanto, já era previsto que após o efeito dessa chuva, os rios retomassem seu processo de descida.

Por dentro

O nível do rio Solimões, em Manacapuru (AM), na segunda-feira (5), marcava 20,69m – o pico foi de 20,86m. Em Itacoatiara (AM), o rio Amazonas atingiu o pico da cheia de 2021 aos 15,21m no dia 31/05, e hoje se encontra em 14,91m. Mesmo com o princípio do processo de descida das águas, as cidades ainda continuam com níveis acima da cota de inundação severa. Como em seu princípio a vazante é lenta e gradual, os efeitos da inundação não se encerram logo que o rio começa a descer. 

Foto/Destaque: Divulgação

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