Há um movimento social brilhante que oferece aos munícipes de Presidente Figueiredo e turistas um ponto de encontro, lazer e aprendizagem: o Centro Cultural Zé Amador.

É reconhecido pela Secretaria da Diversidade Cultural do Ministério do Turismo, por meio da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, como Ponto de Cultura a partir dos critérios estabelecidos na Lei Cultura Viva (13.018/2014).

O Centro Cultural Zé Amador é um dos raros espaços no interior do Estado do Amazonas onde se respira a iniciativa do ativismo social que busca no desenvolvimento e articulação das atividades culturais comunitárias, contribuir para o acesso, proteção e promoção dos direitos, do Turismo e diversidade cultural no Brasil. 

Desde que conheci o trabalho do casal Edileuza Costa Lima e Antônio Amador de Oliveira, e de colaboradores locais como Lamartine Silva e Moisés Carneiro, cada visita à Presidente Figueiredo tem parada obrigatória para rever amigos e ajudar os serviços oferecidos pelo Centro Cultural.

“Seu Amador”, filho do “Zé Amador”, homenagem ao pai que dá nome ao Centro Cultural, teve a ideia em 2014 de transformar uma construção obsoleta do governo – uma passagem subterrânea de pedestres que atravessa a rodovia federal BR-174 – subutilizada, o popular “elefante branco”, local de encontro de marginais e usuário de drogas, em um lugar de resistência social voltado à cultura e suas infinitas manifestações.

Lá se pode acessar, consultar e emprestar livros em uma biblioteca popular – a maior biblioteca ao ar livre do Amazonas -; há espaço para o reforço escolar no contra turno da escola; visitam-se exposições de pintura, escultura, grafite; eventos popularmente são organizados, em sua maioria sem apoio de subvenções oficiais, onde duas condições devem ser respeitadas: tudo dever ser aberto ao público e tudo dever estar dentro da lei.

Sua esposa Edileuza que possui o saber tradicional das plantas, sejam elas medicinais, ou ornamentais, transforma resíduos plásticos descartados – aqueles que na natureza levam mais de 400 anos para se decompor – em arte, vasos e adornos com plantas da flora amazônica que vão alegrar as casas dos visitantes. 

A pouca receita das vendas retroalimenta o Centro Cultural, que, sabe-se lá como, resiste ao tempo pela boa vontade dos seus ativistas e população de Presidente Figueiredo envolvida. 

A biodiversidade de cores, cheiros e de cura, pois, é possível adquirir mudas de boldo para o estômago, capim santo para a gripe e/ou calmante, resulta do trabalho das mãos de uma mulher cabocla que também resiste ao tempo compartilhando sua cultura tradicional, àquela repassada pelos seus pais, avós, resiliente às tecnologias, medicamentos e alimentos cada vez mais industrializados.

Há também espaço à crítica social quando alguns vasos sanitários retirados em terrenos baldios e lixeiras viciadas servem, depois de recuperados, de vasos de plantas, ornamentando as calçadas das ruas e avenidas principais locais.

É engraçado que o poder público municipal ao invés de se juntar ao movimento cultural e fazer do “limão uma limonada” – por exemplo, com práticas de educação ambiental e comunitária em um laboratório ao ar livre que representa o Centro Cultural Zé Amador – prefere a indignação, o “mimimi” e o pedido de retirada das obras de arte que “enfeiam” com flores em vasos sanitários reutilizados as vias municipais esburacadas e descuidadas no histórico mal maior de maus gestores.

Recebi um comentário sobre o artigo da semana passada, onde fiz a homenagem póstuma ao morador e amigo Cláudio, que aqui merece destaque: “Uma pena, Presidente Figueiredo em deterioração crescente encontra-se paupérrima… Não há um mínimo cuidado estético, a cidadela imunda, esburacada e abandonada é o sinônimo vivo da corrupção política característica do Amazonas… Uma cidade tomada pelo tráfico de drogas é o receptáculo perfeito de refugiados mal-intencionados e todo tipo de malfeitores (…)”.

Certamente, as cidades turísticas em todo o planeta sofreram muito durante a pandemia. Sem turismo e visitantes a roda da economia não roda e, sem receita, pouco se pode fazer…

Mas, quem olha no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro – SICONFI as informações do portal do Tesouro Nacional (https://siconfi.tesouro.gov.br), com os dados do balanço anual do Município de Presidente Figueiredo nos últimos 20 anos, se espanta com o poder transformador que prefeitos passados tiveram nos exercícios de seus cargos públicos.

Com um ativo patrimonial superior a R$ 155 milhões, em 2017, por exemplo, o que faltou ao Município para ser uma cidade turística modelo nacional e internacional, especialmente, sendo sua localização na Amazônia?

Vergonha na cara? Responsabilidade fiscal? 

Os royalties de Balbina e do Pitinga, tributos da Fazenda Jayoro não seriam e são suficientes para permitir ao erário municipal um conforto e segurança maior ao enfrentamento dos dias difíceis pandêmicos?

Oportuno se faz que a população de Presidente Figueiredo acompanhe mais de perto a aplicação das receitas municipais, ou, o que seria um gesto de maturidade política, que a atual Prefeitura usasse de ferramentas previstas em lei, como o orçamento participativo, dando transparência e legitimidade aos investimentos públicos.

Convido nossos leitores a visitar o Centro Cultural Zé Amador que está localizado na passagem subterrânea da rodovia federal BR-174, Avenida Massaranduba, s/n, Centro de Presidente Figueiredo. 

Clique no aplicativo do Google Map e o GPS do celular te orientará a chegar até lá: https://maps.app.goo.gl/WEDQtWQ5wnqzzp76

Quem quiser colaborar com o Centro Cultural Zé Amador pode ligar: (92) 98467-9147. 

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