Capital tem baixo nível de sobrevivência

Mesmo sendo responsáveis pelo aumento do número de postos de trabalho criados no país, autonomia de trabalhadores e alavancamento da economia de algumas cidades e tendo número significativo no setor comercial, as pequenas empresas, segundo estudo feito pelo Sebrae em 2013, têm tido cada vez menos chance de sobrevivência. O estudo mostra que as taxas de sobrevivência nas capitais são menores que as médias dos Estados. Mas entre as capitais, Manaus figura na 26ª colocação em ranking que mede as melhores capitais brasileiras para se fazerem bons negócios no segmento, com baixo índice de sobrevivência das PEs (53,5%), ficando abaixo de Rio Branco (52,3%).
Outras cidades da região Norte estão melhores posicionadas na lista do Sebrae, como Macapá (21ª) e Belém (19ª). Boa Vista é a primeira capital da região a aparecer na lista. A taxa de sobrevivência encontrada foi de 72,1%. Foram analisadas 670 empresas. A taxa de Roraima está acima, com 72,6%. Em segundo lugar, com 818 empresas abertas, Palmas, no Tocantins, teve taxa de 71%. A média estadual é de 74,1%, abaixo da taxa nacional de 76%.
Com pouco mais de mil empresas avaliadas, Porto Velho apresentou taxa de sobrevivência de 69,2%, e ficou em terceiro lugar entre as capitais da região Norte. A média estadual é de 78%, segundo o levantamento.

Dificuldades: antigas conhecidas
Mesmo que os números atuais pareçam alarmantes, as dificuldades do setor há muito vêm sendo estudadas. É o que mostrava a dissertação de mestrado “Fatores gerenciais que influenciaram na mortalidade das micros e pequenas empresas comerciais de Manaus entre 1995 e 1997” publicada pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) em 2000 e em livro em 2011 pela Editora Insular. De autoria de Plínio César Albuquerque Coelho, o estudo mostrava que os fatores gerenciais (mercadológicos, de administração contábil-financeira, de recursos humanos, de tecnologia da informação e de planejamento) da forma como utilizados pelos proprietários-gerentes, contribuíram para a mortalidade das micros e pequenas empresas comerciais.
Quase 20 anos depois do estudo e 15 de sua publicação, os fatores responsáveis pela mortalidade das pequenas empresas, são praticamente os mesmos, explica a presidente da AJE-AM (Associação de Jovens Empresários do Amazonas), Ananda Carvalho. “Pouca coisa mudou, há muito discutimos isso. Entre os fatores citados na pesquisa, ainda posso colocar a falta de uma cultura empreendedora. É necessária educação de base para sermos mais empreendedores, principalmente entre os jovens. Quando se pensa em investir em um negócio próprio, existe confusão, por não haver apoio, para o início, meio e fim dos trâmites de abertura. Após a abertura não há fomento e acompanhamento. São esses erros que devemos evitar para aumentar as taxas de sobrevivência no segmento”, disse.

Propostas
Com o objetivo de disseminar a cultura empreendedora nas instituições de ensino públicas e privadas, desde o ensino fundamental até o ensino médio, foi criado pelo Conaje (Confederação Nacional dos Jovens Empresários) em parceria com a OPEE (Orientação Profissional Empregabilidade e Empreendedorismo), o projeto Empreendedores do Futuro, citado por Ananda Carvalho. “Será uma forma de orientar o jovem empreendedor quando este for abrir sua empresa, acompanhando-o pós-escola. Outro projeto é o ‘Minha Primeira Empresa’, da AJE-Goiás. O projeto visa identificar, incentivar e desenvolver o perfil empreendedor e vocações dos participantes, por meio de cursos, palestras e testes psicológicos de aptidão ao empreendedorismo. Pensamos em trazer este para Manaus, mas nossa associação é propositiva, para pôr em prática é necessário apoio do Estado e do município”, conta.
A AJE-Am vem tentando implantar projetos do tipo no Amazonas e principalmente na capital, mas tem esbarrado na falta de agenda. “Estamos tentando conseguir espaço, mas como estamos em ano de Copa do Mundo e Manaus é uma das sedes, não temos espaço na agenda fiscal. Logo poderemos prestar estes serviços para as PMEs, desde a abertura até a ida às agências de fomento, como a Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas) e instituições bancárias, mas precisamos de apoio das secretarias e outras instituições para isso” conta a presidente da AJE-AM, lembrando que o projeto goiano tem apoio do governo do Estado de Goiás e da Secretaria de Estado de Indústria e Comércio daquele Estado.

Capital x interior
De acordo com o levantamento do Sebrae, as taxas de sobrevivência nas capitais são menores que as médias dos Estados. Isso acontece pela maior oferta de negócios e também pelos custos mais altos para manter a empresa. A taxa de sobrevivência das pequenas empresas em Manaus foi de 53,5%. Segundo o levantamento, 3.765 empresas foram constituídas em 2007. Este percentual está abaixo da taxa estadual, de 59,5%. “Mesmo com essa diferença entre capital e interior, não há o que se comemorar. Ainda é um número alto, é uma questão de proporcionalidade, basta ver o tamanho de Manaus se comparada as cidades do interior”, fecha Ananda Carvalho. Ainda de acordo com a pesquisa, o perfil socioeconômico de uma cidade pode ser determinante para o sucesso de um negócio.

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