Cesta básica sobe 0,27% e deixa Manaus entre as quatro cidades mais caras do país

O preço da cesta básica em Manaus acompanhou a pesquisa dos meses anteriores e subiu 0,27% em janeiro, passando a R$ 216,53, comparado com dezembro do ano passado (R$ 215,94). Os maiores impulsionadores da alta da cesta foram açúcar, banana prata e farinha de mandioca. As informações foram divulgadas ontem, pelo Dieese/AM (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos do Amazonas), que apontou Manaus como a cidade detentora da quarta cesta básica mais cara do país.

Composta por 12 produtos, a cesta básica de Manaus caiu 5,15% no acumulado dos últimos 12 meses. No período, carne bovina, leite e tomate caíram, juntos, 61,60%. No primeiro mês de 2010, as quedas mais acentuadas foram sentidas no leite (-1,66), feijão (-1,67%) e óleo de soja (-3,66%). Porém, o declínio no custo mensal do produtos não foi suficiente para manter ou reduzir o preço da cesta básica. A alta de 8,88% anotada no açúcar, os 4,61 pontos percentuais da banana prata e 3,95% da farinha de mandioca aumentaram a gama de produtos, segundo o governo federal, essenciais para manter bem alimentada, por 30 dias, uma família composta por dois adultos e duas crianças.

A supervisora-técnica do Dieese/AM, Alessandra Cadamuro, explicou que o crescimento do nível pluviométrico (quantidade de chuvas) em São Paulo, maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil, afetou a atual safra, que não pôde ser usada para fabricação de açúcar. “Quando a cana recebe muita chuva fica aguada, como dizem os produtores, e isso impede a produção de açúcar, restando ao agricultor vender o produto para as usinas de etanol”, explicou.

Até o final da primeira quinzena de janeiro, a moagem de cana na região Centro-sul do país, desde o início da safra 2009/10, superou 527 milhões de toneladas. Mesmo em condições climáticas desfavoráveis, foram produzidas 28,3 milhões de toneladas de açúcar e 22,9 bilhões de litros de etanol, informou a assessoria de imprensa da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

As cifras apuradas pela Unica até a primeira quinzena de janeiro foram inferiores ao planejado pelas unidades produtoras no início da safra. Em condições normais, a moagem de cana-de-açúcar poderia ter alcançado 580 milhões de toneladas. Com isso, a produção de açúcar ultrapassaria 33 milhões de toneladas e a de etanol seria superior a 27 bilhões de litros. Desde julho de 2009, o andamento da safra passou a ser fortemente prejudicado pela incidência de chuvas, resultando na redução da oferta em mais de 4 bilhões de litros de etanol e 5 milhões de toneladas de açúcar.

Salário mínimo deveria valer R$ 1.987,26, calcula Dieese

O salário mínimo brasileiro passou de R$ 465 para R$ 510 em janeiro, apresentando crescimento 9,68%, com ganho real de 6,02%, descontando 3,45% do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e aumentou o poder de compra do trabalhador.
Mesmo com um leve aumento no custo da cesta básica comparando com dezembro de 2009, um trabalhador remunerado com um salário mínimo comprometeu, em janeiro, 46,15% do rendimento mensal com a alimentação. Retirados os 8% referente à contribuição previdenciária e o pagamento da cesta, resta apenas R$ 252,67 para uma família de quatro pessoas gastar com moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência social.

Para garantir a manutenção de todas essas despesas necessárias a uma família, o salário mínimo deveria ser R$ 1.987,26, tendo como base a cesta mais cara (R$ 236,55), verificada na cidade de Porto Alegre (RS). A alimentação básica de uma família manauense custa R$ 649,59 por mês, segundo o relatório do Dieese. Este valor equivale a 1,27 vezes o salário mínimo bruto.

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