Brasileiros desenvolvem tecnologia para produção de “rosas flex”

Depois do carro flex, que permite ao consumidor escolher o combustível para abastecer o tanque, o Brasil agora terá rosas flex. Cada pétala pode ter cor diferente à escolha do freguês. A flor multicolorida é obtida por meio de corantes naturais colocados no recipiente com água e absorvidos pela planta, que redistribui as tonalidades em cada pétala.
Por enquanto, as flores flex serão importadas da Holanda. Mas a tecnologia começa a ser desenvolvida no Brasil. Em Minas Gerais, produtores já estão colhendo rosas bicolores, com pétalas mescladas em vermelho e amarelo. Ambas as novidades serão apresentadas na Expoflora, tradicional exposição de flores realizada anualmente em Holambra, na região de Campinas.
O importador das rosas multicoloridas, Michel de Graaff, da Hozilia Flores, de Holambra, conta que o produto foi lançado na Holanda no fim de 2006. O processo de coloração é mantido em segredo pelo produtor Peter van de Werken, dono da patente. “É um processo natural que não altera as características e nem o perfume”, disse Graaff. “O segredo não é tingir as pétalas, mas fazer com que cada uma tenha cor diferente.” A flor base é de cor creme.
Ele trouxe inicialmente um lote de 5.000 unidades para serem vendidas a R$ 15 cada durante a Expoflora. Dependendo da aceitação do público, a importação será ampliada. Na Europa, o próprio consumidor escolhe as cores da rosa, chamadas de arco-íris ou rosas alegres, que já atingiram vendas de 1,5 milhão de unidades. No Brasil, por enquanto, elas já virão coloridas, mas os visitantes da Expoflora poderão sugerir o nome a ser adotado no país. No vaso, a durabilidade da rosa é de 10 dias, em média.
“É uma flor muito alegre, ideal para festas”, disse Angela Maria Castilho Gomes, de 48 anos, que procurava hoje flores brancas para presentear uma pessoa que está doente. “Achei maravilhosa, super diferente”, disse Juliana Rico, de 27 anos, que foi à floricultura comprar rosas vermelhas. Marcos Alexandre, dono da Flores Dora, no Largo do Arouche, centro de São Paulo, nunca viu nada igual. Aos 33 anos, o engenheiro agrônomo contou que cresceu entre as flores. O avô entrou no ramo há 80 anos e ele é a terceira geração da família que assume o negócio de cultivo e vendas de flores.

O mercado de flores deve faturar este ano, entre produção e varejo, mais de R$ 3 bilhões, calcula o Ibraflor (Instituto Brasileiro de Floricultura). Com previsão de crescimento de 12% nas vendas, o segmento é fortalecido por eventos de exposição e venda.
Só na capital paulista e cidades próximas serão realizados quatro eventos paralelos. A Expoflora, na cidade de Holambra, que começa na quinta-feira, espera 300 mil visitantes. A Expo Aflord, realizada pela Associação dos Floricultores da Região da Via Dutra começou sábado e será realizada em três finais de semana com a expectativa de atrair 40 mil visitantes. A FiaFlora ExpoGarden, de 3 a 7 de outubro, na capital paulista, deve receber entre 20 mil a 25 mil profissionais e comerciantes. Também há a Festa de Flores e Morangos em Atibaia, a partir do dia 7.
A maioria dos eventos traz novas espécies de flores e plantas, algumas para serem testadas. Dependendo da aceitação do público, passam a ser cultivadas em grande escala. Boa parte das variedades é trazida do exterior, com pagamento de royalties, e passam por adaptação ao clima brasileiro. O Brasil, porém, já começa a ter um banco próprio de criações, protegidas por registro de patentes.
As rosas bicolores produzidas em Minas foram desenvolvidas na Holanda e trazidas ao país por Jan Zuijderwijk, da Assista. Já o produtor Luciano Van Der Hiyden introduziu em suas plantações em Holambra o que chamou de midi rosas, em tamanho intermediário entre as mini e as rosas normais. “Cultivamos mini rosas há mais de 10 anos, mas no mercado de flores somos pressionados a procurar novidades”, disse Hiyden. A produção atual é de 2.500 a 3.000 vasos por semana de rosas médias batizadas de Terrazza.

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