Cesta básica de Manaus é a 3ª mais cara

Em dezembro do ano passado, o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) registrou que Manaus possuía a segunda cesta básica mais cara entre as 17 cidades pesquisadas pelo departamento. O valor, relativo a novembro, ficou em R$ 250,56. Este mês a cesta básica de Manaus caiu uma posição, porém o valor esticou um pouco, alçando R$ 252,06. O aumento foi de 0,6% e continuou a ser impulsionado pela carne e pela manteiga.
A economista e supervisora técnica do Dieese, Alessandra de Moura Cadamuro, avalia que estes dois alimentos já vêm sofrendo variação no preço desde o início da pesquisa em Manaus, que começou há dois anos.

Competitividade com o
exterior aumenta preço
De acordo com a economista, o motivo para a alta do preço da carne é devido à valorização do produto no comércio exterior. Houve uma maior procura na demanda internacional – em especial, da China, além da seca que influenciou no pasto do gado.
“O Amazonas até tem um rebanho alto. O que alguns empresários observam é que às vezes é mais vantajoso exportar açúcar, soja e carne, pois eles estão valorizados em alguns mercados”, explicou.
Na pesquisa da cesta básica, além da carne e da manteiga, outros cinco produtos apresentaram um valor mais caro em comparação com novembro.
O café em pó subiu 3,28%, o leite 2,66% e a banana 0,33%. Dentre os 12 itens investigados pelo Dieese, o feijão foi o que obteve maior alta no ano, 77,13%, já o óleo de soja foi que teve menor variação, 6,96%.
Em dezembro de 2009, a cesta básica em Manaus custava R$ 215,94 e o acumulado do ano passado fechou em 16,73%.
Esta percentagem deixou a cidade em quarto lugar sendo superado pelas variações de Goiânia (22,9%), Recife (19,96%) e Natal (16,73%).

Cerca de 50% do salário é gasto com alimento

O menor acumulado foi na cidade nordestina de Aracajú com 3,96%. Lá a cesta básica custou, em dezembro, R$ 175,88, valor 30% menor do que a manauense.
Quanto ao gasto para adquirir a cesta básica, um trabalhador que ganha um salário mínimo em Manaus comprometeu, em dezembro, 53,72% de seu rendimento líquido – R$ 469,20 – para levar os alimentos básicos à mesa. Em novembro, o comprometimento foi de 53,40% de seu rendimento líquido.
As pessoas também precisaram trabalhar mais para garantir os itens do carrinho.
A média ficou em 108 horas e 44 minutos. No país, esta média ficou em torno de uma jornada de 98 horas e 11 minutos, em dezembro, praticamente o mesmo tempo registrado em novembro, de 98 horas e 12 minutos, mas quase três horas a mais que o tempo estimado para dezembro de 2009, de 95 horas e 20 minutos.

Alimentos sobem acima de 10% em 14 de 17 capitais pesquisadas pelo Dieese

O custo da cesta básica teve alta acima de 10% em 14 das 17 capitais pesquisadas em 2010, segundo levantamento divulgado ontem pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
As maiores elevações ocorreram em Goiânia (22,90%), Recife (19,96%), Natal (18,14%) Manaus (16,73%), Fortaleza (16,21%) e São Paulo (16,20%). Em seguida aparecem Curitiba (15,16%), João Pessoa (13,84%), Rio de Janeiro (13,74%), Florianópolis (12,92%), Belém (10,65%), Vitória (10,46%), Belo Horizonte ( 10,41%) e Salvador (10,13%).
Abaixo dos 10%, ficaram apenas Porto Alegre (6,13%), Brasília (5,15%) e Aracaju (3,96%).
Segundo o Dieese, o comportamento dos alimentos básicos em 2010 foi oposto ao apurado em 2009, quando, no final do ano, 16 das 17 cidades acompanhadas apresentavam recuo nos preços dos gêneros de primeira necessidade.
Em dezembro, os produtos básicos tiveram queda em oito capitais, enquanto nas outras nove cidades o preço aumentou. As maiores elevações foram em Natal e Curitiba.
No mês passado, São Paulo continuou a ser a capital onde o custo da cesta foi mais elevado, atingindo R$ 265,15 -ainda que tenha subido apenas 0,20% em relação a novembro. Porto Alegre, que teve alta de 0,95%, registrou o segundo maior custo (R$ 252,15), seguida por Manaus (R$ 252,06).
O levantamento do Dieese sugere que o salário mínimo necessário para o trabalhador brasileiro cobrir despesas básicas em dezembro deveria ficar em R$ 2.227,53.
O cálculo, feito com base no custo da cesta básica de São Paulo, considera gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. O valor representa 4,37 vezes o mínimo vigente naquele mês, de R$ 510. Segundo os cálculos do Dieese, os trabalhadores remunerados com um salário mínimo tiveram de cumprir uma jornada de 98 horas e 11 minutos em dezembro para comprar a cesta básica.
O valor dos alimentos comprometeu 48,51% do salário líquido -após o desconto da previdência- desses empregados na média das 17 capitais. Em novembro, a parcela dedicada à compra da cesta básica havia sido 48,52% do salário mínimo líquido.

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