Apesar da promessa de uma esperada definição para o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) até o fim deste ano, a questão parece ainda estar longe de solução efetiva, diante de uma série de imbrólios envolvendo a instituição. Enquanto o Mdic defende a criação de uma OS (Organização Social), alguns especialistas veem como melhor saída a transferência da gestão do CBA para a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Segundo o presidente da Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, o Amazonas tem a necessidade de constituir novas matrizes econômicas, embasadas na biodiversidade e nas riquezas da floresta amazônica e cabe ao CBA cumprir um papel fundamental neste processo. “A Embrapa está anos-luz à frente em termos de desenvolvimento. Nada se faz sem capital intelectual. Para formar pessoas aptas em desenvolver novas matrizes econômicas são necessários, no mínimo, 15 anos. Esses profissionais já existem. E, eles estão dentro da Embrapa”, ressaltou Périco ao defender a transferência da gestão do CBA para a Embrapa. Ele também, informou que um documento está sendo elaborado e seguirá assinado por diversas entidades de classe locais, para ser protocolada nos ministérios que detém o projeto do CBA, sendo MDIC (Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio Exterior), MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) e MMA (Ministério do Meio Ambiente).

Mdic

O Mdic conseguiu consenso entre os ministérios envolvidos no projeto CBA para aprovação do modelo de gestão OS (Organização Social), com a participação de representantes do governo, do setor privado e dos trabalhadores. A falta de uma personalidade jurídica ainda é um dos entraves que impediam a implantação do Centro, problema que fica resolvido com a definição do modelo OS. “Essa organização será reconhecida como Organização Social e nós vamos colocar o CBA em funcionamento. Eu acredito que ainda esse ano os ministérios façam toda a tramitação legal desse assunto para que até o fim de 2013 se resolva o problema do CBA que dará um impulso e novo dinamismo ao nosso Polo Industrial de Manaus”, disse o ministro Fernando Pimentel, em Manaus.

Suframa

O titular da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), Thomaz Nogueira declarou ao Jornal do Commercio, que a autarquia não faz especulações na questão de prazos futuros. Thomaz, ainda disse que juntos, -Suframa e Mdic-, estão trabalhando com o objetivo de sanar o problema do CBA até o final deste ano. “Não trabalho com suposições para o futuro quando se trata de uma posição do ministro ao estipular prazo para colocar o CBA em funcionamento. Nós da Suframa e o ministro Pimentel estamos trabalhando para que se resolva o problema do CBA até o fim de 2013”, frisou o superintendente.
Especialista
De acordo com o especialista em meio ambiente do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e negócios do PIM, José Alberto Costa Machado, também, professor Doutor em Economia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), a situação está longe de definição o que vem gerando altos custos para a administração pública.
“Quando estávamos discutindo o destino do CBA, em um planejamento estratégico da Suframa que coordenamos ainda em 2008, uma das alternativas que nós visualizamos foi a simples transferência do CBA para o âmbito da Embrapa, uma vez que, fazendo isso, imediatamente, no dia seguinte, o CBA estaria operacionalizado, porque a Embrapa funciona em todo o Brasil, com toda uma estrutura e uma agenda de pesquisas ligadas ao setor produtivo, com tecnologias que são entregues para gerar produção em escala, regularidade e qualidade. Na ocasião essa transferência não foi possível”.

Embrapa

Na ótica do chefe-geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Luiz Marcelo Brum Rossi o CBA é dotado de uma estrutura fantástica com mais de 25 laboratórios, todos equipados com tecnologia de ponta. Mas é uma estrutura que por não ter um papel jurídico, -falta o CNPJ-, impede que o centro de pesquisa desenvolva novas atividades. “Até em fazer convênios tem certa dificuldade e se esse problema for solucionado, vai avançar muito em pesquisa e em desenvolvimento da área biotecnológica que aqui na Amazônia tem um vasto campo em biodiversidade”, disse.
Rossi acredita que a partir da regularização do CBA, que ainda está com status de projeto, surgirá novos polos, por exemplo, fármacos e dermatológicos com pesquisa e inovação juntamente com os parceiros da área institucional como universidades, institutos e com a iniciativa privada, “que é quem mais tem interesse em desenvolver produtos para usar no dia a dia e serem consumidos de alguma forma pela população”, alertou Rossi.
A Embrapa está sempre disponível para fazer esse contato sobre as questões que envolvam o CBA. “Nós sabemos que não é de um dia para outro que se resolve, mas sabemos que é necessário todos tenham interesse em que essa discussão aconteça e que para a Embrapa não seria difícil assumir a gestão do CBA, e obviamente com o consenso de todos os órgãos que hoje estão envolvidos no CBA”.
Hoje a Embrapa possui 47 CT&I (Centros Técnicos e Inovação) em 25 Estados do Brasil. Além da atuação internacional presente em todos os continentes, de alguma forma com transferência de tecnologia e pesquisa voltada para a agricultura, pecuária e área florestal. “Principalmente na África, uma região que sofre bastante e levamos soluções que temos aqui testadas e a Embrapa leva para lá, seja com material genético de cultura de algodão, como milho até outras técnicas fáceis de se manuziar”, informou Rossi.
A Embrapa está vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, foi criada em 26 de abril de 1973. Sua missão é viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, em benefício da sociedade brasileira. A Embrapa atua por intermédio de Unidades de Pesquisa e de Serviços e de Unidades Administrativas, estando presente em quase todos os Estados da Federação, nos mais diferentes biomas brasileiros.
A Embrapa conta com orçamento de R$ 2,3 bilhões para o exercício de 2013. Para ajudar a construir a liderança do Brasil em agricultura tropical, a Empresa investiu, sobretudo, no treinamento de recursos humanos; possui 9.803 empregados, dos quais 2.389 são pesquisadores, sendo: 18% com mestrado, 74% com doutorado e 7% com pós-doutorado (dados de 2011).

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