9 de maio de 2021

Celulares resistem à crise

O mercado de celulares do Brasil não foi tão afetado pela pandemia quanto as previsões mais pessimistas imaginavam. De acordo com um estudo recente da IDC Brasil, o país teve queda nas vendas, mas ficou em linha com a redução mundial, que também não foi tão ruim quanto indicavam prognósticos iniciais.

Houve, sim, um impacto causado pela pandemia de Covid-19 no Brasil, assim como em todo o mundo, mas a recuperação no mercado de smartphones, ao menos, foi até rápida. No total, foram vendidos pouco mais de 48,7 milhões de celulares no país durante todo o ano de 2020, cerca de 8% a menos do que no ano anterior. No mercado mundial, o recuo foi de 7%.

“Quando a pandemia começou, projetamos três cenários: otimista, pessimista e provável. Em linha com o mercado, a tendência era de um cenário provável, com queda de 19%, mas felizmente o mercado reagiu muito melhor, o celular se mostrou como um dispositivo ainda mais indispensável e iniciativas de fomento ao consumo, como a liberação do auxílio emergencial, equilibraram a categoria”, explicou o analista de pesquisa e consultoria em celulares e dispositivos da IDC Brasil, Renato Murari de Meireles.

O brasileiro ainda busca bastante o feature phone, que teve mais de 2,5 milhões de unidades vendidas durante todo o ano de 2020, uma queda de 34% em comparação com o ano anterior. Já a busca por smartphones teve queda menor, de 6%, totalizando cerca de 46 milhões de unidades vendidas. A IDC Brasil incluiu nas contas os 3,8 milhões de smartphones e 204 mil feature phones vendidos no mercado cinza, que também apresentou queda em 2020.

“Para se ter ideia, no 4º trimestre a queda nas vendas de feature phones que entraram ilegalmente no país ou mesmo falsificados foi de 64% e a de smartphones de 48%”, explicou Meirelles, que citou a mobilização da indústria, comércio, associações e governos, além dos market places para reduzir a oferta de produtos não oficiais e de origem duvidosa no mercado brasileiro. O analista observa, no entanto, que apesar da desaceleração, vista principalmente a partir do terceiro trimestre, os números “ainda são preocupantes e o consumidor precisa se conscientizar e suspeitar sempre quando o preço for muito inferior ao praticado pelo mercado”.

Brasileiro gasta mais pelo celular

Apesar da queda no número de unidades totais vendidas durante o ano de 2020, o valor total gasto pelo brasileiro com celulares aumentou em 16% comparado com o ano anterior, somando R$ 71,7 bilhões. As duas faixas de preços que tiveram mais aumento na procura, sempre comparando com o ano de 2019, foram de R$ 2.000 a R$ 2.999, que cresceu 88%, e de R$ 1.100 a R$ 1.999, com 83% a mais.

“O ticket médio cresceu 24% no ano de 2020, enquanto em 2019 essa média não passou de 3%”, esclareceu Meirelles. Os aumentos nos preços e do dólar podem ter forte influência neste caso, mas não explicam o todo. O analista observou que houve uma mudança nos hábitos durante o ano de 2020, quando o brasileiro passou mais tempo em casa, até mesmo para estudar e trabalhar.

“A pandemia acelerou a adoção da tecnologia em todos os sentidos. Para videoconferências de trabalho, aulas remotas, streaming nos momentos de lazer e até atividades simples como pedir comida aumentaram o uso de aplicativos”, avaliou o analista da IDC Brasil. “O celular ficou ainda mais indispensável. Idosos, por exemplo, que ainda resistiam, migraram do feature phone para o smartphone ou investiram em um aparelho melhor com o recurso do WhatsApp, por exemplo, para falar com filhos e netos”, explicou.

Mudança de comportamento

Ou seja, o resultado nas vendas de celulares no Brasil durante o ano de 2020 é reflexo de todo um contexto, e que não dá para apontar um único fator como o principal responsável pela queda menos acentuada do que previsto e nem para o aumento no total gasto pelo consumidor em dispositivos móveis. Entram na equação a aceleração tecnológica provocada pela pandemia, a alta do dólar e também o comportamento de novos consumidores na era digital aos hábitos de compra de usuários que já estão em seu quarto ou quinto aparelho.

Depois de um primeiro semestre atípico, a segunda metade de 2020 apresentou uma “curva em ‘V’”, com uma queda acentuada provocada pelo fechamento dos comércios, e uma rápida recuperação após a sua abertura. Houve uma demanda inesperada por parte do consumidor, provocando uma crise de abastecimento em nível global, com falta de componentes na indústria e,consequentemente, queda de produtos ofertados no varejo”, ponderou o analista.

Meirelles ainda acrescentou que o e-commerce foi outro aliado na retomada das vendas de celulares no Brasil durante o ano passado. “Há uma relação fiel e cultural do brasileiro em buscar as lojas físicas como opção de compras, mas com o período de lojas fechadas ele se rendeu aos canais de vendas online, ainda que nem sempre tenha encontrado o aparelho que queria pelo preço que gostaria”, explicou. Segundo o analista, nem mesmo a Black Friday de 2020 foi tão boa como em anos anteriores e também sofreu com a falta de produtos.

Foto/Destaque: Divulgação

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