Casa de Chico une todas as artes

A união faz mesmo a força. É partindo deste princípio que artistas de vários segmentos estão juntando seus talentos e investindo numa nova (pelo menos aqui em Manaus) forma de transformar arte em negócio através do compartilhamento de espaços. Egressos dos cursos de artes das universidades locais, eles não perdem tempo pedindo apoio financeiro das administrações públicas. Se vier, o dinheiro será bem-vindo. Mas dificilmente vem. Por outro lado, esses artistas, jogados aos montes no mercado local, preferem arriscar por aqui mesmo a enfrentar os grandes centros, no Sudeste, também já abarrotados de artistas como eles, em busca de uma chance.
O portovelhense Francis Madson se formou em dança, na UEA, e em teatro, na UnB (Universidade de Brasília), em 2012. Junto com os amigos Denis Carvalho, Felipe Maia e Israel Castro, em 2013 montou a companhia de teatro Soufflé de Bodó Company, hoje acrescida de Ruan Viana e Carol Sant’Ana. Atualmente, em parceria com Denis e Ruan, Francis administra o espaço Casa de Chico, na av. Joaquim Nabuco, 346, numa casa que, à primeira vista, não chama a atenção, mas que em seu interior (ela não é larga, mas é bastante comprida) abriga diversas vertentes culturais.
“Casa de Chico é uma homenagem ao primeiro espetáculo da Soufflé, ‘Casa de Francisco’, encenado por nós em 2014”, contou Francis.
Ainda em 2014 a companhia encenou a peça infantil “Herói” e, no ano passado, “Curuminzado”. Também, em 2015, pela primeira vez a Soufflé conseguiu patrocínio, do Sesc Rondônia, para uma de suas peças, a peça de rua “Dragões de Macaparana”. “Fizemos 52 apresentações, nos 52 municípios de Rondônia, durante dois meses”, falou.

Sucesso na exposição de Hipz

Foi então que a Casa de Chico começou a mostrar que, apesar dos espaços reduzidos, tinha lugar para as artes que nela procurassem abrigo. Das mentes iluminadas de Francis, Denis e Ruan surgiu a ideia de abrir o espaço para todas as artes. A sala de visitas virou um ambiente onde móveis fora do convencional chamam a atenção. Mesa de centro de paletes, mesa e cadeiras formadas por barris de metal de suco de laranja, e cadeiras que pertenceram aos antigos cinemas de Manaus, todas de madeira. As paredes estão repletas de quadros dos mais variados estilos. Falando em paredes, as paredes do corredor viraram a área onde os quadros dos artistas são expostos. Quem, este ano, estreou o espaço foi Hipz, apresentando seus trabalhos com grafite. “A exposição de Hipz foi um sucesso. Trouxe 15 quadros e vendeu dez. Em breve estaremos organizando outra exposição dele”, adiantou.
Tão satisfeito o artista ficou que, numa das paredes da Casa, grafitou mais uma obra sua, um imenso rosto de Billie Holiday.
Ao final do corredor, uma pequena sala onde, originalmente deveria ser a sala das refeições. “É aqui que tudo ocorre, peças de teatro, shows musicais, exibição de filmes… Só fazemos afastar as mesas e cadeiras e o espaço para as apresentações está pronto”, disse.
No local já se apresentaram Sinésio Rolim e Jander Manauara, as bandas The Stone Ramos, Alaídenegão, Dona Celeste e Erumtrio, apenas para citar alguns.
“E não fazemos discriminação de estilos. Aqui o espaço está aberto para todos os ritmos. Já tivemos grupos de pagode, de samba, hip hop, funk. Todas as tribos são bem-vindas. Você precisa ver como o espaço, que cabe em torno de 40 pessoas, fica quando tem show. Agora pretendemos unir tribos, tipo show sertanejo com funk”, riu.

Uma casa híbrida de artes

Quanto ao cinema, “começamos exibindo filmes para GLS, depois do ator, drag queen, modelo, autor e cantor americano RuPaul. São sempre filmes alternativos”, esclareceu.
Os ingressos para os shows de música e teatro custam R$ 15, e para o cinema, R$ 2. “As pessoas se acostumaram a ter espetáculos gratuitos, em Manaus, mas esses artistas só ganham quando têm apoio de governos. Os que não conseguem esse apoio, e não são poucos, precisam sobreviver da arte, e nossos preços são bem populares”, explicou.
Para Francis, a Casa de Chico não é um centro de cultura, “onde tudo deve funcionar certinho, bonitinho, com regras. Somos uma casa híbrida de artes, que serve para ações culturais. Aqui são realizados ensaios, encontros, bate-papos. Pessoas vêm aqui apenas para ler seus livros com tranquilidade, outras vêm tomar um bom vinho ou um café com tapioca, que fazemos aqui na cozinha”, explicou.
Atualmente a peça em cartaz na Casa de Chico é “Mãe in Loco”, baseada na peça “Mãe coragem e seus filhos”, de Bertolt Brecht, e encenada num dos quartos da casa. Enquanto isso a companhia ensaia “Alice músculo + dois”. “Todas as peças são nossas, escritas e dirigidas por mim e encenadas pela companhia”, falou. “E aceitamos propostas de quem quiser mostrar a sua arte, seja ela qual for”, concluiu. A Casa de Chico é, realmente, uma casa de mãe.
E Manaus está ficando repleta de outros espaços na mesma linha da Casa de Chico. Basta procurá-los nas redes sociais: Ateliê 23, Espaço das Cias, Casa do Centro, O Alienígena, Artrupe, Coletivo Difusão, Arte e Fato, Casarão das Ideias, entre outros.

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