Brasil é um dos piores em microcrédito

O Brasil é um dos piores países da América Latina em ambiente de negócios para o microcrédito, apontou uma pesquisa divulgada pela Economist Intelligence Unit.
Num ranking de 15 países latino-americanos analisados pela instituição britânica, o Brasil ficou com o 12º lugar, atrás da Bolívia, Peru e Equador, que encabeçam a lista.
Outros países com modelos de desenvolvimento econômico semelhantes ao do Brasil, como Chile e México, também ocuparam posições relativamente baixas no ranking – oitava e nona respectivamente. Os últimos lugares ficaram com Uruguai, Venzuela e Argentina.

O estudo, intitulado Mi-croscópio do Ambiente de Negócios para Microfinanças, levou em consideração três indicadores para avaliar o acesso ao microcrédito, que são empréstimos de pequeno valor destinados a pessoas de baixa renda. Segundo a instituição, o setor de microcrédito vem ganhando terreno na América Latina nos últimos 15 anos, com crescimento de mais de 30% a.a. De acordo com o levantamento, numa escala de 100, o Brasil marcou 62,1 pontos no indicador “ambiente para investimentos”, ficando na segunda posição neste quesito.

No entanto, apesar deste resultado, o país teve baixas pontuações nos indicadores “sistema de regulamentação” (43,8 pontos), que avalia as regras para as operações de microcrédito, e “desenvolvimento institucional” (33,3), que analisa o leque de serviços prestados pelas instituições de microcrédito e o nível de competição no setor. O investimento em microcrédito é uma das prioridades do governo Lula. Em 2005, foi criado o Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, com o objetivo de incentivar a geração de trabalho e renda entre os microempreendedores e disponibilizar recursos para o microcrédito produtivo orientado.

No mês passado, durante seu programa semanal de rádio “Café com o Presidente”, Lula rebateu críticas de que governo estaria gastando demais e citou investimentos no setor de microcrédito. De acordo com o programa, em 2006 foram realizadas 828,8 mil operações de microcrédito produtivo que somaram R$ 831,8 milhões.

O levantamento feito pela Economist Intelligence Unit sugere que “o microcrédito pode ter sucesso em países com dificuldades para atrair negócios como um todo”, afirmou Steven Leslie, que liderou a pesquisa. “O estudo não revelou qualquer ligação entre o tamanho do país, riqueza e o ambiente para o microcrédito. De fato, países menores e menos prósperos ocupam quatro das cinco primeiras posições”, constatou Leslie. “A Bolívia obteve pontuação máxima no que se refere ao sistema de regulamentação do microcrédito, mas por outro lado marcou apenas 47 pontos quando se considerou o clima para investimentos nos país”.

Estímulo ao desenvolvimento

Representantes dos países latino-americanos analisaram na quinta-feira, em San Salvador, a política de microcréditos para empreendedo-res sem recursos, em um fórum patrocinado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento. A rainha Sofia, da Espanha, participou do encontro. “Apesar de todo o trabalho dos doadores, de governos e financistas, milhões de microempresários ainda não conseguem obter financiamento para manter ou desenvolver seu negócio. Devemos nos voltar para uma verdadeira democratização dos créditos”, disse o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, ao inaugurar o 10º Fórum Interamericano da Microempresa em um hotel de San Salvador.

Participam do evento, que termina amanhã, representantes de entidades financeiras, bancos estatais da América Latina e o Caribe, assim como representantes de diplomatas das nações acreditados em El Salvador. A rainha Sofia da Espanha e o presidente salvadorenho, Antonio Saca, também assistiram à abertura do fórum. O presidente do BID afirmou que os países agora “devem pensar em como melhorar as políticas de inclusão social, tomando como parâmetro o setor das microfinanças pois este é o verdadeiro canal para a inclusão social”.

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