14 de maio de 2021

Brasileiros já vacinados podem não receber segunda dose no prazo certo

O pontapé inicial da vacinação contra a Covid-19 foi dado nesta segunda-feira (18). Porém, problemas sobre falta de insumos e dificuldades logísticas acendem dúvidas sobre a imunização contra o novo coronavírus, geralmente realizada com a aplicação de duas doses por paciente.

Diante dos atrasos na produção das vacinas, algumas questões começam a preocupar: a quantidade de doses disponível no país hoje é suficiente para atender pelo menos o primeiro grupo prioritário? Esse grupo conseguirá receber as duas doses recomendadas? Quais os riscos e consequências, caso não seja possível aplicar as duas doses?

O InfoMoney entrou em contato com especialistas e compilou os dados publicados para responder essas e outras perguntas.

Brasil: quantas vacinas temos hoje?

A situação atual é preocupante. Por enquanto, o Brasil tem acesso a 6 milhões de doses da CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O uso emergencial dessas doses foi aprovado no último domingo (17) pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O Butantan já entrou com um segundo pedido de uso emergencial, para aplicar mais 4,8 milhões de doses da CoronaVac que já estão disponíveis. Assim, seriam 10,8 milhões de doses.

A Anvisa também aprovou o uso emergencial de um lote de 2 milhões de doses do imunizante desenvolvido pela farmacêutica AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. As vacinas seriam importadas do laboratório indiano Serum, já prontas para aplicação. Embora o Brasil tenha sido excluído do primeiro lote de exportações, a Índia anunciou nesta quinta-feira (21) a liberação das exportações comerciais da vacina, que devem começar a ser enviadas ao Brasil nesta sexta-feira (22).

Mesmo que tenhamos 10,8 milhões de doses da CoronaVac e 2 milhões de doses AstraZeneca/Oxford vindas da Índia, as contas não fecham. Segundo o governo federal, os primeiros grupos a receber as vacinas são: trabalhadores da saúde (5,88 milhões), pessoas de 80 anos ou mais (4,26 milhões), pessoas de 75 a 79 anos (3,48 milhões) e indígenas com idade acima de 18 anos (410 mil). Esse grupo prioritário totaliza 14 milhões de pessoas. Só para essa parcela, portanto, seriam necessárias cerca de 28 milhões de doses. O total aprovado ou em aprovação –as 12,8 milhões de doses da CoronaVac e AstraZeneca/Oxford –não é capaz nem de cobrir na totalidade a primeira dose para esses grupos.

O intervalo de aplicação entre primeira dose e segunda dose é de 28 dias, segundo o PNI (Plano Nacional de Imunização). Logo, a aplicação da segunda dose aos vacinados em 18 de janeiro deveria acontecer em 15 de fevereiro.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), que produz a vacina AstraZeneca/Oxford no Brasil, espera entregar as primeiras doses ao governo brasileiro, com base em insumos chineses, apenas em março. A própria Fiocruz alertou nesta quinta-feira (21) para o risco de falta de vacinas, dizendo que a imunização de toda a população brasileira deve ficar para 2022. “Não tem vacina no mundo para todo mundo, vai faltar vacina”, resumiu, em entrevista ao jornal Valor Econômico, Maurício Zuma, diretor de Bio-Manguinhos, unidade técnico-científica da Fiocruz.

O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, apresentado em dezembro de 2020 pelo Ministério da Saúde, informava que o país estava em negociações para obter cerca de 354 milhões de doses. Além dos contratos já firmados (AstraZeneca/Oxford, CoronaVac e Covax Facility), o ministério afirmava que a pasta assinaria memorandos de entendimento com outros três laboratórios: Bharat Biotech, Moderna e Johnson & Johnson.

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