Brasil e Venezuela em “território negativo”

Para FMI, o Brasil precisa melhorar o ambiente de negócios, educação e mercado de trabalho

A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, incluiu o Brasil no grupo dos países da América Latina com economias “em território negativo”, ao lado da Venezuela e do Equador. Questionada sobre o declínio da região, que pela projeção do Fundo deve sofrer contração de 0,3% neste ano, ela disse que é preciso evitar generalizações.
“Cada país tem a sua história, seu caso específico e requer conselhos específicos. Mas há pelo menos dois países em território negativo em termos de crescimento, Venezuela e Brasil são os principais exemplos”, disse Lagarde em entrevista coletiva em Lima, onde ocorre a reunião anual do FMI para discutir a economia global.
Pela projeção do FMI, o Brasil terá contração de 3% neste ano e a Venezuela de 10%.
“A América Latina é um mosaico diverso de países. Se olharmos para Venezuela, Equador e Brasil, podemos tirar certas conclusões que não se aplicam de modo nenhum a economias como Chile, Colômbia, México e Paraguai”, afirmou.
Ela mencionou como histórias de sucesso os países que adotaram “reformas que transformaram as economias”, como Chile, Peru, Colômbia e México. “Produziram reformas muito fortes que vão transformar para melhor suas economias”, afirmou. “O momento é um pouco difícil porque eles têm as reformas e ao mesmo tempo os preços das commodities estão mais baixos, mas os benefícios devem ser preservados”.
São países que puxaram para cima a média de crescimento da região projetada pelo Fundo para este ano: Colômbia, com 2,5%, Peru, 2,4%, México, 2,3%, e Chile, 2,3%.
Lagarde celebrou o fato de a reunião anual do FMI ser realizada na América Latina pela primeira vez desde 1967 (a última foi no Rio de Janeiro) e ensaiou algumas palavras em espanhol. Questionada por um jornalista o que diria às pessoas que consideram o FMI um “demônio”, ela disse que isso é coisa do passado.
“Se compararmos com 15 anos atrás, não é mais a velha América Latina e não é mais o velho FMI”, disse Lagarde. Para ela, os países da região estão hoje em situação muito mais sólida em termos fiscais, em relação a suas reservas e às ferramentas que tem à sua disposição. A relação do FMI com a região hoje é muito mais de “parceria” do que de imposição de “receitas” para a política macroeconômica.
Lagarde indicou que está interessada em permanecer à frente do organismo. Seu mandato termina no meio do ano que vem. “Esta pode ser minha última reunião anual, mas também pode não ser. Fiz o melhor que pude, mas a decisão não cabe a mim”, afirmou.

Folhapress

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