Calheiros se diz vítima de excessos da democracia

A apenas dois dias da votação que decidirá se permanecerá ou não no Senado, o presidente da Instituição, Renan Calheiros, afirmou ontem ser vítima de “excessos da democracia”. Ele voltou a negar que vá abandonar o cargo em caso de absolvição e intensificou o contato por telefone com os 80 colegas com direito a voto na sessão da próxima quarta-feira.
“Se fui vítima dos excessos da democracia, nem por isso deixo de acreditar nessa mesma democracia. Nem duvido, que, acima de qualquer pressão duvidosa, acima de qualquer divergência partidária ou ambição política, irão pesar, sempre, o espírito público e a autonomia dos representantes do Senado”, disse em artigo intitulado “Cartas na Mesa”, colocado ontem na internet (www. senado.gov.br/ web/senador/RenanCalheiros).
Os “excessos da democracia” aos quais se refere seriam manipulação da opinião pública “por interesses inconfessáveis de setores da imprensa e de grupos paroquiais”. Renan ficou quase o dia todo em casa, no Lago Sul de Brasília, só saindo para ir ao escritório de seu advogado, Eduardo Ferrão. “Discutimos assuntos jurídicos, de sua defesa. Ele está confiante, com parcimônia”, disse Ferrão. No início da noite, um dos filhos do senador, Rodolfo, xingou, de dentro do carro, repórteres-fotográficos que estavam em frente à casa.
Estiveram na residência de Renan, Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, e o deputado Augusto Farias (PTB-AL), irmão de Paulo César Farias, tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Renan continuava ontem a ligar para cada um dos 80 senadores. A todos falava que encaminharia um memorial com os principais pontos de sua defesa e reafirmava ser inocente em relação às acusações de que se beneficiou de dinheiro de uma empreiteira. Além disso, convocou senadores para uma conversa pessoal nesta terça-feira.
No final da tarde, sua assessoria de imprensa afirmou que o senador “rechaça com veemência” a especulação de que teria aceitado renunciar à presidência do Senado em troca de não ser cassado. “Isso seria trair os 51 votos que recebi em minha eleição para presidente, além de significar uma assunção de culpa”. “Ele continua firme e decidido, em sua posição. Se estiverem os 81 senadores em plenário, Renan terá entre 50 e 60 votos”, afirmou Almeida Lima (PMDB-SE), um de seus principais aliados.
Caso seja cassado, Renan ficará inelegível por 11 anos, 4 meses e 19 dias, até janeiro de 2019, quando terá 63 anos. O senador completa 52 anos de idade no próximo domingo.
Os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e Eduardo Suplicy (PT-MS) apresentaram um projeto para tentar transformar a sessão de votação do processo de cassação do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), em aberta. Apresentado a menos de 48 horas da votação, o projeto precisaria de uma tramitação relâmpago para ter efeito, o que exigiria amplo acordo político entre os partidos. “Vamos tentar. Até a semana passada ninguém acreditava que a votação do Conselho de Ética seria aberta e foi. E, se não servir para esta, que sirva para a próxima”, disse Delcídio.

OAB-RJ condena mudança

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio de Janeiro, Wadih Damous, condenou a possibilidade de mudanças no regimento do Senado às vésperas da sessão plenária da Casa que vai votar a cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). “Isso não pode ficar ao sabor da conveniência de critérios políticos de maiorias eventuais. Se é uma questão de princípio e de valor republicano, deve estar encrustado no regimento de forma definitiva, não de forma casuística”, disse.
Delcídio Amaral e Eduardo Suplicy protocolaram na na Mesa Diretora do Senado projeto de resolução que torna abertas as sessões do plenário da Casa em votações de perda de mandato. O objetivo é aprovar o projeto em tempo recorde para permitir que a votação de cassação de Renan seja aberta. Damous afirmou que, por princípios, entende que nenhuma sessão no Parlamento deveria ser fechada ou s

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