Capacidade instalada aponta crescimento

O uso da capacidade instalada da indústria metalúrgica amazonense teve crescimento pelo segundo mês consecutivo, registrando o maior patamar do ano, de acordo com dados da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgados no último fim de semana. Apesar da recuperação no uso da capacidade fabril, indicadores como emprego e faturamento real no setor ainda permanecem negativos.
Em abril, segundo a CNI, a indústria utilizou 79,2% da capacidade, alta de 0,4% na comparação com março, quando esse percentual atingiu os 78,8%. O índice indicou redução nos níveis de estoques, o que gerou necessidade de retorno à produção para atender a demanda, principalmente do setor de duas rodas, principal rota de consumo.
Do volume global, praticamente 32% seguiram para as montadoras, ficando o restante diluído entre as indústrias da construção civil (27,1%) e naval (11,3%), entre outros.
Em entrevista ao Jornal do Commercio, o gerente-executivo de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que ainda não há como assegurar o retorno à sólida trajetória rumo à recuperação econômica de vários setores e que por isso deve ser esperada uma alternância entre variáveis positivas e negativas nos seis próximos meses. O dirigente revelou ainda que, mesmo ampliado o uso do parque industrial durante o mês de abril, os números atuais ainda permanecem abaixo dos níveis recordes observados no ano passado. “Só para se ter uma ideia dessa comparação, em abril do ano passado, a indústria operou com 83% da capacidade. A demanda maior ficou por conta da indústria de motocicletas, que absorveu praticamente 40% disso”, explicou.
O atual desempenho da metalurgia, enquanto um dos principais vetores de análise do crescimento da economia em Manaus, mostra um processo de transição do setor industrial, com o resultado situado entre a queda abrupta do quarto trimestre do ano passado e uma recuperação, que ainda não está delineada. Pelo menos na opinião do presidente do Sinmem (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Manaus), Athaydes Félix Mariano, que condicionou o retorno do ritmo das contratações no setor ao aumento de pelo menos 10% na capacidade fabril. “Não há como negar a estabilização econômica que retorna em passos lentos, mas a evolução da mão-de-obra não será proporcional ao aumento da produção. Pelo menos até a segunda metade do próximo semestre”, revelou.
Dados da Suframa (Supe­rintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que o faturamento que mede, entre outras coisas, o total de vendas efetuadas avançou em abril 13,02% na comparação com março, livre da influência sazonal. Em abril, ainda de acordo com a Suframa, o setor fechou com US$ 148.89 milhões, enquanto em março esse volume atingiu pouco mais US$ 131.73 milhões. Os dados da Suframa apontam ainda que, ante o mesmo mês do ano passado, encerrado com US$ 189.97 milhões, a queda no faturamento em abril foi de 21,62%.

Emprego registra queda

Por outro lado, os indicadores industriais da Suframa apontaram que o emprego, sem a sazonalidade, teve a quarta queda consecutiva, 1,1%.
Na análise do economista Álvaro Smont, para compensar a queda acumulada no ano e levar a um crescimento zero em relação a 2008, de maio a dezembro será necessário um crescimento de 2,7%.
“A deterioração no emprego gera reflexos nos salários pagos aos trabalhadores: com mais gente procurando emprego, menor é a remuneração oferecida e menor é o poder de compra do trabalhador”, considerou.
A opinião do especialista tem fundamento, já que tanto CNI quanto Suframa apontam redução da massa operária em 2,9% em abril ante março.
Para Castelo Branco, ainda é impossível verificar uma tendência para a produção industrial, devido à heterogeneidade na situação da capacidade ociosa, que caiu em 17 setores industriais, se comparado o mês passado com abril de 2008, mas teve queda menor do que a verificada em março, comparado a março do ano passado.
“Por esses fatores dizemos que estamos em transição, para uma possível recuperação só no segundo semestre”, finalizou.

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