Certificação de peças deve coibir montagem ilícita

Para ‘barrar’ a venda de peças de bicicletas de baixa qualidade no país, a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) está reivindicando que o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) aprove a certificação compulsória dos componentes, medida que obrigaria tanto as indústrias como os importadores do comércio a submeter os produtos à avaliação de conformidade.
Segundo dados obtidos pela Abraciclo junto à Secex (Secretaria de Comércio Exterior), do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), as importações de bicicletas e de componentes previstas para este ano devem atingir US$ 81.50 milhões, montante que é o dobro do valor registrado em 2004 (US$ 40.60 milhões) e supera em muito as importações de 2005 (US$ 50.60 milhões) e 2006 (US$ 60.40 milhões).
De janeiro a julho deste ano, a Secex informou que as importações de bikes totalizaram US$ 42.70 milhões, ou seja, mais do que o volume importado durante todo o ano de 2004.
De acordo com o diretor-executivo da Abraciclo, Moacyr Paes, a certificação das peças por organizações credenciadas pelo Inmetro é necessária para coibir a entrada indiscriminada de componentes chineses, que são introduzidos no Brasil por estabelecimentos comerciais, que também montam as bicicletas de acordo com as peças escolhidas pelo cliente, sem pagar os impostos cobrados às indústrias.
“Essas empresas são um problema sério, porque não recolhem tributos para fabricar bicicletas e vendem componentes de qualidade duvidosa. Sem pagar impostos, contribuições e encargos sociais, as pequenas montadoras acabam afetando a competitividade das indústrias regularmente instaladas”, argumentou o executivo.
Na perspectiva do dirigente, a evolução das importações deixa clara a necessidade de uma nova tabela de valoração aduaneira para a entrada de bicicletas no país, o que segundo Moacyr poderia ser solucionado com o aumento do II (Imposto de Importação) sobre os componentes.
“A importação de bicicletas desmontadas vem crescendo consideravelmente e isso não tem a ver com o mercado de reposição. Algo deve ser feito para que a indústria tenha uma defesa”, ressaltou Paes, destacando ainda que a perda de competitividade das fabricantes deve-se ao preço “absurdamente baixo” praticado pelas lojas.
A reportagem do Jornal do Commercio visitou três lojas e uma oficina que monta bicicletas com peças novas e usadas e constatou que as ‘magrelas’ vendidas na oficina chegam a ser seis vezes mais em conta do que as bikes comercializadas por grandes redes varejistas de Manaus.

Nas oficinas, produto pode chegar a R$ 80

Na oficina Príncipe da Paz Bike, localizada no bairro de Petrópolis, zona sul, uma bicicleta básica reformada, com 18 marchas, custa entre R$ 80 e R$ 100, enquanto nas lojas o preço dos produtos com a mesma velocidade oscila de R$ 275 a R$ 589.
“Faço bicicletas com peças novas e seminovas. Depois de montada, mando pintar para dar uma aparência melhor e o adesivo da marca é o cliente que escolhe. Tem gente que ainda acha caro o valor que eu cobro, aí peço para pessoa comparar com o preço das lojas”, contou o proprietário do estabelecimento, Magno Leão.
Já em uma das lojas de bicicletas mais antigas de Manaus, a direção confirmou a prática da fabricação ‘caseira’ para a reportagem, mas logo voltou atrás ao perceber que a informação poderia complicar a situação da empresa. “Somos só loja, não fabricamos bicicletas”, corrigiu o filho do proprietário do estabelecimento.
Sobre a certificação dos componentes com o selo do Inmetro, o representante da loja se posicionou contra a medida, afirmando que as indústrias querem ficar com toda a fatia dos negócios. “A certificação também nos traria mais trabalho, por causa da exigência dos testes. O nosso consumidor não está preocupado com a certificação, ele procura o menor preço. E no caso de o produto apresentar problemas dur

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