Brasil precisa de reformas e dívida menor

Para avançar mais um degrau em sua classificação de grau de investimento, o Brasil precisa lidar com os problemas em suas finanças públicas, o endividamento e o ritmo “glacial” em reformas importantes, como a tributária, a previdenciária e a trabalhista, além da questão da autonomia do Banco Central, disse na sexta-feira a diretora-sênior da agência de classificação de risco Fitch Ratings para ratings soberanos da América Latina, Shelly Shetty. A Fitch elevou a nota do Brasil de “BB+” para “BBB-”.
Embora o Brasil esteja diminuindo a distância de sua classificação em relação a outros países com “investment grade” baixo, ainda está atrás em relação a países com notas médias.
“O ambiente econômico favorável diminuiu o ‘apetite’ do governo por reformas como as da Previdência e a Trabalhista, além da discussão sobre a autonomia do Banco Central” disse Shetty, em teleconferência realizada na quinta-feira.

Finanças
públicas
Uma melhora na estrutura das finanças públicas -em particular no endividamento doméstico- e uma aceleração nas reformas que melhorem o potencial de crescimento do país seriam medidas positivas, segundo a Fitch. “Uma redução sustentada no endividamento é algo que esperamos, além de outras reformas que melhorem o potencial de crescimento do Brasil, de 4%, 4,5% para algo mais perto de 5%, 6%, o que se vê entre os outros países de grau de investimento baixo”.
Para a agência, no entanto, um fator que atenua esses pontos desfavoráveis é o fato de que o Brasil não é o único país com um grau de investimento baixo: outros nessa situação são, por exemplo, Índia, Marrocos e Hungria -países que também tem endividamentos altos.

Brasil agora pode receber recursos de grandes fundos

O Brasil também tem uma relação endividamento/receitas mais favorável que esses países -incluindo o México.
O grau de investimento é a classificação dada pelas agências de rating a países com poucas chances de deixar de honrar suas dívidas. Com a nota, o Brasil pode receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram o carimbo de bom pagador. Alguns desses fundos exigem ainda que pelo menos duas agências considerem o país “investment grade”, o que acontece a partir de hoje.

Entenda
a avaliação
O rating é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um ‘default’, isto é, de suspensão de pagamentos.
Para publicar uma nota de risco de crédito, os especialistas dessas agências avaliam além da situação financeira de um país, as condições do mercado mundial e a opinião de especialistas da iniciativa privada, fontes oficiais e acadêmicas.
O rating é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, a agência prepara o ‘rating’ desses títulos para que os potenciais compradores avaliem os riscos.
As agências, portanto, classificam debêntures, “medium-term notes”, títulos de dívida conversível, mas não ações.

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