Cancelamentos afetam o setor turístico do Amazonas

As atividades relacionadas ao turismo receptivo na capital estão enfrentando demanda reduzida mesmo após a retomada. Neste primeiro momento, o Amazonas ainda permanece com a missão de ajudar o turismo local a reagir. Nos últimos dois meses o setor não apresentou aumento na procura por pacotes. Apenas os hotéis de selva registraram um leve incremento, mas nada  muito significativo. 

Como se não bastasse o baixo fluxo, o setor ainda enfrenta o cancelamento de reservas que estavam programadas para os meses de outubro e novembro devido o anúncio de uma segunda onda da Covid em curso. ”Eu tive quatro cancelamentos que estavam previstos para este mês. Nós estamos muito preocupados porque nós tínhamos visto uma luz no fim do túnel na procura pelo ecoturismo, mas quando começou a ser divulgado uma segunda fase da doença no Estado, os clientes passaram a solicitar a suspensão”, afirma a vice-presidente de turismo receptivo da Abav-AM (Associação Brasileira de Agências de Viagens),  Gloria Reynolds. 

Ela reitera que os respectivos meses que poderiam trazer efeitos de crescimento para o turismo regional estão sendo frustrados. “Essa especulação em torno da Covid nos prejudicou muito. Não temos notícias de que pessoas que estão realizando  pequenos tours, em hotéis de selva, estão sendo contaminadas. Portanto, na realidade, essa notícia por meio dos veículos de comunicação somente prejudicou o setor, culminando nos cancelamentos dos serviços”, constata.

Ilson Rogério, diretor Executivo da Rogertur Agência de Turismo receptivo, confirma a baixa procura. E diz que ainda existe muito receio dos turistas em fazer alguns passeios. Em julho, quando foram liberadas as visitas em alguns pontos turísticos no Estado, o setor começou a reagir, mas ele diz que o aumento dos casos da Covid-19 aliado ao novo decreto do governo, impactaram as atividades gerando mudança brusca no comportamento do turistas. 

“Durante essa pandemia quando não se podia viajar para outros Estados e países, lançamos um projeto chamado ‘Turismo Raiz’ em parceria com o Sebrae. A ideia era incentivar o turismo local com os próprios moradores daqui, que ainda não fazem questão de valorizar os potenciais do turismo regional. E isso dificultou na retomada. A Amazonastur também lançou várias campanhas para motivar o interesse de quem mora na região. Pois entendemos que a retomada das atividades do setor também depende da atenção e carinho do morador. Mas os efeitos não foram os esperados”, lamenta.

Na outra direção

Embora a crise da pandemia tenha afetado fortemente os negócios turísticos,  o vice-presidente da Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas), Orlando Câmara, descreve que a reação está sendo lenta e será instável. “É necessário lembrar que, tantos os mercados emissivos nacionais, quanto os mercados internacionais, sofrem instabilidades e variações em relação à infecção. Ainda há registro de aumentos de números de infectados em Estados brasileiros, bem como em estados norte-americanos e em países europeus, o que retarda a retomada efetiva da atividade turística, não somente para o Amazonas, mas para todos os destinos turísticos do mundo”. 

Apesar dos desafios ele reitera que a reação já acontece. “Basta acompanhar os dados de ocupação hoteleira em Manaus e de embarques e desembarques no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes”. 

Orlando Câmara cita também o Boletim Informativo do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, apontando que a ocupação hoteleira em Manaus variou, de 8,21% registrados em abril deste ano, no auge da pandemia no Estado, para 32,27% em agosto, demonstrando um crescimento de demanda efetivo.

Ele contesta a afirmação que o turismo receptivo local não apresentou reação nos últimos dois meses e não traduz o que mostram os números. “De acordo com o presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), Roberto Nedelciu, o Amazonas tem figurado entre um dos destinos mais procurados por turistas nesta pandemia”. 

Ele diz que é óbvio que uma possível segunda onda da pandemia no Estado, amedronta o mercado consumidor. “Tanto assim que já fizemos inclusive vídeos para o segmento de pesca esportiva, que tem sua temporada na calha do rio Negro agora, a partir de outubro, para mostrar a realidade de dados, inclusive com envio de boletins epidemiológicos da Fundação de Vigilância em Saúde. Tivemos também algumas viagens de inspeção do produto por operadores de fora, que nos deram um feed back bastante positivo. Entretanto, o resultado final só poderá ser mensurado com o tempo, de acordo com o fluxo receptivo registrado”. 

Ele aproveitou para frisar que está em andamento, há uma semana, da campanha “Amazone-se” nas redes sociais, que causou um impacto positivo à imagem do destino muito superior ao esperado. Essa primeira fase da campanha durará 90 dias. A empresa está avaliando regularmente os resultados para ajustar o planejamento.

“Notamos, com o início da campanha, a adesão de vários formadores de opinião nacionais do segmento turismo à geração de uma imagem positiva ao produto turístico Amazonas, entre eles Ricardo Freire, um dos mais importantes do país, que publicou recentemente em seu “Viagem na Viagem” que o Amazonas e a Amazônia são uma excelente opção aos brasileiros às viagens internacionais, temporariamente suspensas”. 

Saiba mais

A nova página Visit Amazonas (www.visit-amazonas.com), recém lançada pela Amazonastur, dá um suporte aos interessados em viagem, reposicionando o destino e ampliando o menu de atrativos turísticos do Estado.

Importante destacar que a Amazonastur elaborou 8 diferentes protocolos de biossegurança exclusivamente para o segmento turístico, disponíveis por meio digital ou físico, e que ela os vem aplicando junto ao empresariado do setor desde o início do relaxamento do distanciamento social, em junho último. Semanalmente, realizamos sensibilizações e fiscalizações em áreas de grande movimentação turística, com o objetivo de tornar a visita mais segura a quem vem ao Amazonas.

O representante da entidade reforça que o setor deverá ter um crescimento lento mas constante e que o possível retorno a patamares de visitação de janeiro de 2020 só se dará efetivamente no quarto trimestre de 2021, com o advento de uma vacina que alcance o mundo inteiro.

Por dentro 

Os números de embarque e desembarque no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, segundo os dados oficiais da Infraero, demonstram um crescimento efetivo de passageiros no Estado. O crescimento médio foi de 58% no volume de embarques entre maio e agosto, e de 78,18% nos desembarques, nesse mesmo período. A variação positiva nos embarques de agosto em relação a julho é de 55,38%, enquanto que nos desembarques foi de 59,23%.

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