Camelódromos terão R$ 45 milhões

Um grupo de mais de 800 camelôs estiveram presentes em reunião realizada ontem, no auditório da prefeitura de Manaus e apresentaram propostas contrárias a de Parceria Público-Privada para a construção dos CCP (Centros de Compras Populares), previstas no Promanaus (Programa de Reestruturação do Centro Histórico). Visando um acordo, o prefeito Arthur Neto (PSDB) anunciou que a prefeitura disponibilizará R$ 45 milhões aos camelôs para financiar a construção de shoppings populares.
O dinheiro virá do Fumipeq (Fundo Municipal de Fomento a Micro e Pequena Empresa) e estava sendo economizado pela prefeitura desde janeiro. “Seguramos para que esse dinheiro não fosse gasto e pudesse servir como solução para esse projeto. Queremos dar uma solução definitiva para essa questão”, explicou Arthur Neto. Outra proposta anunciada pelo prefeito é de que o pagamento fosse feito em 90 meses, que começariam a ser pagos apenas após 7 anos e meio.
A ideia foi muito comemorada pelos camelôs presentes no local que buscam alternativas para não serem obrigados a pagar aluguel e outras taxas para continuar exercendo suas atividades. “É muito importante e bom para categoria. Foi uma proposta que agradou a cada um de nós, pois teremos algo que pertencerá a nós e não a empresários. Ele mostrou que está do lado da gente. Creio que todos saíram daqui realizados hoje”, comentou o camelô Vanderlan Gil de Souza.
De acordo com o antigo projeto da prefeitura, os donos dos prédios onde seriam construídos os boxes para os camelôs ficariam responsáveis pela obra e cobrariam dos camelôs taxas referente à locação. Idéia que não é bem vista pela maioria dos camelôs. O secretário para Requalificação do Centro de Manaus, Rafael Assayag, explica que foi feita uma pesquisa aonde se detectou que a maioria dos camelôs não se sentia atendida no antigo projeto.
“A prefeitura detectou que havia uns grandes percentuais de vendedores que não se viam atendidos em um projeto que tinha escada rolante e um conforto maior. Precisavam de um shopping em que eles pagassem prestação e não aluguel. Nós temos duas alternativas, a privada com mais luxo, para o camelô que achar que é justo. E a pública, alternativa própria, em que o camelô compra a banca e fica com ela para si mesmo, pagando prestação e não aluguel” explicou Assayag.

Previsão de cem dias

Os novos projetos para os camelódromos devem ser apresentados em 100 dias. Rafael Assayag explica que esse é o prazo máximo para serem definidos os locais junto às entidades, associação dos camelôs e sindicatos. “Já fomos a campo. Estamos buscando delimitar isso e partir para fase de compra, desapropriação e outras pendências. Temos 2.082 camelôs para serem locados”, comenta.
O secretário afirma que serão disponibilizados quantos locais forem preciso para atender a demanda. “Se forem cinco espaços, serão cinco espaços, se forem necessários 10 espaços, serão 10 espaços. A maioria deve permanecer no centro, mas alguns deverão ficar nos bairros” explica. A perspectiva da Avacin (Associação dos Vendedores Ambulantes do Comércio Informal do Estado do Amazonas) é de que sejam necessários até seis espaços.
Representante do conselho fiscal da Avacin, Josane Dias, comemorou o resultado da reunião e afirmou que a medida livra os camelôs das mãos dos empresários. “Todos os camelôs estão muito felizes com essa proposta que é o sonho do camelô. Queriam jogar o camelô nas mãos dos empresários. Hoje nós podemos chegar a um consenso com o prefeito e fazer nosso próprio shopping, pagar o Box e se tornar nosso. Esse é o sonho de qualquer pai de família. Ter o que é seu. Agora vamos trabalhar e fazer nossa parte” comemorou.
Outra proposta feita pelo prefeito Arthur Neto é de disponibilizar as secretarias municipais para auxiliarem na elaboração do projeto. A intenção do prefeito é de que todas pendências sejam resolvidas antes do prazo, considerado longo. “Eu vou colocar as nossas secretarias à disposição de vocês, a custo zero, até mesmo porque eles fazem parte da administração. Só peço que tudo fique pronto antes desses 100 dias pois precisamos aproveitar o verão para realizar as obras”, afirmou Arthur Neto.
A promessa do prefeito é de que o Implurb (Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano), auxiliará na elaboração do modelo estrutural do shopping, o sub-procurador geral do município, Rafael Albuquerque, tratará das questões dos contratos e o secretário para Requalificação do Centro de Manaus, Rafael Assayag, monitore e repasse as informações aos vendedores ambulantes.

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