Caminhos da tecnologia e do sucesso

O universo nerd (ou geek, numa definição mais atual e menos pejorativa), há tempos é um dos setores que mais emprega e rende bons negócios. Trabalhar em atividades tipicamente nerds, já é algo muito mais comum do que se pensa, fazendo do cyber provérbio “o nerd de hoje é o chefe de amanhã” (retirado de uma campanha anti-bullyng que viralizou no mundo todo) algo real. E é assim, de forma viral que essa cultura tornou-se assunto de várias publicações, passando a ser encarada com mais respeito ao ser identificada como um nicho que movimenta milhões (de dólares e pessoas) ao redor do mundo, com eventos tão bem estruturados quanto as maiores feiras setoriais (Campus Party Brasil é um exemplo), produtos licenciados e séries sobre o tema.
O sucesso do mercado geek justifica a migração de milhares de jovens para o lado nerd da força, buscando no ‘agora’ a qualificação em profissões do futuro. Essa mudança de comportamento é atestada pelo administrador Moisés Branco. “Esses jovens que antigamente eram chamados de nerds, de forma pejorativa, agora se orgulham da denominação. O sucesso vem do fato destes terem uma mente orientada a colaboração e inovação. A característica de ter facilidade e afinidade com tecnologia é só o que aparece na primeira vista, daí a antiga visão que se tinha”, afirma Branco que faz parte da equipe campeã do Startup Weekend Manaus 2016 com o projeto Cultura na Caixa, e é consultor de marketing digital na o2o Marketing Digital.
Para o administrador, o nerd é alguém que, além de consumidor de tecnologia, também inova e empreende. “Unindo isso ao fato de que todo mundo já pensou na vida em ter um negócio, os nerds de hoje com as suas startups e outros negócios movimentam um mercado de milhões, pois vai muito além de sites e tecnologia. Eles aquecem o mercado de jogos, revistas em quadrinhos, camisetas, artigos de decoração com temática nerd/gamer/pop/geek, e muito mais”, afirma.
O negócio criado por Branco e sua equipe, o Cultura na Caixa é um exemplo de que ir além de tecnologia, expande ainda mais o universo nerd. “Criamos um clube de assinatura de experiências culturais, com foco, mas não se restringindo na cultura local, ou seja, todo mês o assinante recebe em casa uma caixa surpresa com itens como livros, itens de culinária regional, guia de eventos, ingressos de eventos locais ou até cinema”, resume o empreendedor. Para Player Games Festival (aberto na última sexta-feira) que encerra no domingo (29), a Cultura na Caixa oferece um combo de cultura geek como camisetas, HQ graphic novel e aula de música grátis, com bolsa de 30%, para quem quiser continuar estudando.

O futuro agora

Manaus sempre foi identificada como um polo consumidor de games (a Zona Franca favoreceu esse mercado) e nos últimos anos, passou a ser um polo desenvolvedor, seja de grandes players ou de ‘indies’. Pensando nisso, Fabrício Simões co-fundador da Play Games, empresa que desde 2012 traz a Manaus jogos, consoles e acessórios, dos lançamentos aos clássicos, promove o PGF (Play Games Festival) que pretende unir comércio e indústria.
“O PGF é uma ideia antiga. Depois de visitar em outro Estado uma feira de games, percebi que faltava levar ao evento os desenvolvedores. A indústria tem de estar presente, assim como o comércio. Os eventos são sempre voltados ao consumidor final, falta unir quem faz a quem compra. É isso que teremos aqui. Traremos ao nosso espaço gamers e cinco jogos desenvolvidos e publicados em Manaus, seja por grandes players ou indies. Com o crescimento do desenvolvimento de games em Manaus, as profissões do futuro podem ser encontradas agora, em faculdades ou startups”, fecha Simões.

Preparação para o mercado de trabalho

Apostando no interesse do amazonense por tecnologia, a Gracom chegou à capital em 2013 e já formou seis turmas em Gamer Art e 12 em Open CG (Computação Gráfica). Para o gerente da escola, Renato Leão, o mercado de trabalho para nerds é sempre promissor. “Temos egressos da Gracom atuando em TVs, agências de publicidade, estagiando em grandes empresas e instituições de ensino e alguns que já abriram seus próprios negócios. A procura por se estabelecer nesse mercado traz à escola, do simples curioso que se descobre, ao profissional que precisa de mais qualificação, passando por quem sonha em ter um emprego na área”, finaliza Leão.
A qualificação para esse mercado emergente é promovida por quem entende do assunto, conta o instrutor da Gracom, Hérilton Júnior, que também é bacharel em design e desenvolvedor de games. “Todo esse mercado voltado ao universo geek carece de qualificação. Youtubers, gamers, hackers, crackers, todos precisam de conhecimento específico e Manaus vem apresentando bons profissionais nestes segmentos”, conta o instrutor que tem um jogo desenvolvido. “Ainda não penso em escaloná-lo para o mercado e lançar comercialmente. Fiz por hobby”, disse.

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