Os bumerangues são famosos na Austrália onde os aborígenes os utilizaram por milhares de anos como arma de caça, mas não se sabe ao certo onde foram inventados, pois arqueólogos têm encontrado exemplares em diversos lugares do planeta, em diferentes continentes.
Em Manaus, não com a ideia de fazer uma arma, mas apenas um brinquedo para adultos, o artista plástico Leonardo Barreto, o Bokão, desenvolve bumerangues há quase 30 anos. Ele aprendeu com o pai, o também artista plástico Edir Barreto, já falecido. “Meu pai era um autodidata nas artes. Fazia de tudo. Da mesma forma nos desportos. Ele praticava arco e flecha, remo, canoagem e lançava bumerangues. E pesquisava, na época apenas em livros, sobre os apetrechos desses esportes. Foi assim que aprendeu a fazer bumerangues e me ensinou, quando eu tinha dez anos”, lembrou.
Bokão começou fazendo os bumerangues apenas por diversão. “Fazia aquele modelo tradicional, conhecido mundialmente, apenas para mim. Pegava qualquer madeira e, com um formão, construía as peças. Aí as pessoas começaram a ver e querer. Foi então que, em 2010, comecei a vendê-los, e até hoje não parei mais. Quando chego em algum lugar, como por exemplo uma feira, levando os bumerangues, vendo todos”, comemorou.
E Bokão se especializou. De um único modelo no início, ele faz hoje cerca de 180 formatos diferentes, entre eles, morcego, tucano, gavião real, gato, hélice de avião, o ABecedário completo e os mais variados desenhos que a aerodinâmica permita voar e fazer o bumerangue regressar ao arremessador.
Apesar de ser um brinquedo quase que exclusivamente para adultos, pelo fato de após ser arremessado voltar para seu atirador, podendo machucar, Bokão faz um modelo para crianças. “O normal mede seis milímetros de espessura, mas faço um com apenas quatro, de madeira leve, e que não representa perigo para as crianças, porém, os de madeira de lei, cedro ou marupá, tem o poder de uma arma, pelo peso e pela dureza da madeira”, explicou.

AULA RELÂMPAGO
Primeiro, Bokão desenha o modelo do bumerangue na madeira, depois corta, passa a grosa, usa lixa 60, passa duas mãos de selador, usa lixa 120, esmalte e verniz. Pronto, o bumerangue está no ponto para ser arremessado. “Cada modelo novo que criei, testei a funcionalidade. Como os desenhos são variados, os voos também são”, ensinou.
Os preços também variam. Os de quatro milímetros custam R$ 20; os de seis, R$ 30; e os de madeira de lei, R$ 50, e não faltam compradores e adeptos. “Atualmente muitos bumerangues podem ser comprados pela internet por preços até mais baratos que os meus, mas são de plástico. A qualidade é inferior aos de madeira”, disse. Sem falar que Bokão dá uma aula relâmpago sobre como segurar e atirar o bumerangue. “Não é de qualquer jeito não, se você quiser que o arremesso seja perfeito. Tem toda uma técnica, mas que você aprende rapidinho com as minhas aulas”, riu.
E se no mundo o arremesso de bumerangue já se transformou até em esporte, Manaus não fica atrás. Através da difusão do trabalho de Bokão, surgiu um grupo de aficionados por arremessar bumerangues, a “Bumerangolândia”, existente desde 2011 e que atualmente reúne cerca de 30 pessoas, inclusive com página no Facebook, onde são marcados os encontros para a prática dos arremessos. No YouTube também podem ser vistos vários vídeos das performances dos integrantes da “Bumerangolândia.” “Hoje nosso principal problema é a falta de espaço para atirarmos os bumerangues, mas à medida que mais pessoas se tornarem adeptas da prática, vamos nos empenhar em conseguir espaços específicos”, garantiu.

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