Carros populares perdem participação nas vendas

Os carros populares vêm perdendo participação nas vendas no Brasil. A fatia dos automóveis 1.0 atingiu 46,2% do total em janeiro, igualando o patamar registrado em novembro de 2008, logo depois do agravamento da crise mundial.
De acordo com os dados divulgados ontem pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), os veículos com motorização entre 1.0 e 2.0 representaram 52,0% dos licenciamentos e os acima de 2.000 cilindradas, 1,8% do mercado.
Para o presidente da entidade, Cledorvino Belini, ainda é cedo para atribuir essa redução na participação dos carros populares no mix às medidas para frear os financiamentos no setor automotivo tomadas pelo governo federal no final de 2010. “Pode ser pontual de um mês, mas pode ser também (uma queda) em função da restrição de crédito. Em mais dois ou três meses poderemos chegar a essa conclusão”, afirmou.

Importados crescem

Outro motivo levantado por Belini é a maior participação dos importados nas vendas. Em janeiro, esses veículos -considerando na conta também comerciais leves, ônibus e caminhões- responderam por 23,5% do total emplacado.
As 57.560 unidades vendidas representaram um crescimento de 33,9% ante o mesmo mês do ano passado. Já os licenciamentos de veículos fabricados no Brasil tiveram alta de 10,0% nesse mesmo comparativo (187.313).
Vale lembrar que a maior parte desses carros são trazidos do exterior pelas próprias montadoras instaladas no país e, portanto, associadas à Anfavea, de acordo com a logística de produção de cada empresa.
Os principais países de origem são Argentina e México, devido a acordos comerciais para isenção na alíquota do Imposto de Importação, atualmente em 35%, o teto permitido pela OMC (Organização Mundial do Comércio).
Belini voltou a ressaltar que a maior preocupação do setor é com a competitividade do produto brasileiro no exterior. ‘Faz parte. O país não pode ficar fechado. Não é o fato de importarmos, é o fato de não exportarmos o suficiente’, disse. “Temos que ser competitivos para que o produto importado não afete a nossa produção e para estarmos presente nos outros países”.
A associação está elaborando um estudo com os principais gargalos do setor para negociar mudanças com o governo federal, que se tornaram mais urgentes com a valorização do real. A previsão é que esse levantamento fique pronto ‘em dois, três meses’, segundo o presidente da Anfavea.
Ocorre que, em dez anos, a estrutura de gastos de uma família muda muito e acaba deixando os indicadores defasados e os resultados, eventualmente, distorcidos. Esta é, de acordo com Heron do Carmo, uma das preocupações do Banco Central. Heron saiu muito satisfeito do encontro por ter visto na autoridade monetária vontade e disposição de receber e ouvir os coordenadores de pesquisa de preços no sentido de melhorar a qualidade das informações.
Para o professor da USP, o ideal era que este tipo de encontro ocorresse pelo menos uma vez por ano. “O trabalho de pesquisa de preços é muito solitário e o BC acabou abrindo um fórum para que pudéssemos compartilhar e debater nossas experiências”, afirma. Paulo Picchetti também diz ver com bons olhos a iniciativa do BC em se aproximar mais da academia e dos institutos de pesquisas de preços.

Produção bate recorde em janeiro

A produção de veículos no Brasil bateu recorde em janeiro, atingindo o melhor desempenho para o mês com a fabricação de 261.777 automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões e ultrapassando o volume contabilizado em 2008 (254,2 mil).
De acordo com os dados da Anfavea, houve acréscimo de 6,4% no confronto com janeiro do ano passado, mas redução de 9,1% ante dezembro.
Já as exportações somaram 53.607 unidades, com alta de 10,7% ante janeiro e de 5,8% no confronto com dezembro.
Em vendas (244,9 mil), janeiro apresentou expansão de 14,8% na comparação com igual intervalo no ano passado. Já no confronto com dezembro, os licenciamentos tiveram queda de 35,8%.
O número de empregados nas montadoras somou 118.599 trabalhadores ao final do mês passado, superando o patamar contabilizado em dezembro (117.654). Levando em conta também os funcionários em fabricantes de máquinas agrícolas, a indústria empregava 137.291 pessoas, também acima dos 136.124 registrados no mês anterior.

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