Cesta básica local tem alta de 5,04%

O custo da cesta básica de Manaus sofreu aumento de 5,04% elevando o valor para R$ 323,22 em janeiro, na comparação com dezembro de 2013 quando custava R$ 307,71. Com a elevação do preço a capital amazonense passou a ocupar o 3º lugar no ranking das cestas básicas mais caras do país. O tomate voltou a ser o principal vilão da cesta, com alta de 29,03% no mês. O quilo do produto chegou ao preço médio de R$ 6,89. Segundo dados da pesquisa realizada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada na quinta-feira (6), em 12 meses o aumento foi de 7,12% sobre R$ 301,73, custo da cesta básica em janeiro do ano anterior.
De acordo com o supervisor técnico do escritório regional do Dieese no Amazonas, Inaldo Seixas, a cesta básica de Manaus em janeiro apresentou um aumento considerável de preço, diante da alta nos preços do Tomate 29,03%, Arroz 4,46%, Manteiga 3,24%, Banana Prata 2,44% e da Farinha de Mandioca 0,3%.
“Este é um dos maiores aumentos registrados na pesquisa do custo da cesta básica de Manaus. Tal fato se deve, basicamente, ao aumento de cinco produtos. O tomate contribuiu com mais força quase 30% no seu preço médio. Outros cinco produtos baixaram de preço, mas não foi suficiente para equilibrar o custo em janeiro”, informou.
Inaldo Seixas avalia o comportamento dos preços dos 12 itens que compõem a cesta básica tendo como principal causa as chuvas e o verão intenso, resultando em clima prejudicial ao processo de plantio e colheita das safras no final de 2013 e no início de 2014.
“O problema volta a ser a climatologia nas regiões produtoras, como no Espírito Santo, por exemplo, onde as grandes chuvas prejudicaram a safra forçando a alta do preço da cesta básica de Vitória. Que ficou em primeiro lugar com a cesta mais cara entre as 18 capitais onde a pesquisa é realizada”, conclui.
Segundo Seixas o poder de compra sofreu um ‘aperto’ com o custo da cesta básica para uma família manauara de quatro pessoas (2 adultos e 2 crianças), foi de R$ 969,66 no mês, sendo necessário 1,34 salário mínimo de R$ 724, apenas para atender as necessidades do trabalhador e sua família com alimentação no período de 30 dias. “O trabalhador compromete quase 50% do seu salário líquido com item alimentação, daí o aperto no poder de compra do indivíduo”, alertou.
O tomate foi o produto com a maior alta no mês de janeiro. A oferta do fruto é muito sensível ao clima e, por isso, há muita oscilação no preço. Segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), para a safra 2013/14, espera-se uma área de cultivo maior, entretanto a escassez de mão de obra no campo tem sido um fator limitante. Com o crescimento da área pouco significativo e a previsão das chuvas abundantes no verão, a oferta não deve aumentar muito encarecendo o preço do produto. Nos últimos 12 meses o tomate acumula uma variação de 13,88% e nos últimos 62 meses chegou a uma alta de 91,92%.
Segundo Ilmar Borchardt, gerente do Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural), existe uma grande dinâmica na movimentação do tomate por causa das diferentes épocas de produção no Brasil, distâncias em relação aos centros consumidores e as mudanças próprias de mercado com o produto perecível.
“Nesta época do ano, cerca de 40% do tomate é comercializado nas Ceasas (Centrais de Abastecimento S.A.). O preço do tomate varia bastante, por se tratar de produto de vida curta. Não há um comportamento sazonal nesses preços”, explicou.
Borchardt ainda disse que em novembro do ano passado, custava R$ 30 a caixa de 20 kg de tomate, “hoje chega a R$ 40 dependendo do tipo”. Apenas a metade da produção de tomate é comercializada in natura. Parte é processada em massa de tomate, catchup e outros derivados.
Sobre os demais itens a Conab informou que as chuvas frequentes em várias regiões produtoras prejudicaram algumas lavouras que produzem durante a temporada de primavera/verão, também afetando, a qualidade dos produtos.

Produtos a preços baixos no Feirão da Sepror

Os itens da cesta básica de Manaus são quase 10% mais em conta no Feirão da Sepror (Secretaria de Estado da Produção Rural). O projeto foi criado para que o produtor rural comercialize sua produção, direto ao consumidor. Esse trabalho tem sido possível através dos Feirões da Sepror que funcionam no Parque Eurípedes Lins, zona Norte e no Ifam (antiga escola Agrotécnica), na zona Leste da cidade.
Segundo o coordenador do Feirão da Sepror e Chefe do Daoc (Departamento de Apoio à Organização Comunitária), Ribamar Matos, boa parte dos produtos apontados na cesta básica do Dieese pode ser encontrada nos Feirões a um preço muito mais baixo. Carne, farinha, tomate e banana prata são quase 10% mais baratos nos feirões da Secretaria se comparados com os valores dos itens da cesta básica.
Na avaliação de Ribamar, a diferença no valor dos itens reforça que, comprar direto do produtor é mais negócio para o consumidor final. “O Feirão da Sepror extinguiu a figura dos atravessadores e, por isso, os preços são mais baratos”, garante.
O secretário de Produção Rural, Eron Bezerra, afirma que é preciso analisar com cuidado quais, realmente, são os itens da cesta básica dos amazonenses. “O modelo do Dieese é uma forma aplicada em diversas cidades brasileiras, temos que levar em conta os itens regionais que mais estão presente em nossa mesa”, alerta.
Nos Feirões da Sepror, o consumidor encontra alguns destes itens a preços mais baixos, é o caso do açaí vendido a R$ 4 o litro, entre outros produtos, estão a batata ao custo de R$ 3,50 o quilo e a cartela de ovos (48 unidades) a R$ 7. O peixe também é o outro produto que não aparece na cesta básica do Dieese, mas que é um dos principais itens da alimentação do amazonense. Nos Feirões da Sepror este produto pode ser encontrado a preços mais baratos.
A Secretaria também trabalha com o projeto do Peixe Popular onde comercializa o pescado em caminhões específicos do programa a preços que variam de R$ 2,00 a R$ 5,00 (a dúzia). Entre os peixes comercializados estão: pacu, jaraqui e sardinha. O tambaqui curumim, por exemplo, é vendido muitas vezes ao preço de R$ 5 o quilo nos Feirões da Sepror. Se o consumidor optar por comprar um quilo de peixe no Feirão, ao invés da carne pelo preço destacado pelo Dieese, a economia é de 69,55%.

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