16 de maio de 2021

Celebrando a importância da cultura negra

Dia 20 de novembro de 1695, morte de Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, na atual Alagoas. Desde 2003, também se comemora nesta data o Dia da Consciência Negra, oficializada em 2011. Uma forma de lembrar a importância dos negros na constituição e construção da sociedade brasileira. Em Manaus a data vai ser comemorada com muita festa.

“Iniciaremos o dia, às 9h, com o Cortejo de Maracatu na comunidade do quilombo de São Benedito, na Praça 14 de Janeiro, que vem se constituindo num espaço de resistência da cultura afrodescendente em nosso estado. Contaremos com a corte do maracatu Nação Geap (Grupo de Expressão Artística e Popular), e com os batuqueiros do Quebramuro e do Eco da Sapopema. Permaneceremos no local até a tradicional feijoada cuja distribuição iniciará às 12h”, adiantou o professor de escolas municipais e estaduais, e agitador cultural Otto Franco.

“Das 18h às 20h, estaremos no Largo de São Sebastião realizando uma Oficina de Turbantes”, completou.

Apesar de ser professor de Educação Física, Otto desenvolve um projeto que vai além de apenas cuidar do corpo, o ‘Diversidade em Ações: oficinas para dialogar a diversidade na escola’.

“Este é o título da minha dissertação de mestrado, que será defendida em janeiro na Universidad San Lorenzo, no Paraguai. Trata-se de uma estratégia para dinamizar as relações de ensino com a diversidade étnica racial, compreendendo 15 oficinas, que os alunos escolhem por afinidade, e compartilham conteúdos com alunos de outras salas com a mesma temática”, explicou.

Cultura indígena e africana

Entre as oficinas: História indígena brasileira, História da África, Gênero e identidade, Imigração haitiana e venezuelana, Países lusófonos, Bonecas abayomi e sul africanas, Máscaras africanas, Fios e contas com miçangas e sementes, Literatura afrodescendente, Quilombos e comunidades quilombolas, Cultura griô e contos africanos, Lúdica infantil, Danças e ritmos afrobrasileiros, Cabelos e estética afro, e Turbantes.

“Neste processo foi possível perceber e dialogar diferenças e semelhanças, assim como debater algumas situações relacionadas a preconceitos e formas de realizar a defesa e eliminação do mesmo”, esclareceu.

No seu projeto, o professor faz uma mistura das culturas indígenas brasileiras e dos negros africanos, para cá trazidos como escravos, e que também eram indígenas.

“Não estamos falando de misturas no sentido de miscigenação, mas de partes constituintes. Antes da chegada dos colonizadores tínhamos o Brasil povoado por indígenas de Norte a Sul. Com a resistência na sua escravização, veio a dizimação de várias nações e as que existem hoje são fruto de resistência e muitas lutas”, contou.

“Da mesma forma, aconteceu com o negro. Arrancados da África foram trazidos para o Brasil, para trabalhos de diversos tipos. Também houve lutas e muita resistência. E ainda hoje há. Há semelhanças em alguns aspectos culturais e isto fez com que buscássemos esses traços em partes dos trabalhos, como a produção de máscaras e cordões em miçangas e sementes. Até jogos e brincadeiras populares que resistiram ao tempo, possuem essas heranças com o povo negro e indígena” acrescentou.

Candomblé continua atuante

Durante as festividades pelo Dia da Consciência Negra, três grupos locais de maracatu farão apresentações: o Nação Geap (Grupo de Expressão Artística e Popular), coordenado pelo próprio Otto, o Quebramuro, e o grupo mais antigo de Manaus, o Eco da Sapopema, que este ano completa onze anos de existência. Originário de Pernambuco, o maracatu é um misto de música, dança e ritual de sincretismo religioso bastante envolvente através do batuque forte de seus tambores.

Quanto à oficina de turbantes que acontecerá no final da tarde, é totalmente afro.

“Turbante, mais do que um pedaço de pano amarrado na cabeça, é um dos elementos de identificação visual da cultura negra no mundo. Antes de ser um adorno, possui significação no sagrado, proteção do Ori (ligação com o orixá). Praticantes dos cultos afros o usam para cobrir o Ori”, explicou.

Oficina de Turbantes no Largo São Sebastião

A partir desta necessidade teriam surgido diversos tipos de amarração que chegaram aos dias atuais, com o mercado da moda se apropriando deste aspecto cultural e seu uso, inclusive por mulheres brancas. Há anos o uso de turbantes vem mantendo uma tendência crescente.

“É importante pontuarmos sua história e marcar outro traço importante que possui: o poder de tornar mais negra uma pessoa que o usa com intencionalidade, orgulhando-se de quem é no contexto social, empoderamento da mulher negra ou autodeclarada negra”, falou.

Outro aspecto da cultura negra, em Manaus, é o ritual do candomblé, antes bastante visível em bairros mais distantes, hoje, nem tanto, e praticado por Otto.

Candomblé também será tema de oficinas, debates e reflexões

“Há sim a cultura do preconceito e, apesar do mesmo, as comunidades candomblecistas, umbandistas, quimbandistas, ifás e outros segmentos, seguem realizando seus cultos nos ilês e casas de santos. Fazem questão de se identificar, marcar e ocupar seu espaço. Continuamos atuantes e presentes em diversas camadas sociais, do mais humilde ao mais abastado. Orixás são nossas vidas. E tudo o que vem deles é digno de respeito e amor, e como tal devem ser respeitado por outras designações religiosas”, finalizou.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email