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Censo 2022 aponta AM e Manaus nas últimas posições do país 

Reportagem: Marco Dassori
Twitter: @marco.dassori
Em 2022, apenas um em cada três domicílios ocupados do Amazonas tinha acesso a esgotamento sanitário, atendendo 35,8% de um total de 3.929.369 moradores. Em Manaus, eram 41,8% (2.058.504). É o que revela a pesquisa “Censo 2022 – Características dos Domicílios”, e foram divulgadas pelo IBGE. Estado e capital estão entre as últimas posições do ranking nacional. A região não está sozinha nessa estatística: menos da metade das populações de 3.505 dos 5.578 municípios brasileiros são assistidas por coleta de esgoto. Em 2.386, uma fatia inferior a 50% dispõe de rede coletora ou fossa séptica. 
Segundo o levantamento, a situação é ainda pior no interior do Amazonas, onde 51 municípios apareceram com um percentual inferior a 10% de seus lares dispondo de esgoto. “Todos os itens ligados ao saneamento básico do Estado, são agravados quando se analisa as condições dos municípios do interior. É fato que a zona rural padece de piores condições de saneamento”, destacou o IBGE-AM, no texto de divulgação da sondagem, acrescentando que a situação piorou em relação ao Censo anterior.
O Estado também pontuou mal em abastecimento de água. Somente 86,82% (937.536) de seus domicílios têm canalização interna, situando o Amazonas na 23ª posição nacional. Em Manaus o percentual alcançou 97,05%, o que coloca a capital na 21ª colocação e acima da média nacional (95,6%). No interior, 31% dos municípios contam com menos de 70% das casas com o serviço. Em São Gabriel da Cachoeira, São Paulo de Olivença, Tonantins, Atalaia do Norte, Maraã e Santa Isabel do Rio Negro o percentual ficou abaixo de 50%. 
“Fossa ou burado”
Apenas 33,4% dos domicílios ocupados no Amazonas estavam ligados à uma “rede geral, rede pluvial ou fossa ligada à rede”. Considerando apenas os domicílios ligados à “rede geral ou pluvial” o percentual foi de 28%. Já os domicílios com “fossa séptica ou fossa filtro ligados à rede” totalizaram 5,3%. Outros números situam parte significativa da população amazonense em condições medievais: 33,2% dos domicílios possuíam “fossa rudimentar ou buraco”; 3,7% tinham vala como sanitário e 8,2% faziam recorriam aos rios e lagos.
No tipo de esgotamento sanitário “rede geral ou pluvial”, o Estado ocupou a 21ª posição. São Paulo ficou com a melhor colocação (90,3%) e o Amapá (9%), com a pior. Já no tipo “fossa rudimentar ou buraco”, o Amazonas aparece na 11ª posição, em uma lista com os extremos em Rondônia (58,7%) e São Paulo (2,8%). No esgotamento para “rio, lago ou mar”, o Amazonas ocupou o segundo lugar, perdendo apenas para o Amapá (9,4%), em um rol encerrado pelo Distrito Federal (0%).
Em Manaus, 42,8% dos domicílios estavam ligados à “rede geral ou pluvial”. Outros 20% possuíam “fossa séptica ou fossa filtro não ligada à rede”. Por outro lado, 18,3% usavam fossa rudimentar ou buraco e 7,4% faziam dos “rios, lagos ou córregos” o destino de seu esgotamento. O quadro, coloca a capital entre as piores posições no país: Fossa séptica ou fossa filtro não ligada à rede (10ª posição); rede geral ou pluvial (21ª posição); fossa rudimentar ou buraco (5ª posição); vala (7ª posição); rio, lago, córrego ou mar (2ª posição).
De acordo com o IBGE-AM, a situação do esgotamento sanitário nos municípios do interior “se agravou muito”, já que apenas dez deles comparecem com mais de 10% de suas populações assistidas por esgoto. Uma alternativa bem utilizada é “fossa séptica ou fossa filtro não ligada à rede”, mas 36 localidades tinham menos de 10% de seus domicílios atendidos nessa modalidade”. Na “fossa rudimentar ou buraco” foram 44 municípios com mais de 50% de seus domicílios usando esse tipo de esgotamento sanitário.
Abastecimento de água
Conforme a pesquisa, 66% (713.550) dos domicílios possuem ligação à rede geral e a utilizam como forma principal de abastecimento. Nesse item, o Estado ocupa a 23ª posição no ranking brasileiro. São Paulo ficou com a melhor condição de abastecimento de água (95,7%) e o Amapá (43,3%) apresentou o pior quadro. Entre as capitais, Manaus ficou na 21ª posição (76,2%), em uma lista com Vitória (99,5%) e Porto Velho (36,7%) nos extremos. 
No Estado, 25,8% dos domicílios não possui ligação com a rede geral e utilizam outras formas de abastecimento. A principal é o poço profundo ou artesiano (157.160 domicílios ou 14,5%) – em Manaus, são 83.853 (13,3%). O abastecimento de água via rede geral evoluiu de 64,5% para 66%, entre os Censos de 2010 e de 2022 – o percentual se manteve praticamente estável na capital (76,2%). O abastecimento via poço, por outro lado, passou de 12,8% (2010) para 14,5% (em 2022), entre os lares amazonenses.
A situação do abastecimento de água também é mais grave no interior. No item da pesquisa que indica que a residência “não possui ligação com a rede geral”, 19 municípios possuem mais de 50% de seus domicílios ocupados nessa condição. As piores situações estão em Pauini, Tonantins, Santo Antônio do Iça, Envira e Lábrea. Já Parintins, Urucará, Manaus, São Sebastião do Uatumã e Itapiranga, estão em melhores condição.
Em relação a outras formas de abastecimento consideradas adequadas pelo Básico PLANSAB (Plano Nacional de Saneamento), a região Norte apresentou as maiores proporções da população utilizando “poço profundo ou artesiano” (24,3%); “poço raso, freático ou cacimba” (11,8%) e “rios, açudes, córregos, lagos e igarapés (5,3%). Em contraste, a forma predominante no Brasil foi a “rede geral de distribuição”, com um total de 60,8 milhões de domicílios (82,9% e 167, 5 milhões de pessoas).  
“Grandes desafios”
Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o analista da pesquisa, Bruno Perez, salienta que a presença da rede de esgoto está relacionada ao contingente populacional. “Há uma tendência de municípios com mais de 500.000 habitantes terem rede de esgoto mais robusta. Isso ocorre, em parte, devido à dificuldade de implementação do serviço em locais com menor densidade populacional, sendo necessária uma rede mais extensa para chegar ao mesmo número de pessoas de um município maior”, afirmou.
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que o Censo 2022 trata Estado e municípios como um todo, considerando o quadro urbanos e rural. “Os dados de saneamento básico do Censo 2022 demonstram que o Amazonas e seus municípios têm grandes desafios nessa área. O esgotamento sanitário apresenta vários tipos, uns adequados e outros não. Mas, quando ele é inadequado, Estado e capital ocupam lugares de destaque no ranking nacional”, frisou. 
O pesquisador acrescenta que o percentual de domicílios que utilizam a rede geral de água como principal forma de abastecimento de água também é considerado baixo para o Amazonas e Manaus. “Grande parte das moradias utilizam outras formas de abastecimento e fogem do tipo de abastecimento que, em tese, proporciona maior segurança quanto à qualidade da água. A água canalizada dentro do domicílio proporciona conforto e saúde à população, mas os percentuais no Estado estão longe do ideal. Embora a capital apresente bom percentual, está bem distante das outras cidades do país”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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