Casarão traz de volta a sétima arte para o Centro com nostalgia e clima vintage

Quem assistiu filmes nos cinemas do centro da cidade lembra das filas que se formavam do lado de fora do prédio, principalmente quanto o filme era dos bons. Deve lembrar, também, das vitrines onde se vendiam chicletes e bombons, das cadeiras de madeira. Aí vieram os shoppings, a partir de 1991, com suas modernas salas, e os cinemas do centro foram fechando as portas, um a um, quase dez prédios. Em menos de dez anos não existia mais nenhum deles.

Em outubro de 2017 o empresário João Fernandes resolveu ir de encontro a essa perversa lógica de que era o fim dos românticos cinemas do centro, principalmente pela falta de estacionamento, e inaugurou o Cine Casarão como um atrativo a mais dentro de seu Espaço Cultural Casarão de Idéias. Mais absurda ainda foi a iniciativa de só exibir filmes de arte, aqueles produzidos sem a intenção de lucro por parte do diretor. Agora, após 16 meses de inaugurado, e sem nunca ter deixado de manter a sua programação semanal, João comemora os números positivos do Cine Casarão.

Empresário João Fernandes aposta no nicho do mercado artístico

“A idéia inicial de abrir o cinema foi para agregar arte e cultura ao Espaço Cultural. Em qualquer grande capital do país os cinemas dos centros dessas cidades, também fecharam suas portas. E nosso objetivo sempre foi exibir cinema de arte, porque nossa sala tem apenas 28 lugares, e o público desse segmento é um público seleto, intelectualizado, que não assiste qualquer tipo de filme”, falou.

“Mas qual não foi nossa surpresa quando, ao completarmos um ano em outubro passado, fazermos um levantamento e verificarmos que quase 6.500 pessoas haviam vindo assistir a nossos filmes. Um número inimaginável, no começo”, destacou.

O destaque são as cadeiras

“No Casarão sempre funcionou um café, no andar de cima, mas aí eu notei que muitas pessoas vinham assistir aos filmes e diziam: Vou comer alguma coisa ali no Largo. Então, desci o café e essas pessoas passaram a tomar um café, com doces e salgados, degustar um vinho ou uma cerveja com petiscos, aqui mesmo, antes ou depois das sessões”, disse. “Passei a receber um novo público, de pessoas que vêm aqui somente comer ou beber alguma coisa, independente do cinema”, completou.

Para completar o espaço, João também desceu a biblioteca, que ficava no andar superior. São centenas de livros sobre as sete artes numa viagem pelos mais diversos assuntos. “Muitas pessoas degustam seu vinho enquanto lêem algum dos livros”, esclareceu.

“Exibimos uma média de dez filmes por mês, o que totaliza mais de 160 filmes nesses 16 meses de existência do Cine Casarão. O público é o mais variado possível, desde aqueles que costumavam vir aos cinemas do centro, a jovens da era dos shoppings, e é um público eclético no gosto. Tem gente que vem pelo filme, outros pelo diretor, ou ainda pelos atores”, informou.

“E se engana quem acha que Manaus não possui muitos cinéfilos, pessoas apaixonadas pelos filmes de arte. A Ancine (Agência Nacional de Cinema) possui um Observatório no qual é listado o público das salas de cinema no país que exibem filmes de arte. Ano passado, com apenas um ano de existência, o Cine Casarão ficou em terceiro lugar atrás do Instituto Itaú Cultural, de São Paulo; e do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, de Fortaleza, ambos localizados em galerias com diversos outros espaços culturais, além de terem uma grande sala de cinema, com assentos para dezenas de pessoas. Falando em assentos, o que mais chama a atenção no Cine Casarão, são as típicas cadeiras dos cinemas de outrora.

“As 28 cadeiras pertenceram ao Cine Vitória e eu as comprei na OLX. Quem um dia assistiu a filmes nessas cadeiras, e as vê aqui, fica maravilhado ao sentar nelas”, revelou.

Serviço

Casarão de Idéias – Cine Casarão

Rua Barroso, 279, centro – fone: 3633-4008

Sessões às quintas, sextas e sábados, às 16h30, 18h30, 20h30; aos domingos: 17h e 19h

Ingresso: R$ 10, (inteira)

As 1.116 poltronas do Cine Vitória

Edificado na avenida Leopoldo Peres, ao lado da Usina Americana e próximo à conhecida Baixa da Égua, no Educandos, o cine Vitória começou a ser construído no início de 1950.

A avant premiére somente ocorreu em 11 de dezembro de 1954. O Jornal do Commércio publicou que o empresário ‘Adriano Bernardino fará a inauguração hoje do Cine Vitória, no bairro de Educandos. O cine Vitória possui 1.116 poltronas, o que significa dizer que é o maior salão de projeção de Manaus’. O filme ‘A floresta maldita’, da Warner, estrelado por Kirk Douglas, em sessão das 20h e entrada a Cr$ 4,00 (quatro cruzeiros), inaugurou o Vitória.

Em julho de 1955, a empresa instalou a tela panorâmica.

Em outubro de 1959, o cinema teve suas instalações ampliadas, foi melhorado o sistema de ventilação e projeção, assim como se renovou a pintura da fachada.

No início de 1969, o grupo Bernardino interrompeu o funcionamento do Vitória para nova reforma, do palco, pintura nas paredes e aplicação de verniz nas cadeiras, além de melhorar o sistema de som e de ventilação.

O fechamento do Vitória ocorreu no ‘Dia do Trabalho’, 1º de maio de 1973, deixando vários desempregados. Projetou o filme ‘Comandos’, para uma platéia de pouco mais de dez pessoas.

Fonte: Ed Lincon Barros, historiador

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