Brasil é complicado para investidores

O Brasil apresenta hoje um cenário “complicado” para investidores estrangeiros, e há um “grande potencial” para que eles deixem o país em busca de outros mercados.
A opinião é do estrategista americano Ralph Davidson, do Itaú Private Bank International, que participou de um debate na noite de ontem na sede do Council of the Americas, em Nova York, mesmo local onde, na semana passada, o ex-presidente Lula disse a estrangeiros que não era preciso ter medo de investir no Brasil.
“Quando os investidores estrangeiros olham para a América do Sul, eles veem uma situação complicada no Brasil por conta da inflação, da expectativa de crescimento”, disse Davidson, que esteve na última semana em São Paulo e disse ter presenciado um “alto grau de frustração” em sua conversa com investidores no país.
Segundo ele, a queda de pontos da Bovespa que chegou a beirar os 75 mil em 2008 e hoje gira em torno de 45 mil pontos já é uma indicação da saída de estrangeiros do mercado brasileiro.
“As pessoas começam a pensar em que outros lugares é possível investir seu dinheiro. Há regiões em que a perspectiva é mais interessante”, disse.
Para Luis Oganes, chefe do departamento de pesquisa em América Latina do JP Morgan, as eleições presidenciais de outubro trarão ainda mais incertezas aos investidores. “Eles [os candidatos] têm a chance de mudar a perspectiva [do mundo sobre o Brasil] com suas propostas, mas geralmente o que se diz na campanha não é depois o que se diz ao mercado”, afirmou.
“É preciso torcer para quem for eleito anunciar as coisas certas. Mas tudo isso gera incerteza”, completou.

Emergentes

Apesar de reconhecer que há uma pressão hoje maior sobre as moedas emergentes, Oganes acredita que há um “exagero” de analistas de mercado sobre a deterioração e o real grau de exposição das economias dos países em desenvolvimento.
“É preciso lembrar que, apesar de o Fed [Federal Reserve, o BC americano] estar cortando os estímulos, ele ainda está comprando US$ 65 bilhões [em títulos] por mês”, disse.
Para Lúcio Vinhas de Souza, economista-chefe para ratings da Moody’s, é preciso ter cuidado ao fazer comparações sobre a situação de instabilidade atual de diferentes países em desenvolvimento, como Turquia, Venezuela, Ucrânia e mesmo o Brasil.
“Há dinâmicas internas muito específicas, que estão longe de poderem ser agrupadas economicamente ou em termos de rating soberano”, disse Souza.

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