Brasileiros aquecem mercado dos EUA

Mesmo com a investida do dólar, brasileiros batem recorde de compras de imóveis nos EUA

O alto patamar do dólar não tem sido páreo para frear a compra de imóveis nos Estados Unidos pelos brasileiros, ou ao menos por aqueles que têm recursos para isso.
Nesta semana foi realizada a quinta edição da feira Investir USA Expo, que bateu seu recorde de público, com 2.500 participantes. Mas, o mais curioso é que a feira registrou um volume de negócios mais de três vezes maior do que no ano passado.
Em março de 2014, quando o dólar estava na casa dos R$ 2,30, a segunda edição da feira registrou uma movimentação de US$ 10 milhões. Nesta última edição, com o dólar a R$ 3,23 (cotação do dia 17/03), a feira movimentou US$ 32 milhões.
O volume de negócios desta semana também superou as movimentações registradas na quarta edição da feira, em novembro de 2014, quando os participantes gastaram US$ 15 milhões e a moeda norte-americana estava na casa dos R$ 2,50.
“Muitos negócios começam na feira e são fechados em até seis meses depois, então o volume de negócios pode ser infinitamente maior que esse. Com três horas de evento já tinha uma casa de US$ 300 mil dólares vendida”, diz Daniel Rosenthal, diretor da Investir USA Expo.

Insatisfeitos
Segundo Rosenthal, a insatisfação com a economia brasileira explica o interesse dos brasileiros no mercado imobiliário norte-americano, ainda que o momento não seja favorável para fazer compras em dólares.
“No primeiro dia de palestra, em uma sala cheia, com 400 pessoas, eu perguntei: vocês estão aqui para investir em imóveis, mas quantos de vocês têm o objetivo de comprar imóveis e morar lá fora? 90% da plateia levantou a mão”, diz o diretor da Investir USA Expo.
Ele argumenta que, mesmo com a alta do dólar, os imóveis norte-americanos são relativamente mais baratos do que os brasileiros.
“Enquanto os imóveis de dois quartos em bairros bem localizados custam 600, 700 mil reais aqui, lá é possível encontrar casas de três quartos por US$ 300 mil em condomínios fechados e com o acabamento pronto, com aquecedor, ar-condicionado e até móveis”, afirma.
O evento foi realizado na segunda e na terça-feira seguintes às manifestações contra o governo, realizadas no domingo, 15 de março. Para Rosenthal, os protestos impulsionaram o interesse pela feira.
“As manifestações incentivam as buscas de imóveis lá fora. Se a gente voltar alguns meses, existia uma insegurança sobre o que ia acontecer nas eleições. Agora, a presidente Dilma foi reeleita, as pessoas ficaram mais pessimistas e, aliado a isso, tem o escândalo da Petrobras”, diz Rosenthal.
Hernan Gleizer, CEO da Optimar International Realty Group, imobiliária de luxo da Flórida que atua também no Brasil, já não acha que as insatisfações com a presidente expliquem o maior interesse pelos imóveis nos Estados Unidos.
“Não é que eles não gostem da presidente Dilma, muitas pessoas na América Latina não concordam com a política econômica de seus governos, com a instabilidade da economia e a imprevisibilidade de seus países”, diz.
Para Gleizer, a compra de imóveis fora é mais uma questão de proteção do patrimônio e diversificação dos ativos do que um reflexo da irritação com o governo.
Ele avalia que os brasileiros que tinham intenção de fazer um investimento pequeno deixam de comprar imóveis nos EUA por causa da alta do dólar, mas a valorização do câmbio já não tem tanta influência sobre os compradores de classes mais altas.
“Muitos brasileiros compram imóveis nos EUA para diversificar os investimentos. Então, quem tem dinheiro, ao olhar a desvalorização do real, acha ainda mais interessante fazer essa diversificação. Muitos compram imóveis para obter renda de aluguéis em dólar e, nesse aspecto, a valorização do câmbio é positiva”, afirma Gleizer.
Ele acrescenta que, mesmo com o dólar mais caro, em algumas cidades, como em Miami, os preços dos imóveis são aceitáveis para os padrões brasileiros.

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