Catadores buscam alternativas nestes tempos

Coleta em pontos específicos e no sistema ‘porta a porta’ está suspensa desde o início da pandemia de coronavírus em Manaus. O impacto da pandemia também chega aos catadores de lixo reciclável em Manaus. As atividades permitiam a eles a sobrevivência diária com a coleta de pelo menos duas toneladas de material por semana em pontos específicos da cidade e no sistema ‘porta a porta’ por voluntários. 

De março para cá, a situação da categoria se agravou.  Foi nessa época que começaram a aparecer os primeiros casos do novo coronavírus na capital. Como prevenção e seguindo as determinações do Ministério da Saúde, a Semulsp (Secretaria Municipal de Limpeza Urbana) suspendeu o serviço temporariamente.

“A medida é necessária para que se evite a contaminação das pessoas nos galpões de triagem ocupados pelos catadores”, justifica o secretário da Semulps, Paulo Farias. “Estamos protegendo a todos combatendo o avanço da pandemia”, acrescenta. 

A pouca ajuda que eles recebem da prefeitura mal dá para cobrir despesas básicas com alimentação, água e luz.  O município contribui com R$ 900 que são pagos em três parcelas de R$ 300. Os catadores estão na lista dos permissionários com direito ao auxílio, o que não acontece com os jornaleiros – a categoria reclama por estar ‘invísivel’ em relação à concessão desses benefícios. E passa por muitas dificuldades.  

Agora, os catadores de material reciclável correm atrás do auxílio emergencial de R$ 600 do governo Jair Bolsonaro (sem partido). Uma esperança cada vez mais distante. Pois, poucos conseguem ter acesso ao dinheiro. A liberação empaca no intrincado sistema burocrático da CEF (Caixa Econômica Federal), que vem prejudicando milhões de brasileiros cadastrados como candidatos a receber a verba.  

“Se essa pandemia se alongar por muito tempo, a gente não sabe o que vai acontecer. Sem a coleta, não podemos sobreviver. É a atividade de onde tiramos o nosso sustento diariamente, como mantemos nossas famílias”, afirma Antônio Delmo da Silva, 63 anos, dos quais pelo menos dez deles dedicados só a essa atividade.

Como Antônio, existem outros 22 catadores que sentem na pele o quanto é difícil sobreviver numa época de pandemia, que obriga o distanciamento social para muitas categorias consideradas de risco. Eles fazem parte da Associação de Catadores Eco-Recicla, uma das mais de 100 existentes hoje em Manaus.  

Levar o pão de cada dia para casa virou um grande desafio. Repetindo o bordão de um programa de TV, a classe conta que tem que se ‘virar nos 30’ para alimentar a família. É uma peregrinação no dia a dia, insistente, quem nem sempre tem um desfecho feliz.

“A renda da gente acabou porque não temos a matéria-prima para continuar trabalhando”, afirma Edna Maria, presidente da Associação de Catadores Eco-Recicla. “Não sabemos o que vamos fazer agora com essa situação”, lamenta.

Números

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), cada brasileiro produz 387 quilos de lixo por ano, em média, mas apenas 3% de todo esse material é reciclado. Com a pandemia, as perdas são grandes em termos de uma matéria-prima que poderia ser reaproveitada e dar origem a novos produtos. Mas acaba se perdendo no lixo comum.

A Semulps indica uma redução de 12% na coleta de lixo reciclável com a suspensão do serviço desde o início da pandemia de coronavírus. Em 2019, o total recolhido chegou a 12.455 toneladas. 

Foi registrada uma diferença de 11,7% das coletas regulares pela Semulps antes do isolamento social e depois do início das restrições- caiu de 2.453 para 2.165 toneladas.   

Nos primeiros quatro meses deste ano, a retirada de lixo de igarapés caiu 1,7% em relação ao mesmo período de 2019 – passaram de 3.898 toneladas para 3.832.

No ano passado, pelo menos 158 igarapés, córregos e orlas de Manaus receberam  serviços de limpeza, segundo a secretaria.

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