8 de maio de 2021

Cai saldo de empregos no interior do Amazonas em janeiro

O interior do Amazonas começou 2021 emendando seu terceiro mês seguido com saldo negativo de empregos formais. Em números globais, os municípios registraram apenas 655 contratações, para 798 demissões, em janeiro. O resultado foi a eliminação de 143 postos de trabalho –número mais ameno do que o registrado em dezembro (-621) –e o decréscimo de 0,40% sobre o estoque anterior (36.103 vagas). Os dados estão na edição mais recente do ‘Novo’ Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

Foi diferente do ocorrido no mês anterior, quando os municípios responderam por menos da metade das extinções contabilizadas pelo Estado. Desta vez, os cortes passaram longe de Manaus, que gerou 2.199 vagas celetistas, no primeiro mês do ano. O desempenho da capital, por sinal, sustentou o saldo global do Amazonas (+2.056) em terreno positivo, no mesmo período.

O número de cidades amazonenses com mais admissões do que desligamentos não passou de 20, praticamente empatando com a estatística de dezembro (19), mas com resultados novamente irrisórios na maior parte das localidades –e com a geração de um único escasso emprego em grande parte delas. Ao menos 24 foram na direção contrária e as 17 restantes estagnaram –contra 30 e 11 no mês anterior, respectivamente.

Diferente do ocorrido com Manaus, a retração sofrida nas vagas celetistas de novembro de 2020 a janeiro de 2021 custou ao interior sua manutenção no campo negativo, no acumulado de 12 meses (série com ajustes). Enquanto a capital amazonense conseguia gerar saldo positivo de 11.037 vagas formais –superando novamente a média global do Estado (10.186) –, os municípios amargaram a eliminação de 851 empregos com carteira assinada, dado o predomínio dos desligamentos (10.587) sobre as admissões (9.736). 

Estoques e setores 

Entre as localidades que conseguiram contratar mais do que demitir, apenas duas conseguiram saldo de dois dígitos no número de vagas registradas na variação mensal: Humaitá (+21 vagas, com +1,04% sobre dezembro) e Eirunepé (+15 e +5,88%). Em contraste, o município que mais demitiu foi Coari (-89 e -6,36%), sendo seguido por Tabatinga (-26 e -0,95%), Maués (-18 e -0,91%) e Tefé (18 e -1%). 

No acumulado de 12 meses, 27 municípios do interior amazonense ficaram no azul e 31 no vermelho, enquanto dois estagnaram. Novo Airão (+64 ocupações e +29,77%), Codajás (+35 e +77,78%), Nova Olinda do Norte (+33 e +8,46%) e Parintins (+29 e +1,22%) alcançaram os melhores resultados absolutos. No outro extremo, a lista de destruição de empregos no interior amazonense foi liderada por índices de três dígitos: Manacapuru (-343 e -10,23%), Coari (-234 e -15,16%) e São Gabriel da Cachoeira (-109 e -22,29%). Rio Preto da Eva e Manaquiri pontuaram estabilidade.

Excluída a capital (386.955), os seis maiores municípios do Amazonas em termos de estoque de empregos com carteira assinada continuam respondendo por mais de 50% de todo o volume de empregos com carteira assinada do interior do Estado (36.103): Itacoatiara (4.673 ocupações), Manacapuru (3.010), Presidente Figueiredo (2.907), Tabatinga (2.711), Parintins (2.407) e Humaitá (2.034).

A base de dados do ‘Novo Caged’ informa que a destruição de 89 empregos, em Coari, foi originada no comércio (-80 vagas), na construção (-5) e em serviços (-4). O mesmo se deu em Tabatinga (-22, -2 e -2, respectivamente). Comércio (-9) e serviços (-8) também lideraram os cortes em Maués, que ainda sofreu baixa na indústria (-1). Em Tefé, o enxugamento de empregos veio de construção (-15) e serviços (-7), embora comércio e indústria tenham respondido pela criação de duas vagas, cada um.

Em contrapartida, os serviços (+17) –especialmente transporte, armazenagem e correio – sustentaram a geração de empregos em Humaitá, no primeiro mês de 2021, sendo seguidos por indústria (+2), comércio e construção (ambos com +1). Em Eirunepé, as atividades administrativas e serviços complementares (+11) fizeram a diferença, sendo seguidas de longe por comércio (+2), serviços de transporte, armazenagem e correio (+1), e construção (+1).

No acumulado de 12 meses, Manacapuru registrou a eliminação de 235 vagas celetistas em atividades administrativas e serviços complementares, sendo que as demissões também superaram as contratações na construção (-95) e na indústria (-56). Coari amargou cortes em praticamente todos os setores e só conseguiu registrar saldo positivo em atividades profissionais, científicas (+3) e técnicas, além de informação e comunicação (+3). A construção, por sua vez, puxou os saldos positivos de Novo Airão (+55) e de Codajás (+37), no mesmo período. 

Pandemia sem auxílio

Na análise do presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista, a combinação de segunda onda de pandemia com o fim abrupto do auxílio emergencial foi determinante para a eliminação de postos de trabalho formais no interior do Amazonas. Segundo o economista, as localidades se beneficiaram de uma injeção de liquidez correspondente a R$ 280 bilhões, ao longo de 2020, fator que acabou fomentando várias micros e pequenas empresas.

“Tivemos uma paralisação na injeção desse dinheiro extra na economia. Foi um recurso que fomentou vários pequenos comércios no interior, que acabaram empregando várias pessoas, no período. Coari vive de royalties e também sofreu com a pandemia. Manacapuru é uma cidade metropolitana e sofreu impacto negativo da capital. Não foi muito diferente no restante da Região Metropolitana de Manaus. Acredito que, no geral, o fim do auxílio emergencial foi o divisor de águas que acabou prejudicando essas empresas, uma vez que as pessoas ficaram sem esses recursos para fazer suas compras e seus gastos”, avaliou.

Marcos Evangelista lembra, por outro lado, que a realidade econômica do interior “já não era muito boa”, antes mesmo da primeira onda da pandemia. O presidente do Sindecon-AM observa que muitos municípios contam apenas com a própria prefeitura como indutor de empregos e que a iniciativa privada costuma não passar de pequenos comércios, nessas localidades. A segunda onda da Covid-19, contudo, tornou o cenário ainda pior.

“A coisa ficou bastante caótica. A gente espera que, após a vacinação em massa, esses números voltem a subir, com a reabertura de empresas fechadas e abertura de novos negócios. Fica sempre a preocupação que isso ocorra logo. Não estamos falando apenas de vidas, pois a economia também está sofrendo. Precisamos combater esse mal para termos geração de emprego e renda. Não só no interior, que está bastante sofrido, como também na capital, onde ainda há muita gente desempregada. Precisamos que as fábricas e o comércio voltem a funcionar normalmente”, finalizou.

Foto/Destaque: Divulgação

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