Café do Amazonas já faz parte da avaliação nacional da safra brasileira – parte 1

Ainda estava na ativa na Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB quando pude acompanhar o esforço inicial do agrônomo Pedro Benício, apoiado pelo ex-superintendente da regional do Amazonas, Antonio Batista, e dos técnicos do setor, Glenda e Humberto, tentando incluir o nosso Estado na avaliação nacional da safra brasileira de café. Posso afirmar que não é tarefa das mais simples em razão dos inexpressivos números do Amazonas no contexto nacional do setor agropecuário. Antes de ir para a Conab, Pedro Benício trabalhou por longos anos no IDAM, órgão que tenho enorme respeito, onde deixou saudades, e certamente foi no IDAM que o Pedro aprendeu a não desistir facilmente quando os obstáculos aparecem. Hoje, ao acessar o site da Conab, fiquei feliz em constatar que nas páginas 64 e 65 do “Quarto Levantamento da Safra Brasileira de Café/2017” estão registrados os números da produção do Amazonas. Isso é muito positivo. Decisão acertada do Governo Federal em incluir o Amazonas, pois não importa se a produção é pequena. Se ela existe, deve ser publicada, pois pode levar a diversas variantes positivas, inclusive atrair novos investidores. O atual gestor da Conab/AM, Serafim Taveira, que assumiu recentemente a regional local, assim como seu gerente de operações, Emanuel Farias, também tiveram papel importante nessa recente conquista que parece ser simples, mas não é. Parabéns a toda equipe da CONAB/AM. Jamais poderia deixar de registrar o apoio do IDESAM ao trabalho da Conab, e no apoio à produção de café no município de Apuí. O mesmo procedimento adotado pela Conab/AM com o café deverá ser adotado com o já confirmado retorno do cultivo de soja no Amazonas (colheita começa amanhã, em Humaitá), ou seja, incluir nosso Estado na avaliação da safra brasileira. Abaixo, e em duas etapas, divulgo a íntegra das informações sobre a produção de café no Amazonas incluídas no trabalho divulgado nacionalmente pela Conab.

Introdução
“O ano de 2017 foi marcado pelo avanço do acompanhamento da safra brasileira de café para o Amazonas, Estado que vem se destacando pela produção de café orgânico e pelas práticas agroecológicas utilizadas para o manejo da cultura. Assim, esse Estado passa a fazer parte do monitoramento realizado pela Conab com objetivo de mensurar os dados da produção nacional dessa cultura. Os números foram levantados em atividade de campo na região de Apuí onde há a maior expressão na produção de café nos estados e que possui unidade de processamento (torragem e moagem) para obtenção do produto finalístico”.

Histórico
“O plantio de café nessa região remonta há mais de uma década, quando os colonizadores do antigo assentamento, que deu origem ao município, trouxeram sua tradição de plantio de café de seus estados de origem, principalmente o Paraná. O sistema de plantio é prioritariamente familiar, caracterizado pelas pequenas áreas de plantio, pouca adoção de tecnologia e consequentemente com obtenção de baixa produtividade. Ao longo dos anos, a baixa rentabilidade financeira obtida pelo café desmotivou muitos agricultores a continuar com a atividade, sendo grande parte das áreas substituídas pela pastagem para a criação de gado extensivo. Uma nova perspectiva para a retomada do cultivo de café na região se deu em meados de 2008, com o início da adoção de práticas agroecológicas, principalmente do uso de consórcio com espécies arbóreas para sombreamento e fixação biológica de nitrogênio (leguminosas). Em 2012, iniciou um projeto, coordenado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), que preconiza a adoção de práticas agroecológicas no sistema de manejo. O projeto está caminhando para a certificação orgânica de um grupo de agricultores, como caminho para incremento da rentabilidade da atividade e da redução dos custos de produção. Práticas de manejo como adubação orgânica foliar, adubação orgânica do solo (compostagem), monitoramento de pragas e doenças e controle das plantas daninhas nas entrelinhas, com a possibilidade de uso de espécies de leguminosas como cobertura do solo, abrem a perceptiva de incremento da produtividade dessas áreas em até 30% para 2017. Todo o café cultivado no Amazonas é da espécie conilon, por conta da sua maior rusticidade e maior adaptação às condições de floresta tropical. A média estadual para esta variedade está muita abaixo da média nacional, enquanto que no restante do país a produtividade chega a 25 sc/ha a média do estado está estimada em 15 sc/ha. Porém, foram implantadas em 2015 três unidades de observação de café clonal da variedade BRS Ouro Preto em cultivo orgânico. As áreas das unidades de observação variam de 0,3 a 0,5 hectares, onde já foi realizada a primeira colheita em 2017, com o intuito de melhorar o rendimento da cultura no estado. A introdução de mudas clonais nas áreas da maioria dos cafeicultores se apresenta como o fator de grande esperança para a manutenção da atividade no município em razão da uniformidade da produção e da alta produtividade. Atualmente, o espaçamento adotado na maioria das áreas é de 3 m x 2 m, com aproximadamente 1.666 plantas por hectare. A colheita é realizada conforme o grau de maturação, quando a planta atinge acima de 70% de grãos maduros. Os produtores pertencentes ao grupo agroecológico recebem, em parceria com a empresa de cosméticos, um aporte de R$ 600,00 por ano, a título de pagamento pelos serviços ambientais relacionados ao plantio de espécies florestais em consórcio com o cafezal (leguminosas e espécies florestais – ingá, paruá, ipê etc.), que atuam no sequestro de carbono.”
Na próxima semana vamos divulgar as condições climáticas, condições da cultura, beneficiamento e comercialização.

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