Cheia afeta turismo no Amazonas

A enchente que afeta comerciantes no centro de Manaus e produtores no interior do Estado também deixa gerentes de hotéis de selva em alerta. Fenômeno natural que ocorre todos os anos na região, as cheias do rio Negro em 2012 já produzem reflexos negativos em vários setores da economia local e atingem até o turismo na Amazônia.
De acordo com a presidente da Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas), Oreni Braga, nem todos os segmentos do turismo podem sofrer prejuízos. Atividades como a pesca esportiva, cruzeiros e passeios feitos na capital não são afetados. Embora os impactos não sejam de alto comprometimento, preocupam a representante.
“As comunidades de base ecoturística que se localizam em áreas de várzea, os hotéis de floresta que têm edificações fixas e que se localizam em áreas sazonais”, aponta os principais prejudicados, além dos municípios que têm seus portos submersos.
Construído sobre palafitas de madeira, o Ariaú Amazon Towers registra o mesmo numero de clientes do mesmo período no ano de 2011 e a expectativa é de fechar o semestre empatado com o ano passado. Isso será possível mesmo com todo o 1º pavimento inundado, 56 apartamentos no total. O hotel está operando com três andares por módulo habitacional. “Já vínhamos realizando obras para reparar possíveis transtornos”, comenta o diretor-executivo do empreendimento, Ribamar Mendes.
Da recepção, a assistente da diretoria do Amazon Eco Park, Virgínia Rugnitz, consegue ver a água se aproximar. Localizado às margens do rio Tarumã, o empreendimento continua recepcionando grupos de brasileiros e estrangeiros (em especial, russos) nos últimos meses. De acordo com ela, os 64 apartamentos distribuídos entre 20 bangalôs de madeira e um de alvenaria estão contabilizando tantas reservas quanto em 2011.
Das quatro piscinas naturais, três foram totalmente tomadas pelas águas. O que, segundo Virgínia, só deixa o lugar mais bonito. “Nossa sala de eventos, por exemplo, parece estar flutuando à noite por causa do rio ao redor”, diz.

Benefício para poucos

A diretora de Receptivo da Abavam (Associação Brasileira das Agências de Viagem no Amazonas), Maria da Glória Santos Reynolds, diz que o período de cheia beneficia canoeiros, no sentido que possibilita o turista a conhecer a floresta de barco e visitar pontos que são bloqueados na seca. “A maioria dos hotéis de selva prefere enfrentar a enchente a conviver com a seca do final do ano”, afirma.
Apesar da cheia deste ano estar prestes a superar a marca de 2009 –quando o rio Negro atingiu 29,77 metros-, a executiva de contas do Amazon Jungle Palace, Grace Cavalcante, concorda e aponta para as dificuldades de logística, que é inteiramente comprometida. “Os barcos não conseguem ancorar no píer e precisamos de canoas para transportar desde mantimentos até os hóspedes”, explica.
Para Cavalcante, o mais importante é conscientizar o turista de que a cheia não representa perigo para a sua viagem. “Estamos preparados para trabalhar tanto na cheia quanto na seca. Não manteríamos as portas do Jungle Palace abertas caso não tivéssemos estrutura para isso”, destaca.
“O importante é que o turista que vem ao Amazonas na época da cheia vive um cenário oposto ao da época da seca. Portanto, de alguma forma isso também é positivo para o turismo ecológico”, diz Oreni Braga.

Resort fechado

Interromper o funcionamento foi a alternativa escolhida pela direção do Tiwa Amazonas Ecoresort. Construído às margens do rio Negro, é um dos hotéis de selva mais afetados pela variação do nível das águas. Se em dezembro o resort ganha uma praia particular de 150 metros de comprimento; no período de cheias, as águas invadem as dependências do hotel sem pedir licença. Por isso, desde o dia 10 de maio o Tiwa não recebe hóspedes.
Com uma área total de 4 quilômetros quadrados, foi preciso construir um muro de proteção de 2,7 m de altura para inibir a chegada das águas. O setor de reservas informou que ainda não há previsão de quando retomarão as atividades. Em quase dez anos desde a inauguração, é a primeira vez que o Tiwa Amazonas Ecoresort deixa de funcionar por causa da enchente.

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