Caxiri Com temperos da Amazônia

Caxiri é uma bebida fermentada à base de macaxeira, típica dos povos indígenas da Amazônia, consumida em suas festas. Agora também é o nome do mais novo restaurante inaugurado no centro de Manaus, há pouco mais de um mês, num casarão bem ao lado do Teatro Amazonas.
O casarão é secular. O ano de 1910, em baixo relevo em sua platibanda, dá a certeza de que foi inaugurado quando Manaus se despedia dos faustosos tempos da economia da borracha. O ambiente interior remonta àqueles tempos. Numa repaginada, partes da parede da sala principal tiveram seu embolso removido deixando à mostra os tijolos, dando para ver como eram as robustas construções daqueles tempos.
As proprietárias do restaurante são as paulistas Débora Shornik e Daniela Maia, em Manaus desde 2013, que ainda contam com o apoio do maitre e sommelier mineiro Paulo Cesar, o PC, este há apenas dois meses na capital amazonense. “Escolhemos o casarão para montar o Caxiri pela proximidade com o Teatro, o templo maior da cultura do Amazonas, e por estar no centro da cidade”, falou Débora.
São Paulo também conta com um restaurante Caxiri, no bairro de Pinheiros, inaugurado no ano passado. “Só não temos os peixes amazônicos, porque a ideia é trabalhar com alimentos frescos, então usamos os peixes de lá, mas os temperos são todos amazônicos, facilmente encontrados nas feiras paulistas”, disse.
“O conceito do restaurante está estampado em nosso cardápio, nós somos ‘mais que um restaurante, somos um estado de espírito’. Não temos a pretensão de ser um espaço com comidas típicas da Amazônia, mas com sabor amazônico, pois nossos temperos são todos aqui, da região”, explicou Daniela.

Costela de tambaqui é o carro chefe

E dá para se ver isso logo nas entradas: nas brusquetas de queijo coalho, tomatinhos doces queimados e salsa verde (R$ 32), ou ainda no ceviche no tucupi com beiju de tapioca (R$ 36), no carpaccio queimado, pesto de jambú, ovos de codorna, lascas de parmesão e molho bernaise (R$ 36) e na macaxeira frita, bagna cauda e puxuri (R$ 28). Detalhe das brusquetas é elas serem feitas com pão caseiro, assado no próprio restaurante.
“O nosso cardápio não é extenso, mas a ideia é mudá-lo sempre, apresentando novos pratos periodicamente, idealizados pela Débora, que é chef. Esse cardápio atual foi todo pensado por ela”, contou Daniela.
Entre os pratos principais, o carro chefe do Caxiri: a costela de tambaqui na churrasqueira com gratin de banana, aioli de tucumã e dukkah (R$ 65). “Pelo costume das pessoas daqui o tambaqui é um peixe muito solicitado, mas o nosso tem um diferencial que você pode observar na composição, no cardápio”, adiantou.
Mas quem preferir outras carnes, tem o corte bovino com batatas rústicas e farofa do uarini (R$ 70), a paleta de cordeiro de 4 horas com gnocchis de batata e puxuri na manteiga de chicória (R$ 72), o lombo de porco à milanesa de farinhas regionais, salada de batatas com mostarda de jambú (R$ 62) e ragú de pato no tucupi com linguine (R$ 52).
“E ainda temos uma adega e uma carta de vinhos. No bar servimos de cervejas a drinques com e sem álcool, como o cordial artesanal de cupuaçu servido com água com gás e muito gelo (R$ 9), criação minha”, completou PC.
Quem desejar gastar pouco e comer bem, pode solicitar o menu executivo (R$ 49) podendo escolher entre duas entradas, três pratos principais e duas sobremesas.
Uma bela escadaria com degraus em madeira de lei leva ao espaço do restaurante, que possui 61 lugares sentados. Há, também, um elevador com capacidade para duas pessoas. Músicas ambientes dão um tom intimista ao local. Os janelões proporcionam um belo visual do Teatro, que este ano está com uma programação especial pelos seus 120 anos, completados no próximo 31 de dezembro.
O Caxiri funciona de terça a sábado, no almoço e no jantar, e aos domingos com almoço estendido até às 17h, na rua 10 de Julho, 491.

Os 120 anos do Teatro

A pedra fundamental do Teatro Amazonas foi lançada em 1884, porém, as obras permaneceram paralisadas de 1886 a 1893, quando foram retomadas pelo governador Eduardo Gonçalves Ribeiro (1892/1896) que, apesar do esforço, não chegou a inaugurá-lo.
Depois de muitos entraves políticos, administrativos e técnicos, o Teatro foi finalmente inaugurado em 31 de dezembro de 1896, embora sem estar totalmente construído e decorado.
A construção do Teatro, ao final do século 19, só foi possível graças ao período conhecido na história sócio-econômica brasileira como Ciclo da Borracha. Somente a privilegiada situação econômica da Província do Amazonas, na época propiciada pela exportação da borracha, tornaria possível a implantação na cidade de projetos tão audaciosos, dos quais o Teatro é o exemplo mais expressivo.
Também contribuiu a visão do governador Eduardo Ribeiro, que deu impulso à nova feição urbanística de Manaus.

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