1 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Casos misteriosos de hepatite em crianças: o motivo, segundo especialistas

Nas últimas semanas, uma onda de casos misteriosos de hepatite começou a afetar crianças nos Estados Unidos e na Europa. Especialistas apontam que a condição parece estar associada com os vírus que causam sintomas do resfriado, conhecidos como adenovírus humanos (HAdV). Normalmente, esse tipo de agente infeccioso não causa complicações graves aos pacientes.

Segundo as autoridades de saúde do Reino Unido, 108 casos de inflamação súbita no fígado estão em investigação. Até o momento, a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (Ukhsa) contabiliza que oito crianças precisaram de transplante de fígado devido à hepatite misteriosa. Em média, a condição está afetando quem tem entre um e cinco anos.

Afinal, o que é hepatite?

Vale explicar que a hepatite é o termo bastante amplo, usado para descrever a inflamação do fígado. “Geralmente, é o resultado de uma infecção viral ou dano hepático causado pelo consumo de álcool”, detalha o Serviço Nacional de Saúde (NHS), no Reino Unido. Como as crianças não foram expostas ao álcool e nem a outras drogas, acredita-se que a causa seja um vírus.

Na medicina, são conhecidos cinco tipos principais de hepatite, como A, B, C, D e E. No entanto, nenhum deles, até agora, parece ter causado a inflamação do fígado observada nas crianças. É neste contexto que os especialistas buscam comprovar que um adenovírus está relacionado com os casos.

Qual a origem dos casos de hepatite em crianças?

As análises ainda estão em andamento, mas “o gatilho mais provável” dos casos misteriosos de hepatite em crianças é a infecção de um adenovírus, explica Susan Hopkins, consultora médica da Ukhsa, para o canal BBC. Isso porque 77% dos casos em investigação testaram positivo para alguma forma de adenovírus.

Sobre a questão das crianças transplantadas, a especialista lembra que “transplantes nessa faixa etária são extremamente raros, por isso, estamos preocupados e queremos entender por que isso está acontecendo e o que mais podemos fazer”.

Para que o comportamento da infecção tenha se modificado nas crianças, a equipe de pesquisadores britânicos sugere que o adenovírus possa ter sofrido uma série de mutações, o que provocou esta maior capacidade em gerar inflamações no fígado.

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