Brasil deve crescer mais em 2009 do que prevê o mercado, diz Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a entidade prevê um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro maior do que as previsões do mercado. Ele, porém, não quis adiantar a estimativa, que será divulgada na próxima semana. No último Boletim Focus, o mercado apostou em um crescimento de 0,01%.
“Achamos que as previsões de mercado estão pessimistas, o Brasil devera ter um crescimento um pouquinho melhor do que o mercado prevê’’, disse Meirelles, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
Henrique ressaltou que, apesar dos impactos da crise, o Brasil está em melhores condições do que vários outros países do mundo. “O Brasil está melhor do que a media mundial e melhor do que muitos países emergentes’’, disse completando ainda que o ajuste nos EUA deverá ocorrer de forma mais rápida, o que é uma boa notícia.

Corte de juros em tempo de crise

Meirelles destacou também a oportunidade de o Brasil poder baixar a taxa de juros, hoje em 11,25% ao ano. Ele lembrou ainda que a taxa de juros real na perspectiva de longo prazo é a menor da história, alcançando 5,2% em março (taxa 360 dias).
“Nunca houve na história do Brasil essa taxa de 5,2% e, no passado, em momentos de crise essa taxa aumentava. É a primeira vez em muitas décadas que o Brasil tem oportunidade de na crise baixar a taxa de juros’’.
Segundo Meirelles, as reduções recentes na taxa básica de juros só foram possíveis porque o BC estava atento e porque “a expectativa de inflação convergiu para o centro da meta, o que permitiu ao Banco Central fazer o corte da Selic sem criar volatilidade nas outras taxas do mercado’’.
Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC, em março, a Selic foi reduzida pela segunda vez seguida, para 11,25% ao ano.

Mercado de câmbio

Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Meirelles reafirmou que o Banco Central já injetou no mercado de câmbio US$ 59 bilhões desde a piora da crise econômica, em setembro do ano passado. As intervenções foram feitas para segurar a disparada da moeda norte-americana.
De acordo com Meirelles, o BC vendeu US$ 14,5 bilhões das reservas internacionais no mercado de dólar à vista. Também foram emprestados US$ 20,3 bilhões em leilões de dólares de linhas externas e linhas de financiamento de exportações.
Desse total, US$ 8 bilhões foram recomprados pelo BC, resultando em uma intervenção líquida de US$ 27 bilhões. Também entra na conta do BC mais US$ 32,4 bilhões em contratos no mercado futuro de dólares.
A liberação do compulsório –dinheiro dos clientes que os bancos são obrigados a manter depositados no BC- soma R$ 99,8 bilhões, dos quais R$ 37 bilhões foram transferências de carteiras de instituições pequenas e médias, R$ 5 bilhões de antecipação ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e cerca de R$ 11 bilhões de aumento de recursos do BNDES e crédito rural.
Meirelles disse ainda que há espaço para a redução do “spread” bancário no Brasil. O “spread” é a diferença entre os juros que os bancos pagam para pegar dinheiro e os juros que eles cobram de seus clientes para emprestar. Afirmou que um dos fatores que poderão contribuir para a queda da taxa é o cadastro positivo, que permitirá um cliente levar seu histórico de crédito de um banco para outro”.

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