2 de março de 2021

Brasil deve ter alternativa segura para amianto até o próximo ano

Dentro de oito meses, em março de 2009, o Brasil terá à disposição uma alternativa técnica e economicamente viável para o amianto, cuja proibição de uso no Estado de São Paulo acaba de ser referendada pelo STF (Supremo Tribunal Federal)

Dentro de oito meses, em março de 2009, o Brasil terá à disposição uma alternativa técnica e economicamente viável para o amianto, cuja proibição de uso no Estado de São Paulo acaba de ser referendada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Trata-se da fibra acrílica de alta perfomance, que vem sendo desenvolvida em São José dos Campos, em São Paulo, pela empresa de capital italiano Radici Fibras, com apoio da Finep – Financiadora de Estudos e Projetos, do governo federal. A indústria já investiu R$ 4 milhões no projeto e planeja iniciar a produção, oferecendo ao mercado brasileiro, já em 2009, dez mil toneladas/ano do produto, volume equivalente a 50% da demanda anual de amianto para uso em fibrocimento.
Embora proibido em mais de 40 países há pelo menos duas décadas e apontado por organizações internacionais como cancerígeno, o amianto continua sendo usado em diversos estados brasileiros, especialmente no setor da construção civil.
A insistência na utilização do produto se deve ao seu baixo custo e características técnicas favoráveis, mas há um crescente movimento de oposição a ele na sociedade brasileira. Diversas construtoras, por exemplo, já se recusam a utilizar em suas obras telhas, caixas d’água e outras peças de fibrocimento que contenham amianto, pois sabem que, se não o fizerem, vão enfrentar a resistência dos compradores dos imóveis. Da mesma forma, é cada vez maior o número de governos estaduais e municipais que vêm adotando restrições legais quanto ao uso do amianto.
Até agora, as aparentes vantagens econômicas e técnicas do amianto vinham se sobrepondo aos seus efeitos negativos sobre a saúde pública e impedindo, por falta de demanda, o desenvolvimento de alternativas seguras. A situação, no entanto, já começou a mudar.
Diversas pesquisas para o desenvolvimento de fibras naturais ou sintéticas que possam substituir o amianto estão em andamento.
Universidades importantes como a USP e a Federal de São Carlos tem equipes envolvidas com a pesquisa de alternativas economicamente viáveis e tecnicamente eficientes. Essas pesquisas têm também o apoio de fabricantes de fibras sintéticas, mesmo sem uma legislação que favoreça a pesquisa, uma vez que é grande o potencial de negócios representado pelos produtos em desenvolvimento.

Meio ambiente

Para a Radici Fibras, a decisão de investir na produção da fibra acrílica de alta performance é uma consequência natural da própria história da empresa.
“A Radici tem tradição no uso de tecnologias limpas. Somos uma empresa familiar, criada pelo meu avô, na Itália, e sempre acreditamos que nosso primeiro compromisso é com o meio ambiente, o que inclui o bem estar e a saúde das pessoas. Só depois analisamos a viabilidade econômica de um projeto”, afirma Luciano Radici, diretor superintendente da empresa.
Certa de que a nova fibra irá contribuir para resolver um problema de saúde pública e que também é um bom negócio, a diretoria da Radici já deu os primeiros passos para o início da produção de PAN de alta performance.
Uma linha de produção piloto já está em funcionamento na fábrica de São José dos Campos e R$ 4 milhões estão sendo investidos este ano para a aquisição de equipamentos. “Depois, vamos investir mais R$ 1 milhão por ano até 2010”, conta Luciano Radici.

Presença mundial

Criado em 1946 como uma indústria têxtil, o RadiciGroup tem sede em Bérgamo, na Itália, e está hoje presente também nas indústrias química, de plásticos e fibras, além de têxteis. Mantém 60 fábricas em diferentes países e emprega 4.132 pessoas. A empresa chegou ao Brasil em 1997.

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