Cenário desfavorável à vista

A balança comercial amazonense apresenta um deficit crescente a cada mês, com saldo negativo de US$ 6,111 bilhões no semestre. A balança comercial brasileira apresentou o pior resultado em 20 anos no mês de julho, com deficit de R$ 1,9 bilhão. Para o especialista em comércio exterior, professor do curso de Relações Internacionais da FASM (Faculdade Santa Marcelina), Reinaldo Batista, a perspectiva é de que o cenário se mantenha com deficit crescente ao longo dos próximos anos.
Para o professor, a atual situação é reflexo de um deficit continuado da economia, da falta de estrutura para lidar com o mercado exterior e de medidas errôneas tomadas pelo governo durante o período. “O real ficou valorizado por muito tempo. Com isso o a exportação ficou comprometida. A situação atual está pagando o pato de gestões e gestões de medidas erradas que continuam no atual governo”, lamenta.
Um dos principais motivos para o deficit da balança comercial seriam os problemas estruturais recorrentes “são fortes e refletem a falta de competitividade das indústrias. Esses problemas são ainda maiores nas indústrias no Norte. Mas o resultado das exportações é mais surpreendente para as indústrias do Sul e Sudeste, tendo em vista as especificidades do modelo Zona Franca”, explica. Reinaldo ressalta que o mercado externo é muito competitivo e muito difícil de se conquistar. “Não vejo no momento uma economia como a do Amazonas focando esse mercado, a estimativa é continuar no mercado nacional e tentar controlar melhor a balança”, reitera.
O professor explica que com isso a competitividade das indústrias fica prejudicada e ressalta que os problemas de logística são maiores no Norte, prejudicando sua participação no comércio exterior. “Passamos por um momento ruim, temos custos trabalhistas enormes. Custo de energia elétrica muito elevado, tributos crescentes e uma questão de logística muito cara. Para um modelo projetado para abastecer o mercado interno e com questões logísticas ainda mais complicadas como o Amazonas, não tem como ser competitivo no comércio exterior nessas condições”, ressalta.

Mudanças no IPI devem afetar déficit

Na opinião de Reinaldo a redução do IPI de 25% para 18% anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, deve prejudicar ainda mais o mercado externo brasileiro e amazonense. “Acredito que foi uma medida ineficaz e equivocada. Eram produtos que tinham alíquota na faixa de 18% e elevaram para 25% e agora voltaram atrás em um espaço curto de tempo. O comércio exterior não reage assim rapidamente à mudança que o governo faz. Isso só acontece quando você tem alguns anos com uma definição diferenciada de alíquota de importação, com uma sinalização clara de que o governo quer incentivar esse crescimento”, explica
A expectativa também não é das melhores, segundo o especialista as balanças devem continuar apresentando um déficit crescente. “Todos os detalhes que citei junto as medidas equivocadas que vem sendo tomadas pelo governo devem agravar a situação. Com o ano eleitoral se aproximando piora a situação. O momento é muito delicado e o mercado acaba estagnado esperando os novos governantes e o perfil que ele terá”.
Para o especialista o governo faz analises muito rasas acreditando que recuperação do dólar irá abrir o mercado de exportação. “O governo mostra que eles não têm um direcionamento de política de comércio exterior. Como que aumentam o IPI, o cambio se modifica e já voltam tudo à estaca zero? A situação é um pouco mais delicada. Isso complica os empresários importadores e exportadores”. Para Reinaldo Batista as fábricas serão prejudicadas em todo país, sobretudo os fabricantes de matérias primas nacionais. “Isso é um engano que veremos nos próximos meses que isso não vai significar uma recuperação significativa das exportações e consequentemente da balança comercial”, conclui.

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